O regresso do Azores Rallye é este fim de semana
Realiza-se este fim de semana o Azores Rallye, derradeira prova do Campeonato dos Açores de Ralis, evento organizado pelo Grupo Desportivo Comercial, num rali que terá 10 classificativas já conhecidas de anteriores edições da prova, especialmente as Sete cidades, Feteiras, Tronqueira e Graminhais.
A prova arranca hoje com quatro troços, realizando-se os restantes seis amanhã, sábado.
A prova dá neste momentos os primeiros passos rumo a um possível regresso ao Campeonato de Portugal de Ralis, o que, se tudo correr dentro da normalidade poderá suceder em 2027, já que o calendário de 2026 já está delineado, embora não oficializado.

O primeiro dia fica terá as Sete Cidades em versão reduzida e Feteiras, assim como uma passagem por PDL Parque Urbano, em traçado idêntico ao utilizado no I Rallye de Ponta Delgada, já disputado este ano.
Já no segundo dia, a manhã fica cumprida com passagem pelos troços Pico do Alho e Coroa da Mata, para à tarde serem disputadas Tronqueira e Graminhais, ambas com novas versões.
A segunda passagem por Graminhais, constitui-se como a Power Stage do 58º Azores Rallye, totalizando pouco mais de 100 km percorridos ao cronómetro.
O Grupo Desportivo Comercial, agora liderado por Luís Pimentel, está a trabalhar para devolver o Azores Rallye ao CPR, mas futuramente, também ao Europeu de Ralis, onde esteve durante muitos anos.
Este ano, a prova só conta com os pilotos locais, com o reforço do atual piloto do CPR, Rúben Rodrigues e a Auto Açoreana Racing, mas assim que por possível ao GDC, a prova voltará a outros voos…
Recordando a história
O Azores Rallye é uma lenda viva do desporto automóvel português. Nascido em 1965 como Volta à Ilha de São Miguel, transformou-se gradualmente numa das provas mais icónicas e desafiantes dos calendários português e europeu de ralis, conquistando reconhecimento internacional e marcando gerações de pilotos.
Hoje, apesar de atravessar um período menos visível, de ‘olho’ no Campeonato de Portugal de Ralis, depois de um período conturbado no Grupo Desportivo comercial, a prova permanece como um baluarte incontornável da tradição portuguesa dos ralis.
Os primeiros passos de uma prova lendária (1965-1972)
Tudo começou no dia 18 de julho de 1965. Luís Toste Rego, ao volante de um Fiat 1500, fez história ao vencer a primeira edição da então designada Volta à Ilha de São Miguel, uma prova que nasceu com 32 equipas inscritas — apenas 28 terminaram a maratona.
O evento suscitou curiosidade imediata nos meios dos ralis nacionais, atraindo nomes sonantes da modalidade, como Zeca Cunha, piloto reconhecido pelo triunfo na VII Volta à Ilha da Madeira, e figuras do panorama internacional, como Frederick Purdy, cônsul dos Estados Unidos em Ponta Delgada.
O entusiasmo gerado pela primeira edição não se extinguiu. Já em 1968, a prova passou a integrar o Campeonato Nacional de Ralis, confirmando a sua importância no panorama interno português. O reconhecimento internacional chegou mais tarde: em 1972, o evento adquiriu estatuto de prova internacional, abrindo portas para uma transformação que ainda estava por vir.
A afirmação no palco europeu (1973-1992)
O ano de 1973 marcou um ponto de viragem. Pela primeira vez, pilotos de renome internacional estiveram presentes no Rallye Açores. Giovanni Salvi, Sandro Munari e Alcide Paganeli trouxeram consigo a credibilidade que a prova necessitava para alçar voo. Embora com estatuto internacional, o rali ainda não era parte integrante de nenhum campeonato europeu, mas esse período de avaliação estava a chegar.
