‘Class One’ visitou DTM: O futuro passou por Hockenheim?

Por a 15 Outubro 2017 15:40

Já foram vistas imagens dos Super GT a rodar na pista alemã de Hockenheim, que recebeu este fim-de-semana a final do DTM. Se no papel é apenas um ‘doce’ para os adeptos, o seu significado pode ser muito mais profundo que esse… a Class One.

A ideia começou a ser falada em 2014, aquando dos primeiros acordos entre as partes interessadas. A ideia da Class One era juntar o DTM e os Super GT numa categoria única, esperando que os americanos do IMSA se juntassem para fazer um campeonato de turismos à escala mundial. Nesse ano foram acordados os princípios dos regulamentos técnicos entre os responsáveis dos campeonatos germânicos e nipónicos, ficando à espera da resposta dos norte-americanos.

Pretendia-se uma classe que mantivesse a espectacularidade dos DTM/Super GT, criando uma base conjunta para um campeonato mundial, de custos mais reduzidos, atraindo assim marcas para o campeonato.

A vontade das partes era que o processo de aproximação ficasse concluído em 2017. A parte do chassis e da aerodinâmica era para ser mantida semelhante ao que existia (e existe) em ambos os campeonatos e a grande diferença seria o uso de um motor de arquitectura comum, de 4 cilindros, turbinado, com potência de 600cv.

A ideia entusiasmou toda a gente mas os avanços e recuos sucederam-se. Os americanos nunca deram um passo em frente e preferiram apostar no reforço dos seus campeonatos (que cada vez mais ganham relevo), os rumores apontavam que os japoneses também olhavam com muito interesse para os GT3, e os alemães resfriaram os intentos, adiando a introdução dos novo motores para 2019, de forma a diluir os custos ao longo do tempo.

Com todas estas indefinições, começou-se a falar que seria o WTCC a adoptar a Class One, o que obrigaria as marcas que quisessem participar no WTCC a desenvolver novas máquinas. As marcas presentes no DTM e nos Super GT usam como base modelos ‘premium’, enquanto as marcas do WTCC apostam em modelos de gama média. Existam alguns pormenores da Classe One que iam contra a filosofia do WTCC.

A notícia que veio mudar completamente este cenário de indefinição e marasmo foi o anúncio da saída da Mercedes do DTM no final de 2018, passado a apostar no campeonato de carros elétricos, a Fórmula E. Isto fez por certo soar os alarmes na ITR, que até então parecia algo relutante a juntar-se aos japoneses. Com a saída da Mercedes, o campeonato ficaria reduzido a apenas duas marcas o que não agrada nem aos responsáveis nem aos adeptos. Audi e BMW tornaram público o apoio à mudança para a Class One e se em junho, Gerhard Berger afirmava que a Class One não era o principal foco do DTM, as coisas parecem ter mudado.

Aponta-se que 2019 seja um ano de transição e as marcas alemãs já se mostraram receptivas para a mudança de motores e chassis, para atrair os construtores japoneses, sendo que os DTM estão concebidos para corridas de 60 minutos e os Super GT para corridas de Endurance. Os próximos dois anos terão de ser de trabalho árduo para encontrar uma base que permita o ‘casamento’ assim como a entrada de novas marcas. Para isso terá de ser criada uma competição atrativa para os fãs, com o foco nas capacidades dos pilotos, mas cujos gastos e complexidade não sejam exagerados (o exemplo da F1 é o mais pertinente, com uma regulamentação tão complexa a nível de motores, que só a Honda arriscou com os resultados que se conhecem. Ninguém quer entrar num campeonato para perder).

O primeiro passo rumo à Class One foi dado este fim-de-semana com as duas máquinas japonesas a rodarem com as alemãs, naquilo que é considerado pelos responsáveis como um sinal sério de compromisso para um futuro comum. E pelas primeiras imagens, os fãs têm motivos para sorrir.

