Quem é Lucas Moraes, o brasileiro que brilha no Dakar?
Lucas Moraes/Timo Gottschalk (Toyota Hilux Overdrive) estão a fazer um excelente Dakar e são muito poucos os que acreditavam que nesta fase da prova pudesse ser terceiro da geral.
É verdade que tem ao lado um grande navegador, Timo Gottschalk, vencedor do Dakar 2011 ao lado de nasser Al Attiyah, mas a surpresa advém do jovem brasileiro ser terceiro no ano em que participa pela primeira vez na grande maratona.
A Red Bull já lhe ‘tirou as medidas’, assinou com ele um acordo de patrocínio e depois de ganhar duas vezes a Taça Mitsubishi, a maior competição deste tipo de provas na América do Sul, Lucas Moraes ganhou três vezes o campeonato nacional brasileiro e a corrida mais difícil da América do Sul, o Rally dos Sertões duas vezes, primeiro em 2019 e depois este ano com o Toyota Overdrive.
Com um palmarés destes, competir fora da América do Sul era inevitável. Foi terceiro na Baja de Portalegre 500 de 2021, atrás de Krzysztof Holowczyc e Tiago Reis, em 2022, esteve bem na Baja Aragon, terminando em terceiro lugar, atrás de Nasser Al Attiyah e Yazeed Al-Rajhi, mas faltava-lhe a experiência de corrida no deserto, uma situação que foi parcialmente corrigida ao participar na recente Baja do Dubai ao lado de Timo Gottschalk.
E Lucas Moraes, apesar de nunca ter corrido no deserto, esteve bem, aprendeu o que precisava para o Dakar onde chegou com ambições ‘curtas’: “Obviamente, como qualquer novato de Dakar, o meu principal objectivo é ‘apenas’ terminar. Este tem sido o meu grande sonho desde que comecei a correr e não o quero estragar. Se pudéssemos terminar no top 15, isso seria espantoso. Eu disse ao Timo que seria bom se pudéssemos terminar uma etapa no top 10. Ele foi um pouco céptico, mas desde a Baja do Dubai, ele pensa que é uma ambição não irracional. Claramente, para mim Timo é uma peça chave do puzzle do Dakar. Ele navegou por tantos condutores de topo, Nasser, Przygonski, Yazeed, Sainz… e pode ensinar-me tanto sobre condução nas dunas” disse Lucas Moraes antes da prova.
Começaram em 12º e só em dois dias não ganharam posições. Na 5ª etapa e na sétima, mas sendo terceiro é difícil pedir mais ao jovem brasileiro, de 32 anos.
Tendo em conta a oposição e um autêntico brilharete o que tem feito Lucas Moraes: “Estou a aprender mais a cada dia. E encaro cada dia como um novo desafio a ser superado.
O Dakar não é apenas difícil tecnicamente, é também extenuante, longo e perigoso.
Basta ver a quantidade de quebras, acidentes e abandonos em todas as categorias.
Tem que se respeitar, mas ao mesmo tempo tem também de se encarar de verdade o desafio. Não é uma fórmula fácil de resolver”, diz, contando depois uma história curiosa:
“Num dos dias consegui ter duas aulas importantes. Cerca do km 100 da especial, eu consegui ir atrás do Mattias Ekstrom (Audi), que é bem rápido; fui seguindo e observando a técnica, vendo o que eu poderia adaptar à minha pilotagem. De seguida, consegui colar no Nasser (Al-Attiyah) e consegui segui-lo por uns 30 ou 40 km até chegar a uma zona que levantava muita poeira. Então, por segurança, decidi abortar a estratégia. Mas foram momentos muito proveitosos para mim. Estou feliz, porque estamos a evoluir dia a dia”, disse. Quanto ao momento que está a viver, Lucas Moraes é cauteloso: “É incrível estarmos no terceiro lugar na classificação geral. O Dakar reúne as melhores duplas do mundo. Nem sei o que dizer pra dizer a verdade.
Estrear fazendo um bom papel sempre foi o que sonhei. Está a acontecer, mas o rali está longe do fim. E o Dakar é imprevisível. A única maneira de seguir em frente é continuar mantendo o foco, trabalhar bastante e respeitar o desafio. Senão, ele te engole…”.
O melhor resultado final de um brasileiro no Dakar é o oitavo lugar de Klever Kolberg em 2002, a bordo de um Mitsubishi Pajero e com o francês Pascal Larroque como navegador.

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