Ainda muito se vai escrever sobre este tema e por certo a Audi vai tentar mostrar que tem a razão do seu lado, embora pelos dados recolhidos pela FIA não seja o caso. Lucas di Grassi viu hoje a bandeira preta por não ter cumprido com o Drive Through aplicado por desrespeito ao procedimento de Safety Car, a primeira vez que acontece na história desta competição.
O caso começou quando André Lotterer atirou António Félix da Costa contra as proteções da pista, quando tentava passar o piloto da Porsche, num comportamento muito questionável por parte do alemão, com outros pilotos a mostrarem mais respeito no momento de serem ultrapassados. Com o DS Techeetah fora de prova e parado na entrada da curva 1, foi preciso a entrada do Safety Car para remover o carro. Perto do fim do período de Safety Car, Lucas di Grassi, que estava na luta pelo top 10, entrou na via das boxes o que surpreendeu a todos, mais ainda quando surgiu na frente do pelotão, pouco depois. O ritmo do Safety Car em pista era muito lento e a Audi percebeu que passando pela via das boxes era mais rápido. O único senão é que o carro tinha de se imobilizar completamente. Di Grassi entrou, parou e saiu na frente do pelotão, mas segundo os sensores da FIA o carro nunca chegou a estar completamente imobilizado, tornando a manobra ilegal. Ora a Audi estava convicta que tinha a razão do seu lado e Di Grassi não cumpriu a penalização imposta pelos comissários, cruzando a linha de meta em primeiro lugar, pouco depois de ter aparecido a mensagem que atribuiu uma bandeira preta ao piloto brasileiro, o que corresponde a uma desclassificação.
Tal não se verificou e a bandeira preta transformou-se numa penalização de tempo, com o brasileiro a acabar em oitavo. Não é certo ainda o que aconteceu, mas a confirmar-se a bandeira preta (o documento oficial já foi lançado pelo que não faz sentido o piloto ficar em oitavo) Di Grassi será o primeiro piloto da competição a ver esta sanção e o primeiro piloto desde 2007 a ver uma bandeira preta em competições FIA de monolugares, sendo que a última vez aconteceu no GP do Canadá na época 2007 com Felipe Massa e Giancarlo Fisichella a verem a bandeira preta por desrespeito ao sinal vermelho.


“Basicamente, estávamos numa situação única aqui em Londres, em que o pitlane é bastante curto e também o Safety Car estava invulgarmente lento e, na realidade, era mais rápido a atravessar o pitlane, o que os regulamentos permitem”, explicou Allan McNish, diretor da Audi, citado pelo autosport.com. “Lucas parou e acelerou. Ficámos bastante surpreendidos com o tempo que ele ganhou no final, mas infelizmente os comissários consideraram que ele não parou o carro o suficiente [pelos padrões de uma paragem completa]. Acreditamos que ele parou, eles acreditam que não o fez. Contudo, o Drive Through não é uma decisão da qual se possa recorrer, pelo que infelizmente estamos numa situação em que temos de rever todos os regulamentos agora”.
“Estamos aqui visualmente de pé e eles estão a olhar para os dados”, explicou ele. “Desse ponto de vista, as câmaras de televisão estão atrás do sinal, por isso é muito difícil de ver e os nossos homens estavam a olhar para ele muito claramente. Compreendemos e conhecemos extremamente bem os regulamentos e respeitamo-los, e acreditamos nos regulamentos. Contudo, os juízes são de facto, neste caso, e os comissários acreditam no contrário”.
McNish acrescentou que a Audi irá analisar os dados do carro após a corrida.
“Não obtivemos os dados do carro. Essa é uma das questões da Fórmula E, que temos de esperar até o carro voltar para podermos descarregar os dados exatos, pelo que o faremos no devido tempo“, disse ele.
Great pace from McNish today #LondonEPrix | #FormulaE pic.twitter.com/UTTwntfrjc
— The Race (@wearetherace) July 25, 2021