Fábio Mendes

Caro leitor, esta é uma mensagem importante.
O Autosport já não existe em versão papel, apenas na versão online.
E por essa razão, não é mais possível o Autosport continuar a disponibilizar todos os seus artigos gratuitamente.
Para que os leitores possam contribuir para a existência e evolução da qualidade do seu site preferido, criámos o Clube Autosport com inúmeras vantagens e descontos que permitirá a cada membro aceder a todos os artigos do site Autosport e ainda recuperar (varias vezes) o custo de ser membro.
Os membros do Clube Autosport receberão um cartão de membro com validade de 1 ano, que apresentarão junto das empresas parceiras como identificação.
Lista de Vantagens:
-Acesso a todos os conteúdos no site Autosport sem ter que ver a publicidade
-Desconto nos combustíveis Repsol
-Acesso a seguros especialmente desenvolvidos pela Vitorinos seguros a preços imbatíveis
-Descontos em oficinas, lojas e serviços auto
-Acesso exclusivo a eventos especialmente organizados para membros
Saiba mais AQUI

6 comentários

  1. miguelgaspar

    15 Outubro, 2017 at 17:24

    Quem diria que o “desconhecido e subestimado” Super GT ia salvar o “todo poderoso” DTM…

    • João Pereira

      15 Outubro, 2017 at 20:15

      É natural que seja desconhecido, tal como o GT australiano e os Supercars. Afinal a coisa passa-se do outro lado do mundo. Os EUA ficam bem mais perto, e o AS não nos dá noticias da NASCAR nem da Indycar, a não ser que um desconhecido espanhol lá vá fazer uma perninha.
      É claro que temos sempre o Autohebdo.fr, o Motorspor.com e o Autosport.uk para nos actualizarmos e sabermos as novidades de F1, WRC, WEC e outros, de que o nosso Autosport nos dá conhecimento com horas e por vezes dias de atraso, que é o tempo que demora a fazer o habitual copy-past, ou com uma tradução por vezes fraquita ou mesmo errada.

      • miguelgaspar

        15 Outubro, 2017 at 22:52

        Caro ernie, neste caso especifico nem me estava a referir ao AS, mas sim ao continente europeu e, em especial aos portugueses… que vivem num mundo controlado pela Autoeuropa, em que o que è alemão è que è bom… onde os proprietários dos ditos premium teem vergonha de de falar dos defeitos dos seus carros e das vezes que estes os levam à oficina, onde por vezes os levam a cidades diferentes de onde vivem para esconder a coisa. Mas voltando à competição automóvel, que è o que interessa, estes carros do Super GT sao mais rapidos que os LMP2 e LMP1 nao hibridos. So este “pormenor” deveria de ser suficiente para elevar a qualidade desta competição, para não falar da espectacularidade destas corridas, em modo endurance, onde normalmente sao disputadas ao metro… e levamos com o DTM onde, praticamente, não existem ultrapassagens e tudo parece “artificial”… hoje ganha a Audi, amanhã a Mercedes, depois a BMW. Para quem dizia que Suzuka, apos o GP de F1, era uma pista de apenas uma trajetória… vejam a corrida de Super GT e depois falem. Cumprimentos.

