F4: Maria Germano Neto faz o balanço da sua estreia

Por a 22 Fevereiro 2026 18:44

Reportagem: José Caetano

Num fim de semana de estreia marcado por desafios, problemas técnicos e recuperações impressionantes, Maria Germano Neto deu o primeiro passo na sua caminhada nos monolugares ao competir na ronda inaugural da F4 Spanish Winter Championship, em Portimão.

Aos 15 anos, a piloto da TC Racing — estrutura do guarda-redes Thibaut Courtois — deu um passo importante no seu percurso que a levou dos karts nacionais e internacionais, passando pela Ferrari Driver Academy, até ao exigente mundo da Fórmula 4. Maria saiu do Algarve com um balanço positivo e a convicção de que este é apenas o início de uma nova fase da sua carreira.

Este foi o teu primeiro fim de semana na Fórmula 4. Quais foram as primeiras sensações desta estreia em Portimão?

Foi um fim de semana bastante complicado. Cheguei aqui com poucos dias de treino em comparação com muitos dos outros pilotos, incluindo alguns rookies que já tinham o dobro ou o triplo de quilómetros em cima do carro. É um carro completamente diferente daquele a que estava habituada no karting, e isso nota-se logo. Além disso, tive pouca experiência nesta pista: só tinha rodado aqui dois dias, ambos à chuva. Este fim de semana esteve sempre sol, por isso, na prática, não tinha qualquer referência em seco. Mesmo assim, sessão após sessão fui melhorando.

Como correu o dia de sábado, entre qualificação e corridas?

Ontem, nos cronometrados, consegui aproximar-me bastante dos tempos da frente, cada vez mais perto dos pilotos mais rápidos. Na primeira corrida, o arranque não foi bom – era o meu primeiro arranque em corrida de F4, estava um pouco nervosa, e isso notou-se. Mas depois consegui recuperar mais de 10 posições, também ajudada por alguns safety cars. Foi uma corrida com muitas ultrapassagens e com um bom ritmo, o que me deixou satisfeita. Na corrida sprint, quando já seguia mais à frente, tive um toque que partiu a asa dianteira. A partir daí perdi imenso tempo e já não conseguia conduzir o carro em condições.

E o domingo, que acabou com uma grande recuperação?

Hoje, nos treinos, tivemos um problema no carro e não conseguimos deixá-lo como queríamos. Isso acabou por se refletir nos cronometrados, que foram fracos, e saí bem atrás. No arranque da corrida também houve um problema até à primeira curva e, quando dei por mim, estava em 32.º, em último. A partir daí foquei-me em recuperar e consegui cruzar a meta em 13.º. Apesar de terem entrado dois safety cars, consegui ultrapassar muitos carros e manter um ritmo muito positivo. Para um fim de semana de estreia, é muito encorajador e dá-me confiança para, já na próxima semana, em Jarama, conseguir dar mais um passo em frente.

A passagem do kart para um Fórmula é muitas vezes descrita como um salto enorme. Sentiste isso?

Sim, completamente. Mesmo depois de mais de 10 anos de karting, quando me sentei pela primeira vez num Fórmula pensei: “Isto é completamente diferente”. Do karting, acho que levo sobretudo duas coisas: a confiança e a forma de atacar as ultrapassagens. Nesse aspeto há pontos em comum, embora existam diferenças. Mas tudo o resto muda: o carro pesa muito mais, a direção é muito mais pesada e a exigência física é muito maior.

Preparaste-te fisicamente com antecedência para este passo?

Sim. Já no último ano de karting, mesmo sem ter a decisão tomada, sabia que a passagem para os monolugares era uma possibilidade real. Comecei a treinar de forma mais exigente no ginásio, precisamente para chegar às Fórmulas sem sentir aquele choque físico que muitos pilotos têm quando fazem esta transição. Isso ajudou-me bastante agora.

Como consegues conciliar os estudos com um programa internacional de corridas?

É um desafio grande. Já hoje sigo para Madrid, vou diretamente para o simulador porque ainda não treinei naquela pista. Em termos de estudos, faço muita coisa online: trabalhos que os professores me enviam quando estou fora, aulas que tento acompanhar à distância. Sempre que estou em Portugal vou o máximo possível à escola e tenho apoio extra à tarde para recuperar as aulas que falto. Apesar de o foco principal serem as corridas, a escola continua a ser importante e não pode ser ignorada.

O teu sonho, como o de muitos pilotos, passa naturalmente pela Fórmula 1. Onde te vês daqui a alguns anos?

Claro que o meu sonho é chegar à Fórmula 1, como acontece com a maioria dos pilotos. Mas sei que é muito complicado, não só pela qualidade dos pilotos que lá estão, que é altíssima, como também pelas condições financeiras necessárias para lá chegar. Não falo apenas do meu caso, falo de Portugal em geral: é muito difícil reunir o apoio necessário. Não digo que seja impossível vermos um piloto português na F1, pode acontecer um caso especial – comigo ou com outro piloto –, mas acho que não é algo que vá acontecer nos próximos tempos. Não é por falta de talento dos pilotos portugueses, é mesmo pelas condições financeiras que o desporto exige.

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