Memória: Lada Niva, o Todo o terreno das massas
Muitas pessoas olham para o Lada Niva com algum preconceito, pois o estilo não é o mais agradável e há muitas histórias – algumas verdadeiras – sobre as suas incapacidades. Porém, este pequeno todo-o-terreno fabricado pela Auto VAZ da Rússia, é criador de algumas inovações hoje banalizadas pelos grandes construtores. Sabia que o Lada Niva foi dos primeiros veículos de todo-o-terreno a apostar numa carroçaria monobloco? E que na sua forma caraterística,
foi o antecessor dos actuais “crossover”? E que em muitos mercados e em alguns meios de comunicação social era chamado de “Range Rover Russo”?
O Niva foi o primeiro modelo da Lada (VAZ/AutoVAZ) que não era um… Fiat. É verdade que a mecânica era do construtor italiano, mas a carroçaria e o sistema de transmissão são desenhos da Lada. A produção deste pequeno e robusto todo-o-terreno começou em 1977 e mantém-se até aos nossos dias, recebendo o modelo ligeiros retoques para o colocar um pouco mais moderno. Continua em produção ininterrupta desde 1977, e comemorou no ano que agora terminou, 40 anos de existência, com duas edições especiais do modelo, que é um verdadeiro veículo de culto.
Na sua forma básica, o Niva tinha um motor de 1.6 litros a carburadores com 72 CV e caixa manual de 4 ou 5 velocidades, acoplada a uma tracção integral permanente. Não há cubos e a caixa de transferências, apesar do horrível gemido que faz, pode ser ligada em andamento. Claro está que com este motor, o Niva não ia além dos 130 km/h, consumindo gasolina a um ritmo de 8,25 litros a cada 100 quilómetros. Abandonado aquele bloco Fiat (oriundo dos Fiat 124/125), surgiu no Niva um motor de 1.7 litros fornecido pela General Motors. Para alguns mercados europeus ávidos de gasóleo, a Lada lançou o Niva com um bloco 1.9 litros de origem Peugeot.
Outra curiosidade do Niva residia no facto das suspensões serem de molas helicoidais, apesar de manter o eixo rígido atrás (independente na frente). A sua vocação fora de estrada é evidente na altura ao solo generosa de 235 mm, na passagem a vau de 510 mm e ângulos de desempenho assinaláveis, pois as rodas estão colocadas aos cantos da carroçaria. Os travões eram um dos problemas do Niva, pois o sistema misto discos/-tambores não é muito fiável nem eficaz e, nas travagens mais violentas, a traseira quase sempre ‘ganhava vida’.
Felizmente o Niva tem um centro de gravidade muito bom e um desempenho em curva acima das expetativas. O Lada ficou conhecido no Brasil pelas réplicas feitas pela Gurgel e pela Envemo, tendo mesmo sido dos mais vendidos durante anos seguidos. Hoje é apenas uma miragem pata os europeus, pois o modelo
continua em construção, mas quase exclusivamente para o mercado interno e paises da ex-União Soviética. É pena, pois o Lada Niva é um carro bem interessante, mesmo que anacrónico para os padrões actuais. O seu valor de retoma é muito baixo, mas a grande dificuldade mesmo é encontrar algum
que tenha sobrevivido em razoável estado e com protecção à corrosão, pois este era outro grande problema no Niva.
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João Pereira
3 Janeiro, 2018 at 20:13
Algumas peças da carroçaria são também de origem FIAT (127), como o capôt dianteiro, portas e arco do pára brisas.
Quanto ao consumo da versão a gasolina, o AS é muito optimista, porque um amigo meu teve um, e raramente descia dos 15 litros aos 100.