CPTT arranca em Beja: campeão em dúvida, favoritos de programa limitado baralham contas

Por a 24 Fevereiro 2026 14:50

O Campeonato de Portugal de Todo-o-Terreno (CPTT) inicia-se no próximo fim de semana com a ESC Online Baja Montes Alentejanos, em Beja, numa época que começa com incerteza em torno do Campeão de 2025, Gonçalo Guerreiro, e com dois nomes de topo a assumirem, à partida, programas incompletos. Esta combinação abre espaço a novos protagonistas na luta pelo título absoluto e reforça a tendência recente de maior peso competitivo das classes T3 e T4, numa grelha cada vez mais heterogénea.

Título condicionado logo à partida

O principal ponto de interrogação do início de época prende-se com Gonçalo Guerreiro, Campeão absoluto de 2025, que recupera de uma lesão contraída no Dakar e pode falhar provas nas primeiras semanas do campeonato, dependendo da evolução clínica. A ausência na ronda inaugural, a confirmar-se, torna mais difícil uma defesa “linear” do título e reabre o campeonato a curto prazo.

A lesão surge na sequência do abandono no Dakar 2026, do qual resultou uma fratura no braço, obrigando à evacuação e à interrupção da participação. Em termos desportivos, o impacto é direto: num calendário com sete provas, cada ausência pesa na aritmética do campeonato e aumenta a pressão sobre o regresso competitivo, sobretudo numa época em que os principais rivais também não garantem presença total.

Raid de Ferraria, 23 a 25 de Maio de 2025, Foto: Ricardo Oliveira / GO Agency

Ferreira e Ramos fora da corrida ao título (à partida)

João Ferreira, que discutiu o título de 2025 até ao final, já comunicou que fará apenas três provas do CPTT, devido a compromissos internacionais, o que limita desde logo a sua capacidade de pontuar para a geral ao longo do ano. João Ramos, por seu lado, tem o Europeu de Bajas como foco e admite disputar apenas “provas selecionadas” do campeonato nacional, cenário que, na prática, também o afasta da regularidade necessária para atacar o título absoluto.

Quem pode assumir o protagonismo

Com o campeão condicionado e dois candidatos naturais sem programa completo, a luta pela dianteira tende a tornar-se mais aberta — e menos previsível — desde a primeira ronda. O favoritismo teórico recai, ainda assim, em Guerreiro, caso consiga regressar cedo e manter a competitividade que exibiu em 2025, mas o centro da narrativa pode deslocar-se para quem aproveitar melhor a fase inicial do calendário.

Tiago Reis regressa com ambição renovada

Entre os nomes com estatuto e historial, Tiago Reis apresenta-se como um dos candidatos mais consistentes, agora de regresso com um protótipo T3, com o objetivo assumido de voltar a atacar o campeonato que já venceu (2019, 2021 e 2023). A sua presença reforça o bloco de equipas e pilotos que, nos últimos anos, têm apostado em soluções mais leves e com custos de operação mais controlados, sem perder competitividade em troços mais técnicos.

T1+ e T1: vitórias possíveis, regularidade em aberto

No topo técnico, os T1+ (Ultimate) continuam a oferecer, em condições favoráveis, uma vantagem clara em percursos rápidos, mas a eficácia do investimento depende da capacidade de alinhar prova após prova e de minimizar abandonos. Em 2026, com Ferreira e Ramos sem calendário completo, o peso estratégico da categoria no campeonato absoluto fica menos “blindado”, ainda que possam ser presença frequente na discussão de vitórias e pódios quando participarem.

Nos T1, a expectativa passa por um plantel numeroso e por duelos internos que podem ganhar importância quando as condições do traçado reduzirem a vantagem pura dos T1+ ou quando a fiabilidade tiver palavra decisiva.

A competitividade dos T1 mantém-se particularmente relevante em provas com setores seletivos de maior velocidade média, como é habitual em Beja, funcionando a ronda inaugural como primeiro barómetro técnico.

Nos T1, o Campeão de 2025, César Sequeira, regressa com o Mercedes-Benz 350 SLC Coupé T1, o mesmo se aplicando ao vice, Sérgio Matos (Toyota Hilux T1) e Jorge Cardoso (Ford Ranger T1) que ficou no pódio da competição em 2025, num plantel em Beja que inclui ainda José Rogeira (Ford Ranger T1), Lino Carapeta (Ford Ranger T1), Jasper Herman (Red-Lined VK50 T1), Edgar Condenso (Ford Ranger EXR05 Proto T1), Johan Senders (Toyota Hilux T1), Ronald Schoolderman (Mitsubishi ASX T1) e Willem Zeelen (Toyota RAV4 T1).

