Lucas Moraes: “Senna é uma enorme inspiração. Não só pelo talento, mas pela mentalidade e intensidade”
Novo campeão mundial de Rally-Raid enfrenta novo desafio na Dacia Sandriders
Lucas Moraes, que se tornou recentemente o primeiro brasileiro campeão mundial de Rally-Raid (W2RC) à geral e na categoria Ultimate, conquistando o título após uma temporada marcada por quatro pódios consecutivos e uma luta intensa, assumiu que ainda está a assimilar a dimensão da vitória. A sua grande consistência e espírito de nunca desistir foram decisivos para este feito histórico.

A vitória decisiva no Rally Raid de Portugal, quando seguiu a sua intuição em vez das ordens da equipa, refletiu a sua filosofia de correr sempre em busca da oportunidade enquanto exista hipótese no campeonato, algo com que Toyota concordou e apoiou plenamente.
Agora, o piloto enfrenta um novo capítulo na Dacia Sandriders, onde integrará uma equipa de alto nível com nomes como Nasser Al Attiyah e Sébastien Loeb. Escolheu Dennis Zenz como novo navegador, valorizando a sua disciplina e experiência para manter a consistência durante o campeonato.
Moraes sabe que o desafio será enorme, mas vê a forte concorrência, dentro e fora da equipa, como o motor para evoluir rapidamente, adaptar-se ao novo carro e lutar pelas vitórias desde o início da temporada 2026.

Em entrevista ao site oficial do W2RC, Lucas Moraes antevê “uma enorme competição, tanto dentro como fora da equipa”, mas garante estar pronto para o desafio.
Lucas, como é que está a digerir o título mundial, passado algum tempo?
“Sinceramente, ainda é difícil de acreditar. A temporada não começou como previsto no Dakar, mas continuamos a lutar em todas as provas, conquistando quatro pódios consecutivos. Ganhar o campeonato mundial foi fruto de consistência, trabalho de equipa e nunca desistir – mesmo quando as coisas ficaram complicadas. Olhando agora para trás, parece que tudo o que aconteceu tinha de ser mesmo assim. Foi simplesmente perfeito.”
Como referiste, “Mesmo o melhor argumentista do mundo nunca escreveria este final”. Como viveste esse momento?
“Foi pura emoção. Em 30 minutos passei por todos os sentimentos possíveis — frustração e raiva por pensar que tínhamos perdido, depois, alegria absoluta. Os últimos cinco quilómetros foram uma loucura, mas é isso o rally raid: imprevisível até ao fim. Quando terminou, só pensei ‘conseguimos… de alguma forma’. Este tipo de desfecho não se planeia — simplesmente acontece.”
A vitória no bp Ultimate Rally Raid Portugal foi estratégica para o título, preferiste seguir o instinto em vez das ordens da equipa. Podes explicar essa decisão?
“Foi sem dúvida um momento difícil. Respeito integralmente a equipa, tivemos uma ótima conversa depois e também compreenderam. No fundo senti que tinha de correr porque ainda estava na luta pelo campeonato. Sempre acreditei que, enquanto houver uma hipótese de lutar, temos de a aproveitar. Não foi contra ninguém — foi apenas ser fiel a mim próprio, e a Toyota entendeu, dando um apoio incrível na última prova em Marrocos.”

Sabes aquela frase famosa: “Se deixarmos de arriscar quando há espaço, deixamos de ser pilotos”. Foi um pouco isto?
“Exatamente. Essa citação diz tudo. Se deixamos de procurar oportunidades, perdemos o que nos faz pilotos. Claro que, se já não estivesse a lutar pelo campeonato, a abordagem seria outra. Mas, como disse, está tudo resolvido e seguimos em frente.”
Assistimos a muita emoção durante os teus sucessos, em Portugal e também em Marrocos. De onde vem isso?
“Vem da paixão, de anos de trabalho e sacrifício. Quando finalmente se vence a este nível, recordam-se todas as dificuldades, dúvidas e pessoas que apoiaram. As emoções são reais porque sabemos o quanto custou chegar aqui.”
Brasileiros como Ayrton Senna escreveram páginas memoráveis da história do automobilismo… Ele é uma inspiração para ti?
“Senna é uma enorme inspiração. Não só pelo talento, mas pela mentalidade e intensidade. Para qualquer piloto brasileiro, ser mencionado ao lado do nome dele é especial. Lembra-nos que temos de continuar o legado e que o automobilismo é muito mais do que apenas conduzir rápido.”

A grande novidade foi que deixaste a Toyota Gazoo Racing para te juntares à Dacia Sandriders. Porquê esta escolha?
“A Toyota foi um capítulo incrível na minha carreira e serei sempre grato pela oportunidade que me deram. Ao mesmo tempo, senti que era hora de enfrentar um novo desafio — crescer, evoluir num ambiente diferente. A Dacia tem grandes ambições e o projeto entusiasma-me. É a decisão certa para aquilo que procuro. Cada grande mudança traz incerteza, mas se queremos alcançar feitos verdadeiros, temos de correr riscos. Aprendi que as maiores oportunidades surgem quando ainda não estamos totalmente preparados. Vai exigir muito trabalho e dedicação, mas é nestes momentos que podemos realmente dar o salto.”
Terás também um novo navegador, Dennis Zenz. Porquê esta escolha?
“Com o Armand tive grandes momentos, aprendi imenso e vencemos bastante. Optar pelo Dennis foi uma decisão baseada na disciplina, ética e experiência. Conectámo-nos rapidamente e acreditamos que pode contribuir muito para a nossa performance, especialmente na consistência necessária para vencer um campeonato longo.”
Quais são as expectativas para esta primeira época na Dacia, com um novo carro e companheiros como Sébastien Loeb e Nasser Al Attiyah?
“Vai ser um ano imenso. Sei que a competição — dentro e fora da equipa — será gigante, mas é isso que nos faz evoluir. O objetivo é aprender rápido, adaptar-me ao carro novo e lutar por vitórias o mais depressa possível. Estamos prontos para isso.”

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