Challenger e SSV ganham peso no Dakar 2026: duplas lusas entre os favoritos
Os veículos ligeiros voltam a assumir um papel central no Dakar 2026, afirmando-se como a opção preferencial para muitas equipas que procuram combinar aventura no deserto com reais hipóteses de lutar por vitórias. Nos Challenger e SSV, a nova geração de pilotos de rally‑raids encontra desta forma um espaço de afirmação que, em vários casos, inclusivamente portugueses, tem servido de rampa de lançamento para a categoria rainha, Ultimate (T1+).
A tendência é clara: entre os 11 primeiros da classificação FIA em 2025, cinco pilotos iniciaram o seu percurso no Dakar precisamente nos Challenger ou SSV, casos de Mattias Ekström (3º), Mitch Guthrie (5º), João Ferreira (8º), Seth Quintero (9º) e Rokas Baciuška (11º). Esta progressão confirma o papel estratégico destas categorias na construção de carreiras ao mais alto nível.
Categoria Challenger: Cavigliasso em defesa do ‘título’
Na classe Challenger, destinada a protótipos ligeiros especificamente concebidos para o off‑road, 38 duplas alinham à partida em Yanbu, na Arábia Saudita. Entre elas destaca‑se a dupla argentina composta por Nicolás Cavigliasso, ao volante, e Valentina Pertegarini, na navegação, considerada a principal referência da categoria à entrada do Dakar 2026.
O duo chega a esta edição como “campeão em título”, após gerir de forma eficaz a vantagem construída nas primeiras fases do rali anterior, e consolidar essa performance com a conquista do campeonato do mundo W2RC no final da temporada. A consistência exibida ao longo do ano passado reforça o estatuto de favoritos, ainda que sem qualquer garantia de renovação do triunfo de 2025.
Forte oposição e outsiders de peso
A oposição ao campeão será alargada e diversificada. Em 2025, Cavigliasso foi superado em diferentes palcos por adversários que voltam agora a surgir na linha da frente: a saudita Dania Akeel venceu no Abu Dhabi Desert Challenge; os argentinos David Zille e Sebastián Cesana impuseram‑se no Safari Rally; e o espanhol Pau Navarro brilhou no Rally de Marrocos. Todos chegam ao Dakar 2026 com o objectivo de repetir essas façanhas no palco mais mediático do calendário.
Entre os potenciais outsiders surgem ainda nomes com peso histórico noutras categorias. Os múltiplos vencedores em quad Alexandre Giroud (campeão em 2022 e 2023) e Ignacio Casale (títulos em 2014, 2018 e 2020) prosseguem o processo de reconversão para veículos ligeiros, tentando transformar experiência e velocidade em resultados na Challenger. Também a transição do argentino Kevin Benavides, duplo vencedor em motos, será acompanhada de perto, assim como o regresso de Bruno Saby, vencedor do Dakar em 1993, que volta à prova após a última participação em 2007.
As duas equipas lusas nesta categoria são Pedro Goncalves / Hugo Magalhães (Taurus T3 Max/BBR Motorsport) e Rui Carneiro / Fausto Mota (MMP T3 Rally Raid/G Rally Team).
Categoria SSV: título em jogo e “Chaleco” como referência
Na categoria SSV, que reúne 43 ‘side‑by‑side’ quase‑produção com modificações específicas para rally‑raids, a concentração de candidatos é igualmente elevada. O norte‑americano Brock Heger regressa à Arábia Saudita depois de uma estreia vitoriosa, em que celebrou o 25º aniversário em Shubaytah com triunfo na categoria. Em 2026, já não poderá contar com o fator surpresa e terá de defender o título num contexto bem mais marcado pela expectativa.
Heger integra de novo a estrutura Loeb Fraymedia Motorsport, que reforçou o seu contingente para esta edição. Além do seu antecessor no palmarés, o francês Xavier de Soultrait (vencedor em 2024), a equipa conta com o português Gonçalo Guerreiro, que leva Maykel Justo ao lado no Polaris RZR Pro R da Loeb Fraymedia Motorsport-RZR Factory Racing, uma das grandes revelações de 2025 em Challenger, e um dos grandes favoritos ao triunfo. O sueco Johan Kristoffersson, oito vezes campeão do mundo de rallycross e um dos estreantes mais observados do pelotão.
“Chaleco” López continua a ser o homem a bater
Apesar da renovação do plantel, muitos olhares mantêm‑se inevitavelmente focados em Francisco “Chaleco” López.
O chileno é, à partida, o piloto com mais currículo específico em veículos ligeiros, somando vitórias tanto em SSV (2019 e 2021) como em Challenger (2022). Não que isso lhe garanta o que quer que seja, muito menos este ano.
Em 2025, problemas mecânicos logo no início do rali, afastaram‑no da luta pelo triunfo, mas isso não o impediu de conquistar cinco vitórias em etapas e de terminar na segunda posição final.
No pódio da última edição, “Chaleco” superou o português Alexandre Pinto, terceiro classificado em SSV e campeão do mundo W2RC 2025, confirmando a competitividade do contingente luso nesta classe. Aliás, as duas duplas lusas têm todas as possibilidades de lutar pelo triunfo nesta prova.
A presença de antigos especialistas em quad, como os argentinos Manuel Andújar e Jeremías González Ferioli, acrescenta profundidade competitiva a uma grelha em que também figuram perfis de reconversão muito distintos: do duplo vencedor do Dakar Classic Carlos Santaolalla ao francês David Casteu, antigo piloto oficial KTM e segundo classificado em motos em 2007, que soma agora a 15.ª participação.
O contingente português nesta categoria SSV/T4 completa-se com João Monteiro / Nuno Morais (BRP Can-Am Maverick R/Can-Am Factory Team, Hélder Rodrigues / Gonçalo Reis (Polaris RZR Pro R Sport/Santag Racing), João Dias / Daniel Jordão (Polaris RZR Pro R Sport/Santag Racing), e Bruno Martins / Eurico Adão (Polaris RZR Pro R Sport/Santag Racing, cada um com artigos em separado no nosso site.
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