Dakar, Etapa 9 – SSV: Chaleco Lopez vence, João Monteiro mantém-se no pódio

Por a 13 Janeiro 2026 15:16

Francisco “Chaleco” Lopez Contardo / Álvaro Leon Brp Can-Am Maverick R venceram a etapa 9 do Dakar 2026, a primeira metade da etapa maratona, decidida no final, depois de uma luta intensa entre Johan Kristoffersson / Ola Floene (Polaris Rzr Pro R) e Alexandre Pinto / Bernardo Oliveira  (Polaris Rzr Pro R Sport) que, infelizmente, não sorriu ao português. Pinto perdeu muito tempo já perto do fim e ficou assim arredado das primeiras posições.

Hunter Miller / Jeremy Gray (Brp Can-Am Maverick R) completou o pódio desta etapa, com Kyle Chaney / Jacob Argubright  (Brp Can-Am Maverick R) e Xavier De Soultrait / Martin Bonnet (Polaris Rzr Pro R) no top 5, à frente dos líderes da competição nos SSV, Brock Heger / Max Eddy  (Polaris Rzr Pro R).

O filme da etapa

Brock Heger já com quatro vitórias neste Dakar, voltou a ser figura central do dia, ainda que desta vez tenha cedido o protagonismo da especial a outros nomes, enquanto consolidava discretamente uma liderança. Ao mesmo tempo, os portugueses voltaram a entrar na narrativa, com João Monteiro / Nuno Morais (Brp Can-Am Maverick R) a manterem-se no top 3 da geral e Alexandre Pinto a passar de potencial herói da etapa a vítima da dureza do traçado nos derradeiros quilómetros.

À partida para esta 9.ª etapa, o cenário era claro: Heger liderava confortavelmente a geral dos SSV, com uma vantagem próxima dos 47 minutos, construída à base de vitórias fortes e de uma consistência quase inabalável. Logo atrás, João Monteiro assumira o estatuto de principal perseguidor, subindo a segundo da geral e empurrando o seu colega de equipa Kyle Chaney para terceiro, já a mais de 51 minutos do norte‑americano. Xavier de Soultrait, que tinha passado a primeira semana à espreita de um deslize de Heger, entrava para a jornada marcado por um rosário de contratempos.

O arranque da especial sugeria mais um dia em que Heger poderia esticar a corda. Ao primeiro ponto intermédio, aos 41 km, o campeão em título assinou o melhor tempo provisório, com João Monteiro logo ali, a apenas seis segundos, e Johan Kristoffersson a dez, num trio que mantinha o grupo dos SSV compactado e em ritmo elevado.

A meio da especial, porém, o guião começou a mudar ligeiramente para o lado do norte‑americano. Heger deixava de liderar e era Johan Kristoffersson a tomar a dianteira, num momento simbólico para o sueco, que está a descobrir o Dakar após anos a dominar o Mundial de Rallycross. Em estreia absoluta no deserto, Kristoffersson tinha demorado alguns dias a adaptar-se, mas a quarta posição conseguida na véspera já anunciava a ascensão; agora, confirmava essa tendência com o melhor tempo, sete segundos à frente de Xavier de Soultrait aos 78 km, posição que manteve aos 115 km, já com Jeremias Gonzalez Ferioli / Gonzalo Rinaldi (Brp Can-Am Maverick R) e Miller na perseguição.

O equilíbrio, no entanto, não dava tréguas. A etapa transformou-se rapidamente numa dança de líderes: Heger retomou o comando da especial à passagem pelos 222 km, depois de uma sequência em que o topo dos tempos foi alternando entre ele, Kristoffersson e Ferioli. Nessa fase, a organização classificou esta 9.ª etapa como a mais disputada do Dakar 2026 na categoria SSV, e os números justificavam a afirmação: Heger regressava ao primeiro lugar, mas tinha Miller a apenas 19 segundos, Ferioli a 22 e Kristoffersson a 37, num top‑4 incrivelmente compacto para uma especial longa, em plena maratona, e com todos já a acusarem o desgaste acumulado.

Foi então que apareceu em força um outro português: Alexandre Pinto. Longe do top‑5 durante boa parte do dia, o campeão do mundo W2RC na classe começou a construir, na segunda metade da especial, aquilo que parecia ser a história da sua consagração neste Dakar. Trecho a trecho, Pinto foi sendo o mais rápido em pista, escalando a classificação até assumir a liderança da etapa após os 309 km, à frente de um já muito sólido Kristoffersson, a dez segundos, e de Hunter Miller, a 27. Heger, por seu lado, mantinha-se em andamento controlado, a um quarto de hora do melhor tempo, claramente mais focado em proteger a vantagem gigantesca na geral.

Os quilómetros finais, no entanto, foram cruéis para o português. Numa fase em que tudo apontava para uma vitória de etapa carregada de simbolismo, Alexandre Pinto perdeu muito tempo já perto da chegada. Abriu-se o espaço para um desfecho tão intenso quanto inesperado. Johan Kristoffersson ainda chegou a recuperar a liderança, alimentando o sonho de uma primeira vitória em especiais logo no seu primeiro Dakar. Porém, o golpe final veio de um homem bem mais batido neste terreno: Francisco “Chaleco” López. Sempre à espreita, o chileno aproximou-se nos derradeiros quilómetros e acabou por ser ele a fechar o dia no topo, batendo Kristoffersson por meros 33 segundos, num final em que o cronómetro voltou a ser juiz implacável.

No plano da classificação geral, o essencial permanece inalterado: Heger sai desta etapa‑maratona ainda mais sólido na frente, com uma vantagem que ronda os 44 minutos sobre Chaney. João Monteiro está no terceiro lugar, mantendo viva a esperança portuguesa de um pódio final nos SSV e reforçando a imagem de consistência que o levou à vice‑liderança. Já Kristoffersson, com mais uma exibição de alto nível e um segundo lugar de etapa por margem mínima, confirma que chegou para ficar entre os protagonistas.

Helder Rodrigues / Gonçalo Reis   (Polaris Rzr Pro R Sport) foram os sétimos mais rápidos nesta etapa, à frente de Monteiro (10º no dia de hoje). Enquanto ainda aguardamos pela chegada de Pinto, de João Dias / Daniel Jordão  (Polaris Rzr Pro R Sport) e de Bruno Martins / Eurico Adão (Polaris Rzr Pro R Sport).

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Foto: Dakar

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