T3 e T4: densidade e margem de surpresa

A consolidação dos T3 (Challenger) e T4 (SSV) é um dos traços marcantes do CPTT contemporâneo, tanto pelo volume de inscritos como pela qualidade de pilotos — incluindo jovens em afirmação e nomes experientes que migraram para plataformas mais acessíveis. Para o campeonato, isso significa mais candidatos reais a pontos altos, com um efeito de “compressão” no topo: menos corridas resolvidas apenas por potência e mais dependentes de navegação, gestão de pneus, consistência e capacidade de evitar erros em pisos variáveis.

Em 2025, Guerreiro foi a exceção dominante num contexto normalmente mais disputado no universo T4; em 2026, com o campeão condicionado, a categoria pode voltar a uma lógica de equilíbrio, com vários pilotos a surgirem como potenciais vencedores à classe e, por arrasto, capazes de pressionar a geral em provas onde o traçado favoreça agilidade e menor massa.

Nos Challenger/T3, os habituais nomes muito fortes, como é o caso de Tiago Reis, Daniel Silva, Alexandre Cardoso (Can-Am Maverick X3 T3), Nuno Faria (Can-Am Maverick X3 T3) e Edgar Reis (Polaris T3), mas ainda o Campeão de 2017, Ricardo Porém (Kaizen S1 T3), Mário Franco (Can-Am Maverick X3 T3) grande representante luso no Dakar, Nélson Beiró (Can-Am Maverick X3 T3), Luís Carneiro (MMP Rally Raid T3), Nuno Matos (Volkswagen Amarok Proto T3), João Franco (Kaizen S1 T3), Tomás Lopes (Can-Am Maverick X3 T3) a boa surpresa Pedro Mello Breyner (Yamaha YXZ 1000R T3), David Carreira (Can-Am Maverick X3 T3), José Morgado (Can-Am Maverick X3 T3). Tal como sucedeu o ano passado, cerca de uma dezena cumprem as provas obrigatórias para pontuar no campeonato, e este ano esse número não deve variar muito.

Dos SSV/T4, veio a surpresa em 2025 – ou nem por isso – Gonçalo Guerreiro, que não só dominou fortemente os T4 como assegurou o título do CPTT à geral. Este ano, como já referimos, não arranca para já pois está ainda a recuperar do braço fraturado em vários lados no Dakar.

Neste contexto, a defesa do título do CPTT fica condicionada pelo número de provas que Gonçalo Guerreiro possa vir a perder. A luta pelo título Absoluto fica, desde logo, comprometida pela ausência na primeira prova. Contudo, o piloto mantém o objetivo de regressar, pelo menos, para lutar pelo título na categoria T4 e, eventualmente, à geral, tal como aconteceu em 2025.

Com ele, na categoria (Guerreiro não estará em Beja) estão Luís Cidade (Can-Am Maverick R T4) terceiro em 2025, devendo ser um dos favoritos ao título dos T4 ou mesmo à geral, Rúben Rodrigues (Can-Am Maverick R T4) quarto em 2025, Herlander Araújo (Polaris RZR Pro R T4) sexto em 2025, Filipe Cameirinha (Can-Am Maverick R T4) sétimo em 2025, e outros nomes bem fortes dos T3/T4: Pedro Carvalho (Polaris RZR Pro R T4) João Dias (Polaris RZR Pro R T4), Miguel Barbosa (Polaris T4), Luís Portela Morais (Polaris RZR Pro R T4), João Monteiro (Can-Am Maverick R T4) e ainda Mário Ferreira (Polaris RZR Pro R T4), Dinis Rogeira (Can-Am Maverick X3 T4), Paulo Jorge Rodrigues (Can-Am Maverick R T4) e Daniel Pereira (Can-Am Maverick R T4).

A exceção em 2025 foi mesmo Gonçalo Guerreiro que não deu a mais pequena hipótese à concorrência, este ano vamos ver, Beja será um bom barómetro.

T2 mais concorrido

O T2 em 2025 foi pobre, mas este ano, junto ao campeão de 2025, Eduardo Rodrigues (Toyota Land Cruiser T2), estão os nomes de Leonor Barreto (Isuzu D-Max T2), Jorge Franco (Nissan Navara D22 T2), Kala Senders (Nissan Navara T2) e Américo Santos (Nissan Pathfinder R51 T2).

