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Nasser al Attiyah ganha o seu 5º Rali Dakar, 3ª vitória da Toyota

José Luis Abreu by José Luis Abreu
15 Janeiro, 2023
in DAKAR, Destaque Homepage, Newsletter, Newsletter destaque, TT
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Nasser al Attiyah ganha o seu 5º Rali Dakar, 3ª vitória da Toyota

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O que já se desenhava há algum tempo confirmou-se: Nasser al Attiyah ganha o seu 5º Rali Dakar, naquela que é a 3ª vitória da Toyota, todas com o piloto do Qatar. Uma prova em que o binómio piloto/carro estiveram quase perfeitos, saíram incólumes da terrível segunda etapa e sem nunca cometer exageros o piloto que chegou à liderança apenas na Etapa 3, não mais perdeu a posição, consolidando o seu avanço à mesma medida que os adversários baqueavam atrás de si, fruto de uma grande demonstração de bom andamento aliado a uma consistência inigualável, e uma máquina que continua destacada da concorrência, tanto em fiabilidade como rapidez. 

Sébastien Loeb (BRX Hunter) repete o segundo lugar de 2022, terminando a prova a uma distância bem menor do que a que perdeu na fatídica etapa 2, quando furou três vezes, ficou sem rodas e teve de esperar por ajuda. Problemas, todos têm, mas furar três vezes e perder quase hora e meia costuma ser um momento decisivo e foi-o para o francês, que recuperou, chegou ao segundo lugar, mas tem que adiar mais uma vez o triunfo no Dakar. Seja como for, o francês provou que está pronto para vencer a prova, e o mesmo se pode dizer do BRX Hunter, mesmo que não nos possamos esquecer que na segunda semana de prova, em que Loeb venceu quase tudo, al Attiyah só precisava de controlar o andamento e fugir das armadilhas. Até hoje, não sabemos como seria a luta em confronto direto. Talvez para o ano…

Sébastien Loeb bateu um enorme recorde nesta prova ao vencer seis etapas de forma consecutiva, um recorde que fica para a história, entrando também diretamente para o top de pilotos com mais etapas ganhas num só Dakar, cuja liderança continua nas mãos de Pierre Lartigue, que em 1994 venceu 10 tiradas.

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Espetacular terceiro lugar para o rookie brasileiro Lucas Moraes que com o experiente navegador Timo Gottschalk (Toyota Hilux Overdrive) fizeram um excelente Dakar, com o piloto a ser premiado com um fantástico pódio na estreia na prova. É verdade que existiram mais abandonos/atrasos do que era normal, mas também existiam muito mais duplas com condições para terminar na posição, mas foi o brasileiro que com um condução rápida e globalmente isenta de erros, fez história no Dakar. 

Depois de vencer três vezes o campeonato nacional brasileiro e a corrida mais difícil da América do Sul, o Rally dos Sertões duas vezes, brilhou a grande altura no Dakar, ele que também já mostrou em Portugal a sua categoria ao ser terceiro na Baja de Portalegre 500 de 2021, atrás de Krzysztof Holowczyc e Tiago Reis.

Giniel de Villiers foi quarto e mantém o seu incrível registo no Dakar, agora de 20 presenças consecutivas no Dakar desde 2003, sem um único abandono, sendo este quarto lugar o seu melhor resultado desde 2018. Esta prova, mais dura, beneficiava o seu estilo, daí o quarto lugar, mas há muito que anda a aproveitar os que os outros não conseguem obter, pois já lhe falta andamento para o fazer em velocidade. O melhor que fez em etapas foi um quarto lugar.Henk Lategan, sul africano, piloto oficial da Toyota Gazoo Racing, chega ao quinto no seu terceiro Dakar. Está a ser formado no seio da equipa, e dentro de algum tempo deverá ocupar o lugar que agora detém Giniel de Villiers, como número 2 da equipa.
Este foi o seu terceiro Dakar, é rápido, mas tem muito que aprender. Este ano teve apenas ‘retrocesso’ na sua evolução e aprendizagem, quando na etapa 12 capotou e perdeu meia hora, quando se estava a aproximar do pódio. Caiu para quinto e por aí ficou.

Martin Prokop foi sexto classificado e repete 2019. No seu oitavo Dakar, e depois das coisas não lhe terem corrido nada bem o ano passado, a sua equipa pequena com grande ambições voltou a obter um bom resultado com a Ford Raptor RS T1+ fazendo uma prova muito cautelosa. apanharam um grande susto na etapa 13 onde tiveram problemas com o diferencial, podia ter sido ‘fatal’, perderam 40 minutos mas resolveram o problema e mantiveram o sexto lugar.

