Fórmula E em Berlim: Nico Müller (Porsche) estreia-se a vencer, Félix da Costa 10º

Por a 2 Maio 2026 16:10

Em Berlim, Nico Müller (Porsche) assinou uma lição estratégica de automobilismo ao levar a Porsche à vitória no E-Prix caseiro, após uma recuperação fulgurante desde o 6º lugar. Numa prova marcada pelo caos e pela gestão do Attack Mode, o piloto suíço construiu uma vantagem dominante de 4,6 segundos, batendo Nick Cassidy (Citroen) e Oliver Rowland (Nissan) num pódio de luxo. António Félix da Costa teve uma corrida complicada, partiu de nono, terminou em décimo, perdendo a posição já perto do fim depois de se ter queixado de falta de potência no seu monolugar.

Foi sob um silêncio pesado pela morte de Alex Zanardi, o paddock recolheu-se primeiro à memória de um homem maior do que o próprio desporto, e foi como se Berlim arrancasse com essa sombra nobre por cima da grelha, transformando a corrida num duelo entre luto, velocidade e sobrevivência competitiva.

Quando as luzes se apagaram, Edoardo Mortara (Mahindra) agarrou a liderança com a frieza de quem quer impor ordem, mas atrás dele o pelotão fechou-se de imediato, com Oliver Rowland a saltar para segundo e Nick Cassidy a colar-se ao grupo da frente.

O início foi um vendaval. Rowland tomou a dianteira, Cassidy cresceu no meio do tumulto e Zane Maloney (Lola) começou a insinuar-se como ameaça real, num pelotão comprimido em poucos segundos. Depois surgiu a primeira imagem verdadeiramente cinematográfica do dia: Lucas di Grass (Lola)i, lançado do fundo da grelha, a subir lugares em catadupa até se meter entre os homens da frente e reescrever o argumento quando quase ninguém o imaginava capaz disso.

A corrida entrou então numa fase hipnótica, em que o líder mudava constantemente mas o pelotão permanecia inteiro, preso no mesmo plano, como se vinte carros corressem ligados por um único fio invisível. Cassidy voltou ao comando, Maloney passou pela frente, e di Grassi completou uma ascensão improvável até à liderança, empurrando a Lola Yamaha para um inesperado um-dois e dando à prova um herói improvável, veterano, resistente, quase romântico na forma como desafiava a lógica do pelotão. Berlim parecia render-se a essa rebelião perfeita, mas na Fórmula E nada dura demasiado tempo sem pagar o preço.

Quando a corrida entrou no seu terço decisivo, o enredo abriu-se. Vieram os PIT Boost, depois as estratégias partidas ao meio, primeiro os que arriscaram cedo e os que esperaram pela altura que se revelou certa, e o pelotão deixou de ser apenas uma massa compacta para se tornar em várias corridas dentro da corrida.

Rowland herdou a frente no meio dessa agitação, Cassidy ‘caiu’ e voltou a subir, e Nico Müller, discreto até aí, começou a desenhar a manobra que mudaria tudo: primeiro manteve-se vivo, depois ativou o Attack Mode, e finalmente soltou o ritmo que ninguém mais conseguiu acompanhar.

António Félix da Costa no coração da perseguição

No meio desta batalha de sobrevivência e cálculo, António Félix da Costa foi sempre uma presença ativa na luta pelos pontos, envolvido na fase mais densa da corrida e também ele lançado no turbilhão estratégico dos Attack Mode. O português entrou na ofensiva quando o pelotão se abriu definitivamente, atacou com ambição na fase final e manteve-se dentro do grupo perseguidor numa corrida em que cada decisão parecia poder render um pódio ou empurrar um piloto para o anonimato.

A partir daí, a história ganhou um dono. Müller passou de caçador a força imparável, cavando segundos onde antes mal existia espaço para um carro, e transformando uma corrida caótica numa demonstração clara de quem iria vencer. Enquanto atrás dele Cassidy completava uma recuperação feroz até segundo e Rowland resistia para segurar o último lugar do pódio, o suíço da Porsche rodava com a autoridade de quem percebeu antes de todos onde estava a vitória.

E foi assim, com o pelotão ainda em combustão e a tensão a ferver até à última volta, que a corrida terminou no seu clímax perfeito: um piloto suíço a vencer para um construtor alemão em solo alemão, no dia em que a Fórmula E correu entre a memória de Zanardi e a brutal urgência de todos continuarem as suas vidas…

FOTO by Simon Galloway LAT Images

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Um comentário

  1. Pity

    2 Maio, 2026 at 16:26

    Corrida caótica???? Acho que foi uma corrida normal da fórmula E. Caótica seria se tivesse havido batidas, vários safety cars, e não houve nem uma bandeira amarela, sequer.

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