Fórmula E: Corrida n.º150 acontece no próximo fim de semana, na Cidade do México
O Campeonato do Mundo FIA de Fórmula E prepara-se para assinalar um marco histórico: a realização do 150.º E-Prix, marcado para 10 de janeiro de 2026, na Cidade do México. Mais de uma década após a estreia em Pequim, a competição totalmente elétrica consolidou-se como uma referência do desporto motorizado moderno, marcada por inovação tecnológica, crescimento global e uma identidade própria.
Ao longo de 12 anos, a Fórmula E passou por uma profunda transformação. Nos primeiros tempos, as corridas incluíam trocas de carro a meio da prova, o que aumentava o sentimento de desconfiança em torno da competição, desconfiança externa e também interna. Os primeiros tempos não foram fáceis, mas, passo a passo, com uma estratégia agressiva e com a evolução tecnológica a suportar uma base mais “comum” para os fãs de motorsport, a Fórmula E foi crescendo, atraindo muitas marcas e muitos pilotos de top.. Atualmente, o campeonato conta com um leque de construtores de relevo, como Porsche, Nissan, Mahindra, Jaguar e Citroën Racing.

Uma evolução constante
A evolução dos monolugares tem sido notória: tornaram-se mais leves, rápidos e sustentáveis. O actual GEN3 Evo destaca-se pela aceleração de 0 aos 100 km/h em cerca de 1,8 segundos, por um pacote aerodinâmico mais agressivo e pela introdução de tração integral em momentos-chave, como a partida e a ativação do Attack Mode. A recente introdução do PIT BOOST veio acrescentar uma nova dimensão estratégica às corridas, através de um sistema inovador de recarga rápida. Com a estreia do GEN4 prevista para a próxima temporada, a Fórmula E continua a projetar-se para o futuro sem sinais de abrandamento.
| Aspeto | Gen1 (2014–2018) | Gen3 (desde 2022/23) |
|---|---|---|
| Potência máxima | 200 kW (272cv) em modo de corrida, com modos de poupança abaixo desse valor e picos até cerca de 230 kW em FanBoost / push-to-pass | 300 kW (408cv) em modo de corrida e até 350 kW (476cv) em qualificação e Attack Mode |
| Regeneração | Travagem regenerativa apenas no eixo traseiro, com potência significativamente inferior às gerações seguintes | Até 600 kW de regeneração combinada (cerca de 350 kW atrás + 250 kW à frente), com unidades motrizes em ambos os eixos |
| Bateria / energia | Bateria com cerca de 28 kWh utilizáveis, insuficiente para a distância total da corrida, obrigando à troca de carro a meio da prova | Bateria com cerca de 47 kWh brutos e 38,5 kWh utilizáveis, beneficiando de uma percentagem muito superior de energia recuperada em travagem |
| Peso mínimo (com piloto) | Aproximadamente 888–920 kg, com bateria pesada e conceito global menos otimizado para a redução de massa | 840 kg incluindo piloto, com bateria de cerca de 284 kg e foco claro na diminuição de peso face à geração anterior |
| Velocidade máxima | Na ordem dos 200–225 km/h em configuração de corrida | Até cerca de 320 km/h, de acordo com os valores oficiais divulgados |
| Eixos motrizes | Apenas o eixo traseiro para propulsão e regeneração | Eixo traseiro para propulsão; eixo dianteiro dedicado à regeneração, permitindo recuperar energia nas quatro rodas. Tração total em Attack Mode |
| Eficiência energética | Recuperação de energia relativamente limitada, com uma menor percentagem da energia total da corrida proveniente da travagem regenerativa | Mais de 40% da energia utilizada em corrida pode ser recuperada por travagem regenerativa, tornando a eficiência um factor central de desempenho |
| Filosofia de corrida | Gestão de energia muito visível, ritmo mais contido e troca de carro como elemento distintivo do espectáculo | Corridas mais rápidas, com forte ênfase na estratégia energética, sem trocas de carro e com travagens regenerativas muito mais determinantes |
| Dimensões / comportamento | Monolugar relativamente pesado e menos ágil, refletindo a prioridade dada à fiabilidade e segurança na fase inicial da categoria | Monolugar mais compacto e leve, concebido para maximizar a manobrabilidade e as lutas roda-com-roda em circuitos citadinos |
Sem medo de arriscar
A Fórmula E nunca teve medo de tentar novos conceitos, quer a nível técnico e especialmente a nivel do formato. Basta ver o Attack Mode, a qualificação, o formato do fim de semana para entender que a Fórmula E não quer ser mais uma competição de motorsport e quer trilhar o seu caminho, mesmo que o faça sozinha. E isso pode atrair novos interessados, como afastar fãs mais tradicionalistas. É um risco assumido.
Paralelamente à evolução técnica, o campeonato construiu a sua identidade em circuitos urbanos emblemáticos, competindo no centro de grandes cidades como Paris, Roma, Berlim, Londres, Nova Iorque, Seul, Jidá e Mónaco, entre outras. A série teve ainda um papel histórico ao contribuir para o regresso do desporto automóvel à Suíça, após mais de seis décadas de interdição.

Em termos desportivos, foram atribuídos 10 títulos em 11 temporadas, com apenas um piloto a conseguir o feito de vencer campeonatos consecutivos (Jean-Éric Vergne). Entre os vencedores, um português, António Félix da Costa, que é uma das grandes estrelas da competição. Ao longo deste percurso, registaram-se 24 vencedores de corridas, 38 pilotos no pódio, 32 autores de pole positions e 89 pilotos a alinhar pelo menos numa prova, números que ilustram a competitividade e diversidade da grelha.
Fotos: Fórmula E
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