24h Daytona: Tri da Porsche em final emocionante, portugeses em destaque nos LMP2

Por a 25 Janeiro 2026 19:16

Daytona costuma mimar os seus fãs com finais intensos e emocionantes com corridas decididas ao milésimo, apesar das 24h de prova. A edição 2026 deu-nos também um final intenso, especialmente nas lutas à geral entre os GTP, assim como nos GTD com duelos que nos prenderam até ao fim. Isto depois de mais de 6h sob Full Course Yellow motivado pelo teimoso nevoeiro que pairou sobre a pista até o sol se impor.

A Porsche Penske Motorsport conquistou a sua terceira vitória consecutiva nas 24 Horas de Daytona, numa 64.ª edição marcada por um domínio consistente da marca alemã na classe principal GTP. Felipe Nasr entrou para um grupo restrito de pilotos com três triunfos absolutos na prova, enquanto a equipa celebrou o feito no ano em que a Porsche Motorsport assinala 75 anos de atividade e a Team Penske completa seis décadas de existência.

Nasr levou o Porsche 963 n.º 7 à vitória, batendo por 1,569 segundos o Cadillac V-Series.R n.º 31 da Action Express Racing, pilotado por Jack Aitken, que pressionou nas fases finais da corrida. O brasileiro partilhou o triunfo com Julien Andlauer e Laurin Heinrich, ambos a conquistarem o primeiro sucesso absoluto em Daytona, com o alemão a somar apenas a sua segunda participação em provas LMDh.

A corrida ficou fortemente condicionada por uma neutralização noturna de seis horas e 33 minutos, provocada por nevoeiro intenso — a mais longa da história do evento — que transformou as últimas seis horas numa autêntica corrida sprint até à bandeira de xadrez. Durante esse período, ambos os Porsche oficiais aproveitaram para reparar danos: o carro n.º 7 substituiu elementos aerodinâmicos, enquanto o n.º 6 corrigiu problemas no fundo resultantes de um toque anterior com um LMP2.

Uma decisão estratégica durante o último Full Course Yellow, a pouco mais de duas horas do fim, permitiu ao Porsche n.º 7 assumir a liderança quando o então primeiro classificado, Laurens Vanthoor, permaneceu mais uma volta em pista. A manobra inverteu a ordem entre os dois carros da Porsche Penske, com o n.º 6, agora entregue a Kévin Estre, a cair para trás e a ser ultrapassado por Jack Aitken e por Dries Vanthoor. Este último garantiu o terceiro lugar para o BMW M Hybrid V8 da Team WRT, partilhado com Sheldon van der Linde, Robin Frijns e René Rast, no melhor resultado da equipa belga na estreia na classe principal.

Estre, Laurens Vanthoor e Matt Campbell terminaram em quarto, beneficiando de uma paragem tardia do BMW n.º 24 de Marco Wittmann. Os Acura ARX-06 da Meyer Shank Racing não conseguiram acompanhar o ritmo dos Porsche e dos BMW nas horas finais, acabando em quinto e sexto, com destaque para o n.º 93, que perdera uma volta a meio da corrida após desprendimento da roda dianteira esquerda.

O Cadillac n.º 40 da Wayne Taylor Racing foi promovido a sexto, enquanto o Porsche privado da JDC-Miller Motorsports, rápido no início, perdeu competitividade no final. A estreia do Aston Martin Valkyrie da Heart of Racing Team revelou-se atribulada, com vários problemas elétricos e uma avaria na suspensão traseira, regressando à pista apenas nos minutos finais e terminando com mais de 45 voltas de atraso.

A prova ficou ainda marcada pelo abandono do Cadillac V-Series.R n.º 10 da Wayne Taylor Racing ( de Filipe Albuquerque), que sofreu uma avaria na caixa de velocidades, provocando um incêndio na traseira a pouco mais de duas horas do final, com Ricky Taylor a conseguir levar o carro até às boxes sem ferimentos.

Foi uma corrida em que a Porsche foi sempre a mais forte e apenas o Cadillac #31 foi capaz de anular esse domínio com uma excelente corrida e um fortíssimo ataque final de Aitken, que acabou por não conseguir passar Nasr. Um belo duelo para encerrar uma atribulada corrida.