        • João Pereira

          16 Outubro, 2017 at 11:24

          Pronunciando-me apenas sobre a parte desportiva, é verdade que os GT estão de boa saúde em todo o mundo e todos os campeonatos, e até os GT3 e GTE são por vezes bastante maçadores para os LMP2, este ano já não tanto muito, por causa do motor Gibson mais potente que os usados até ao final de 2016, e os LMP1(CLM)da By Kolles nem sequer são verbo encher, porque simplesmente não enchem coisa nenhuma, já que como sabemos, concluírem a primeira volta já é surpreendente e se fizerem mais algumas pegam fogo, sendo este um projecto tão credível como todos aqueles em que Mr. Colin Colles esteve envolvido (Midland, HRT, etc…) e nem admira que Kubica o tenha mndado “pastar” depois dos testes de Monza. No entanto, para o ano deverão existir projectos mais convincentes, para o bem da modalidade, já que os LMP1 HY infelizmente têm os dias contados.
          Quanto ao DTM, também concordo que há muito tem os dias contados, sofrendo do mesmo mal que o WTCC entre os principais campeonatos de carros de turismo com carros mais potentes, excluindo o Supercars, que está mais perto de um troféu monomarca disputado por equipas.
          Este DTM da última geração, foi criado numa base de alguma contenção de custos com inspiração na NASCAR, o problema é que essa contenção acaba por não ser significativa por duas razões:
          – Os carros continuam a ser demasiado caros devido à tecnologia envolvida. e aposto que um destes carros é no minimo 10 vezes mais caro que um NASCAR.
          – O DTM em si, é essencialmente suportado pelos construtores envolvidos, que não deixam espaço para visibilidade dos patrocinadores, o que é precisamente inverso do que se passa na NASCAR, e até no Supercars australiano, elevando os custos de uma forma que faz com que outros construtores não se sintam atraídos.
          De resto, os campeonatos de carros de turismo destinados a construtores, não podem ser disputados por carros feitos sob a mesma bitola como o DTM, tem que haver diversificação de motores e arquitecturas como nos GT hoje, BTCC, ou nos turismos classe 2, ou até nos classe 1(DTM) de há uns anos.
          A fusão entre o DTM e o Super GT, tem lógica, porque são campeonatos com a mesma filosofia embora com carros diferentes, no entanto ao ser criado um regulamento que permita equilibrar as coisas, vai ser criado um campeonato de carros “parecidos” com carros de estrada, com bastantes construtores envolvidos com a BMW, AUDI, e todo o batalhão de construtores japoneses. Resta saber se vai ser endurance, sprint ou um misto, na minha opinião, seria interessante fins de semana com duas corridas: uma de qualificação (sprint) que daria a grelha para uma de 4 ou 6 horas no dia seguinte, ambas pontuando da mesma forma, em que os carros que abandonassem na de sprint, seriam admitidos na grelha da de endurance com base na distancia percorrida até ao abandono, e assim se reuniria o melhor de dois mundos.

  2. Não me chateies

    16 Outubro, 2017 at 10:11

    Por mim podem acabar de vez com o DTM, ficção são as equipas de 2 carros, realidade as equipas de 6 carros. Ordens de construtor em vez de ordens de equipa, na prática só existem 3 participantes, para o ano 2. Para o ano equipas de 9 a 10 carros, promete…

  3. [email protected]

    16 Outubro, 2017 at 14:29

    Isto tudo soa-me a oportunismo por parte da organização do DTM, pois agora que a Mercedes se prepara para dar o salto para a Formula E, procura apoio no SuperGT de forma a fazer uma espécie de damage control ao campeonato. Vou ser sincero ao dizer que não gosto deste DTM; é muito elitista e está longe do espírito que esteve na base da sua criação, que era tornar-se numa competição popular tanto para pilotos como para marcas e sobretudo para o público. Assim e para fazer regressar essa ideia basilar, não seria má ideia adoptar os princípios base dos Supercars australianos, que têm provas de sprint e uma de endurance que é a prova rainha do desporto motorizado da Austrália a par do GP de F1: os 1000km de Bathurst; está provado que aí os adeptos não querem muitas provas de endurance, basta a do Mount Panorama. Além disso a popularidade do campeonato nunca foi comprometida pelo facto de só ter dois construtores envolvidos, a Holden e a Ford.
    Para concluir, sinto que o DTM precisa de voltar às corridas em bases aéreas e nas ruas da Alemanha.

Deixe aqui o seu comentário

últimas Newsletter
últimas Autosport
newsletter
últimas Automais
newsletter
Ativar notificações? Sim Não, obrigado