Dakar, Etapa 11: Ekström domina, Henk Lategan fora da luta pela vitória

Por a 15 Janeiro 2026 12:19

A 11.ª etapa do Dakar 2026, que ligou Bisha a Al Henakiyah ao longo de 882 km (346 cronometrados), prometia ser uma das mais rápidas do ano em termos de velocidade média, mas foi a navegação — e não o terreno — que acabou por ditar as diferenças. Num traçado composto maioritariamente por pistas de terra (83%), a organização alertara desde cedo para o perigo das inúmeras intersecções, cruzamentos e bifurcações que transformariam a especial num verdadeiro labirinto mental.

Mattias Ekström / Emil Bergkvistb (Ford Raptor/Ford Racing) rubricaram uma etapa imperial dominando de início ao fim, numa exibição de força da dupla d Ford. Na segunda posição desta etapa, Romain Dumas / Alexandre Winoco (Ford Raptor). O homem dos sete ofícios do motorsport subiu ao pódio de uma etapa, em mais uma prova da sua enorme versatilidade. A fechar o top 3, mais um Ford, desta vez tripulado por Carlos Sainz / Lucas Cruz (Ford Raptor/Ford Racing). João Ferreira / Filipe Palmeiro Toyota (Hilux Imt Evo) foram os quartos mais rápidos, a apenas 3min27 seg. do melhor tempo, com Seth Quintero / Andrew Short (Toyota Hilux Gr/Toyota Gazoo Racing W2rc) a completar o top 5.

Para Henk Lategan / Brett Cummings (Toyota Hilux Gr/Gazoo Racing W2RC), a jornada transformou-se numa catástrofe que o afastou definitivamente da luta pelo título e para Nasser Al-Attiyah / Fabian Lurquin (Dacia Sandrider/The Dacia Sandriders), um dia de gestão inteligente permitiu que mantivesse a sua posição de comando a duas etapas do fim.

O filme da etapa

À partida, a classificação geral mantinha-se incrivelmente compacta no topo: Al-Attiyah liderava com 12 minutos sobre Lategan e 12m50s sobre Nani Roma / Alex Haro Ford Raptor/Ford Racing), enquanto Sébastien Loeb / Edouard Boulanger (Dacia Sandrider/The Dacia Sandriders) espreitava em quarto, a 23m04s. Mathieu Serradori, vencedor na véspera e responsável pela primeira vitória de sempre de um Century CR7, largou como primeiro a abrir caminho, ainda a saborear o triunfo que, nas suas próprias palavras, valera “como se tivesse ganho o Dakar”.

Logo aos primeiros 43 km, ficou claro que a etapa seria extremamente rápida e disputada. Henk Lategan começava bem e ganhava 37 segundos a Al-Attiyah, num arranque que sugeria que o sul-africano estava disposto a atacar para recuperar terreno na geral. Os 12 primeiros classificados estavam separados por menos de um minuto, um reflexo do ritmo frenético imposto desde o início. Porém, com muitos candidatos à vitória a partirem muito mais tarde — entre eles Carlos Sainz, Ekström, Guillaume de Mévius e Eryk Goczał —, os tempos provisórios exigiam cautela na análise.

Ekström, que arrancara na 19.ª posição, assumia o comando desde o início, colocando 37 segundos no colega de equipa Sainz ao km 84. Lategan mantinha-se na discussão, na quarta posiçã, numa etapa que começava bem. Mas aos 140 km, o pesadelo começou para o piloto da Toyota: Lategan parou em pista e permaneceu imobilizado durante longos minutos que rapidamente se transformaram em meia hora, depois em uma hora e, eventualmente, em cerca de 1h40. A paragem custou-lhe não apenas preciosos minutos na etapa, mas também qualquer hipótese realista de lutar pelo título, numa reviravolta cruel para quem tinha sido vice-campeão no ano anterior e ocupava solidamente o segundo lugar da geral. O azar voltou a atacar Lategan desta vez roubando qualquer hipótese de vencer a prova.

Enquanto isso, na frente, Ekström confirmava a sua superioridade. Aos 120 km liderava com 1m14s sobre Sainz, aos 156 km ampliava a vantagem para 2m30s sobre o espanhol, enquanto Saood Variawa surgia em segundo provisório, com Romain Dumas — ao volante do seu Ford Raptor privado nas suas próprias cores — a intrometer-se no grupo da frente. Aos 190 km, configurava-se mesmo uma tripla Ford no topo: Ekström à frente, Dumas em segundo a 1m50s, e Sainz em terceiro a 2m20s, numa demonstração de força da marca americana que contrastava com as dificuldades de Lategan e, em menor grau, com a gestão prudente de Al-Attiyah.

Aos 241 km, com pouco mais de 100 km para a meta, Ekström mantinha-se sólido na frente, com 2m21s sobre Dumas e 2m56s sobre Sainz. Sébastien Loeb, que completara a etapa e estabelecera o primeiro tempo de referência do dia, aguardava agora pelos seus perseguidores para conhecer a hierarquia final. Romain Dumas, tricampeão das 24 Horas de Le Mans e detentor do recorde de Pikes Peak, confirmava aos 47 anos que também tem o que é preciso para brilhar nos rally-raids, mantendo-se como melhor piloto privado e preparando-se para o que seria o seu primeiro pódio de etapa no Dakar.

No final, Mattias Ekström entregou uma exibição perfeita. O sueco liderou a especial de ponta a ponta, resistiu à pressão de Dumas e cruzou a linha de chegada com 1m22s de vantagem sobre o francês, assinando a sua terceira vitória da edição e a oitava da carreira no Dakar. Para Dumas, foi a concretização de um marco pessoal: depois de cinco quintos lugares como melhor resultado, conquistou finalmente o seu primeiro pódio de etapa, recompensa justa para um piloto que, aos comandos de um Raptor privado, provou estar ao nível dos melhores.

Na classificação geral, o impacto foi significativo. Nasser Al-Attiyah perdeu mais de quatro minutos para Nani Roma, vendo a sua vantagem encolher de 12m50s para 8m40s, mas o qatari mantém o comando com relativa tranquilidade. Roma subiu a segundo após os problemas de Lategan, enquanto Loeb ascendeu ao terceiro lugar do pódio provisório, agora a 18m37s do líder. Lategan, que finalmente retomou a marcha após quase duas horas parado, viu o sonho do título desmoronar-se num único dia, vítima de uma avaria mecânica que o atirou para fora da discussão pelo topo. Com três etapas ainda por disputar, a luta pelo título ganhou novos contornos: Al-Attiyah mantém-se favorito, mas Roma aproximou-se perigosamente e Loeb mantém viva a esperança de um improvável assalto ao pódio. Para Ekström e Sainz, ambos agora no top-5, a missão passa por continuar a somar vitórias e a aproveitar qualquer deslize dos da frente, numa reta final que promete ser tão implacável quanto esta 11.ª etapa o foi para Henk Lategan.

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