LMP2 – Portugal em destaque

A CrowdStrike Racing by APR conquistou a vitória na classe LMP2 das 24 Horas de Daytona, pondo fim a vários anos de frustrações nesta prova com um triunfo construído por George Kurtz, Alex Quinn, Malthe Jakobsen e Toby Sowery.

Alex Quinn levou o Oreca 07 Gibson n.º 04 até à bandeira de xadrez na primeira posição, à frente do Oreca n.º 43 da Inter Europol Competition, tripulado por Tom Dillmann, Jeremy Clarke, António Félix da Costa e Bijoy Garg. Para Kurtz, de 55 anos, o resultado completou um palmarés impressionante nas provas de longa duração, depois de já ter vencido em Sebring, Le Mans, Watkins Glen e Petit Le Mans, além das 24 Horas de Spa, mas sempre sem conseguir triunfar em Daytona, onde em 2022 perdera por escassa margem para a Proton Competition.

A corrida de LMP2 começou de forma atribulada, com um acidente coletivo na primeira volta que envolveu vários Oreca, incluindo o de Kurtz, e que deixou o United Autosports n.º 2 com danos significativos e problemas persistentes de transmissão. Nas fases iniciais, o domínio pertenceu ao Oreca n.º 99 da AO Racing, beneficiando do facto de o piloto Bronze PJ Hyett ter cumprido grande parte do tempo obrigatório de condução logo no arranque, criando uma vantagem considerável.

Contudo, essa margem foi anulada por uma longa neutralização superior a seis horas provocada pelo nevoeiro, que relançou completamente a luta pela vitória ao amanhecer de domingo. A partir daí, a CrowdStrike by APR e a Inter Europol Competition ganharam protagonismo, enquanto a AO Racing optava por uma estratégia alternativa para o final.

Novo Full Course Yellow, a cerca de duas horas e meia do final, forçou uma nova reorganização estratégica e colocou o Oreca n.º 04 na frente para a relançada, posição que manteve até à bandeira de xadrez. Os dois carros da Inter Europol não conseguiram inverter a situação, com o Oreca n.º 343 — de Georgios Kolovos, Kuba Smiechowski, Nick Cassidy e Nolan Siegel — a fechar o pódio da classe.

Foi um bom fim de semana para as cores lusas com a Algarve Pro Racing a triunfar, numa corrida que até nem começou bem, mas terminou da melhor forma. Já o #43 de AFC esteve sempre na luta e conseguiu o pódio, uma boa vingança face ao azar do ano passado.

Os campeões em título da United Autosports terminaram em quarto com o Oreca n.º 22, conduzido por Paul di Resta, Daniel Goldburg, Rasmus Lindh e Grégoire Saucy. A AO Racing, depois de liderar grande parte da prova, fechou o top-5, à frente dos Oreca da Bryan Herta Autosport with PR1/Mathiasen e da Intersport Racing.

Vários outros concorrentes sofreram problemas ao longo da corrida, incluindo o Oreca n.º 83, abandonado após um toque provocado por um Porsche 911 GT3 R Evo da Wright Motorsports, bem como o carro da Tower Motorsports, afetado por uma avaria na caixa de velocidades. Pratt Miller Motorsports e TDS Racing também ficaram fora de prova nas horas finais.

GTD / GTD Pro – Emoção até ao fim,

A Paul Miller Racing garantiu a vitória na classe GTD Pro das 24 Horas de Daytona ao vencer um intenso duelo estratégico com a 75 Express, oferecendo à BMW o seu primeiro triunfo nesta categoria na clássica prova norte-americana desde 2020. Na GTD, a Winward Racing saiu vencedora depois de uma batalha renhida e polémica com a Magnus Racing, numa fase final marcada por ultrapassagens no limite e contactos repetidos.

O BMW M4 GT3 EVO n.º 1 da Paul Miller Racing, partilhado por Connor De Phillippi, Dan Harper, Max Hesse e Neil Verhagen, impôs-se por apenas 2,223 segundos ao Mercedes-AMG GT3 Evo n.º 75 da 75 Express, conduzido por Kenny Habul, Will Power, Chaz Mostert e Maro Engel.