Outra boa surpresa é o sétimo lugar do piloto argentino Juan Cruz Yacopini que apenas no seu terceiro Dakar alcança uma classificação de relevo. Com o experiente navegador Dani Oliveras Carreras ao lado e numa Toyota Hilux da Overdrive, parece ter já concluído a sua aprendizagem a este nível, e realizaram uma prova muito consistente. Começaram no 38º lugar, mas com uma única exceção, foi sempre a subir ou manter, posições nas restantes 13 etapas.
Sebastian Halpern foi oitavo o ano passado, repetiu o nono lugar que obteve em 2019.
Na estreia com o Mini JCW Plus da X-Raid, o carro teve alguns prolbemas e a prova foi de descoberta. Ainda assim, um top 10 foi positivo para o piloto argentino.
Já Guerlain Chicherit (BRX Hunter T1+ GCK Motorsport) foi 10º, um resultado mau face à expetativa.
O francês é daqueles pilotos impulsivos de tudo ou nada, e teve problemas logo na etapa 2. Tinha fundadas esperanças de um bom resultado, mas teve muitos problemas, furos na etapa 2 que o atrasou imenso, caindo para o 76º lugar. Recuperou até ao top 10, mas nesta sua segunda vida no Dakar enferma dos mesmos males que na primeira, 11 Dakar, cinco abandonos, quase metade. Três deles nas últimas quatro participações. Não é um piloto para o Dakar. Especialmente para quem dizia que queria dar a si próprio uma hipótese de vencer a prova. É que nem em sonhos…

Audi pior que em 2022
Mattias Ekstrom (Audi Team Audi Sport), foi o único Audi a terminar a prova. Foi 13º.
Estreou-se no Dakar em 2021 com um SSV T3, abandonou, o ano passado surgiu integrado no projeto Audi, terminando o Dakar em nono, vencendo uma etapa pelo meio. Tem ainda muito caminho a fazer no Dakar. Rapidez não lhe falta, mas sim consistência. Este ano e quando já era o único Audi em prova, capotou na etapa 7 quando era quinto da geral e acabou com as já poucas hipóteses da Audi conseguir um bom resultado este ano. Caiu para 35º, recuperou até 13º, um resultado bem pior que no ano de estreia da Audi.
Aí, era desculpável, este ano foram passos maiores que a ‘perna’. Três carros perdidos ou muito atrasados por acidentes é ‘tentar’ demasiado.
Yazeed Al Rajhi (Toyota Hilux T1+, Overdrive Racing), estreou-se no Dakar em 2015, foi melhorando de ano para ano, em 2017 foi 7º com a Mini, no ano seguinte 4º com a Toyota, o ano passado terceiro. Fez-se um belo piloto no Dakar, é muito consistente e alia isso a rapidez, mas este foi um ano-não.
O saudita estava novamente na senda de um bom resultado, era segundo no final da etapa 3, caiu para terceiro na etapa 5 atrás de Peterhansel, mas na sexta foi um dos muitos que teve contratempos mecânicos, e com isso atrasou-se muito. Entre tantas Toyota, alguma há-de avariar. Calhou a al Rajhi.
Orlando Terranova (Bahrain Raid Xtreme), sonhava melhorar o quarto lugar de 2022, tinha carro para isso, mas cedo as suas esperanças foram ao fundo. Na etapa 3, quatro furos, no quilómetro 60, já não tinha pneus, caiu de quinto para o 20º lugar e no dia seguinte, algo ainda pior: regressou mais cedo ao bivouac com uma dor nas costas após uma grande aterragem no dia anterior, a dor voltou em maior grau, foi visto pelos médicos e aconselhado a abandonar.
Esperava-se muito de Kuba Przygonski (X-Raid MINI JCW Team), mas o novo Mini JCW Plus era uma incógnita e pelo que se vê dos resultados, há ainda muito caminho pela frente para o carro ser competitivo, apesar de alguns bons sinais.
Kuba teve problemas mecânicos no carro logo na etapa 2, caiu para o 117º lugar, depois na etapa 4 sofreu com os amortecedores, e por isso, depois, só lhe restou testar, rodar, e alcançar os melhores resultados possíveis em etapas, fez dois quintos, dois sextos e um sétimo, na segunda metade da prova, resultados que não dizem o mesmo do que se fossem obtidos na primeira semana onde toda a gente anda mais depressa.
Na segunda, já andou tudo a olhar para o final da prova e o aspeto mais positivo foi o carro não ter apresentado outros problemas de maior.
Quanto a Stéphane Peterhansel e Carlos Sainz, o ano passado na estreia do Audi, perderam muito tempo, muito cedo na prova, deixou-os logo muito atrás, este ano a Audi durou até à etapa 5, quando Peterhansel era segundo a 20 minutos da frente e Sainz quarto pouco mais de meia hora. O francês desistiu na etapa 6 e Sainz teve um acidente que o fez perder…um dia, acabando por desistir mais à frente devido a novo acidente.
Os veteranos estão a ficar velhos para isto? Provavelmente, como é lógico a idade não perdoa, mas como sucede com muitos atletas, apesar da idade o que trazem de bom sobrepõe-se na maior parte das vezes ao menos bom, e a verdade é que se a Audi não lhes tem acenando com este projeto, se calhar já não corriam os dois.
Seja como for, em condições normais, sem os ‘azares’, provavelmente iriam obter um bom resultado, mas convém não esquecer que Peterhansel ganhou em 2021 e em dois anos não se perdem todas as faculdades, embora se possam perder algumas. Daí para cá o projeto Audi parece bom na teoria mas os resultados, passados dois anos, ainda não apareceram.
Quanto a Carlos Sainz, venceu em 2020, foi terceiro em 2021, e com a Audi, algo semelhante a Peterhansel. Bom andamento, mas nada de resultados. Vamos ver se voltam para o ano, Sainz acreditamos que sim, Peterhansel, já duvidamos mais, até pelo susto que atirou com Edouard Boulanger para o hospital.

Mais info assim que possível.

Classificação Online – CLIQUE AQUI

Tags: DakarNasser Al AttiyahToyota
José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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