Nos T8, carros de série e modelos mais antigos, Johan Senders, campeão de 2025, foi para o T1 com uma Toyota Hilux, num plantel extenso que conta com Richard Timmerman (Can-Am Maverick R T8), João Paulo Oliveira (Nissan Navara T8), Filipe Cachopas (BMW 346L Proto T8), Cláudio Carapeta (Bowler WildCat Proto T8), nomes do ano passado, e ainda João Serra (Nissan Navara Frontier T8), Marco Cardoso (Nissan Navara T8), Júlio Martins Mourão (Nissan OffRoad T8), Michael Braun (Porsche Cayenne Proto T8) e, a solo nos T9, Miguel Teodoro (Nissan Navara D21 T9).

Calendário e desenho do campeonato

O CPTT mantém, para 2026, uma estrutura de sete provas, com a ESC Online Baja Montes Alentejanos a abrir a época no final de fevereiro/início de março. A partir daí, o calendário segue para Castelo Branco (abril), Norte de Portugal (maio), Ferraria (maio), Sharish/Reguengos e Mourão (setembro), Portalegre (outubro) e Lagos (novembro), segundo o programa já anunciado.

Porque o traçado pesa tanto nas contas

O campeonato tem mostrado, nos últimos anos, que o tipo de percurso pode influenciar decisivamente quem ocupa os lugares cimeiros: em setores seletivos mais rápidos, a vantagem tende a inclinar-se para os protótipos de topo, enquanto em troços mais “enrolados” a agilidade e o menor peso de T3 e T4 conseguem reduzir diferenças — sobretudo quando guiados por pilotos com experiência de navegação e capacidade de manter ritmo sem penalizar a mecânica. Esta alternância aumenta a incerteza e valoriza a regularidade ao longo das sete rondas.

O que esperar do arranque em Beja

A Baja Montes Alentejanos, pela extensão total e pelo formato de três passagens num setor seletivo de 120 km, coloca desde logo a tónica na resistência mecânica e na gestão do risco. A repetição do mesmo setor, em particular, tende a premiar quem consegue adaptar a afinação e ritmo à degradação do piso, sem cair em excessos de agressividade que possam comprometer.

Para o campeonato, a primeira prova pode definir o tom do início de época: se os principais ausentes confirmarem limitações, os primeiros vencedores e líderes terão oportunidade de construir uma margem que obriga os rivais a correr “em recuperação” nas rondas seguintes. E, num CPTT em transformação técnica e desportiva, com várias classes a cruzarem-se na luta pela frente, cada ponto conquistado em Beja pode ter um peso maior do que o habitual no desenho da época.

Calendário: Copy/Paste de 2025

ESC Online | Baja Montes Alentejanos 26 de Fevereiro a 1 de Março CPKA – Clube de Promoção de Karting e Automobilismo

Baja TT de Castelo Branco 10 a 12 de Abril Escuderia Castelo Branco

Baja TT Norte de Portugal 1 a 3 de Maio CAMI – Clube Aventura do Minho

38º TH Clothes Raid Ferraria 22 a 24 de Maio Centro Cultural Recreativo e Desportivo da Ferraria

38º Baja TT Sharish – Reguengos / Mourão 18 a 20 de Setembro Sociedade Artística Reguenguense

40º BP Ultimate Baja de Portalegre 15 a 17 de Outubro Automóvel Club de Portugal

Baja de Lagos 27 a 29 de Novembro Clube Automóvel do Algarve

Caro leitor, esta é uma mensagem importante.
O Autosport já não existe em versão papel, apenas na versão online.
E por essa razão, não é mais possível o Autosport continuar a disponibilizar todos os seus artigos gratuitamente.
Para que os leitores possam contribuir para a existência e evolução da qualidade do seu site preferido, criámos o Clube Autosport com inúmeras vantagens e descontos que permitirá a cada membro aceder a todos os artigos do site Autosport e ainda recuperar (varias vezes) o custo de ser membro.
Os membros do Clube Autosport receberão um cartão de membro com validade de 1 ano, que apresentarão junto das empresas parceiras como identificação.
Lista de Vantagens:
-Acesso a todos os conteúdos no site Autosport sem ter que ver a publicidade
-Desconto nos combustíveis Repsol
-Acesso a seguros especialmente desenvolvidos pela Vitorinos seguros a preços imbatíveis
-Descontos em oficinas, lojas e serviços auto
-Acesso exclusivo a eventos especialmente organizados para membros
Saiba mais AQUI

Deixe aqui o seu comentário

últimas Newsletter
últimas Autosport
newsletter
últimas Automais
newsletter