Engel parecia bem colocado para vencer depois de recuperar várias posições em pista, mas a última ronda de paragens revelou-se decisiva: a Paul Miller conseguiu devolver Harper à pista 13 segundos mais cedo do que a 75 Express, criando uma margem suficiente para resistir até ao final. O britânico teve ainda de poupar combustível e enfrentou a reta final sem comunicações por rádio, mas conseguiu segurar a liderança e assegurar o primeiro triunfo da BMW em Daytona desde 2020.

A 75 Express, apesar da derrota, protagonizou uma recuperação notável depois de ter perdido várias voltas nas fases iniciais devido a penalizações. O último lugar do pódio ficou para o Mercedes-AMG GT3 Evo n.º 48 da Winward Racing, tripulado por Scott Noble, Jason Hart, Maxime Martin e Luca Stolz.

A Corvette Racing parecia forte candidata ao triunfo durante grande parte da corrida, com os seus dois Chevrolet Corvette Z06 GT3.R a ocuparem as duas primeiras posições após a longa neutralização nocturna. Contudo, a equipa perdeu competitividade durante a manhã: o Corvette n.º 3 de Antonio García sofreu uma falha na suspensão traseira direita a pouco mais de cinco horas do final, perdendo cerca de 45 minutos. Mais tarde, nova neutralização — causada pela avaria terminal do Ford Mustang GT3 n.º 64 — apanhou o Corvette n.º 4 na liderança, mas a equipa perdeu tempo nas boxes face ao BMW vencedor. Um incidente com o Ferrari 296 GT3 Evo da Triarsi Competizione obrigou ainda Nico Varrone a sair de pista, levando a Corvette a adotar uma estratégia alternativa que resultou num quinto lugar final.

A Manthey alcançou um sólido top-5 na sua estreia no WeatherTech Championship com o Porsche 911 GT3 R n.º 911, enquanto a Pfaff Motorsports caiu de quarto para sexto com o Lamborghini Huracán GT3 Evo n.º 9. O Ford Mustang GT3 n.º 65 terminou em sétimo, à frente do Ferrari n.º 033 da Triarsi Competizione, último classificado na volta do vencedor.

Na classe GTD, a vitória sorriu ao Mercedes-AMG GT3 Evo n.º 57 da Winward Racing, de Philip Ellis, Russell Ward, Indy Dontje e Lucas Auer, após um duelo intenso com o Aston Martin Vantage GT3 Evo da Magnus Racing, conduzido por Nicki Thiim. Os dois carros trocaram posições e tocaram-se várias vezes na última hora, com Ellis a resistir até ao fim para triunfar por apenas 1,367 segundos. A par da luta pela vitória à geral, foi a luta que mais interessou os fãs pela intensidade e pelo incidente que quase arruinava a corrida de ambos com Ellis a tocar ligeiramente no Aston de Thiim, o que ia deitando por terra todo o esforço. Ambos escaparam ilesos e Ellis ainda recebeu um aviso por parte da direção de corrida.

Mais uma edição história das 24h de Daytona, com o maior período de Full Course Yellow de sempre e uma luta renhida entre a Porsche e a Cadillac, com a marca germânica a levar novamente a melhor e a elevar para 21 o número de triunfos nesta história corrida.

Resultados AQUI

Foto: Jake Galstad

Caro leitor, esta é uma mensagem importante.
O Autosport já não existe em versão papel, apenas na versão online.
E por essa razão, não é mais possível o Autosport continuar a disponibilizar todos os seus artigos gratuitamente.
Para que os leitores possam contribuir para a existência e evolução da qualidade do seu site preferido, criámos o Clube Autosport com inúmeras vantagens e descontos que permitirá a cada membro aceder a todos os artigos do site Autosport e ainda recuperar (varias vezes) o custo de ser membro.
Os membros do Clube Autosport receberão um cartão de membro com validade de 1 ano, que apresentarão junto das empresas parceiras como identificação.
Lista de Vantagens:
-Acesso a todos os conteúdos no site Autosport sem ter que ver a publicidade
-Desconto nos combustíveis Repsol
-Acesso a seguros especialmente desenvolvidos pela Vitorinos seguros a preços imbatíveis
-Descontos em oficinas, lojas e serviços auto
-Acesso exclusivo a eventos especialmente organizados para membros
Saiba mais AQUI

Deixe aqui o seu comentário

últimas IMSA
últimas Autosport
imsa
últimas Automais
imsa
Ativar notificações? Sim Não, obrigado