Entre 1983 e 1985, o Rallye Açores passou por um processo de avaliação rigorosa para integrar o Campeonato Europeu de Ralis. O reconhecimento chegaria oficialmente em 1992, com o coeficiente 2, marcando um momento decisivo. Esse ano foi especialmente significativo pela presença de Yves Loubet, piloto francês que conduzia o Toyota Celica GT-4 com que Carlos Sainz vencera o Rali da Argentina em 1991 — uma prova do calendário do WRC.
A visibilidade global do evento e da região elevou-se significativamente.
O apogeu europeu e a chegada de campeões mundiais (1993-2013)
A década seguinte consolidou a posição do Azores Rallye como um dos mais relevantes do continente. Fabrizio Tabaton (1993), Sébastien Lindholm (1996), Alister McRae (1997), Bruno Thiry (1997) — nomes de respeitabilidade internacional — visitaram as estradas açorianas. O auge chegou em 2001, quando Juha Kankkunen, tetracampeão do Mundo de Ralis, venceu a prova ao volante de um Subaru Impreza WRC. Estes nomes reforçavam a mensagem: o Azores Rallye não era apenas uma prova europeia, era um desafio mundial.
Fruto de sucessos consistentes e avaliações positivas, o rali atingiu o coeficiente máximo de 10 no Campeonato Europeu de Ralis. Alterações regulamentares posteriores transformaram-o em prova integrante da Taça da Europa FIA de Ralis, mantendo sempre a proeminência.
A era do Intercontinental e a consolidação internacional (2008-2022)
Em 2008, abriu-se uma nova janela de oportunidades. O Azores Rallye foi integrado como IRC Supporter Event no Intercontinental Rally Challenge, promovido pela Eurosport. Um ano depois, em 2009, ascendeu a prova plena do campeonato. Com a fusão do IRC, o rali passou a fazer parte do European Rally Championship (ERC) em 2013, consolidando a sua posição de destaque no automobilismo europeu.
Durante este período, o evento alterou também a sua identidade comercial. Começou como SATA Rallye Açores a partir de 1999, mantendo este nome até 2015. Em 2016, adotou a designação internacional Azores Rallye, refletindo a sua ambição e alcance globais.
Transformação, desafios e perspetivas futuras (2023-presente)
Em setembro de 2022, o novo promotor do ERC, o WRC Promoter, anunciou uma decisão controversa: a exclusão do Azores Rallye do calendário europeu em 2023, justificando a medida com a intenção de tornar o campeonato mais central e reduzir custos para as equipas. A decisão provocou comoção na comunidade dos ralis portugueses, mas revelou-se apenas temporária.
Em dezembro de 2023, o Azores Rallye foi integrado na Tour European Rally (TER), uma competição organizada pela TER Series e aprovada pela FIA, que reúne provas com características únicas em locais de elevado interesse turístico. Este regresso teve contornos memoráveis: Sébastien Loeb, vencedor de nove títulos do World Rally Championship, venceu a edição de 2023 ao volante de um Škoda Fabia RS Rally2. O regresso ao Europeu de Ralis terá de esperar mais algum tempo, mas, tendo em conta a marca que a prova sempre deixou na competição, é natural que regresse um dia, assim que se defina melhor os caminho que os ralis terão num futuro próximo, com novas regras para o WRC, que poderão ter também impacto no Europeu.
Atualmente, o rali encontra-se igualmente fora do Campeonato de Portugal de Ralis, situação que reflete as dificuldades operacionais por que passou o Grupo Desportivo Comercial, entidade organizadora desde a sua fundação. Contudo, especialistas e dirigentes do desporto automóvel português não hesitam em afirmar que esta é uma situação temporária. A prova é demasiado importante, demasiado respeitada e demasiado admirada para permanecer afastada indefinidamente. Claro que tem de ser cumprido um percurso até que isso suceda, mas se tudo correr com os responsáveis do GDC e adeptos em geral, esperam, a prova há-de voltar a integrar o CPR e depois o ERC.
Um palco único no mundo dos ralis
O Azores Rallye distingue-se pela singularidade do seu traçado. Disputado quase exclusivamente em pisos de terra, apresenta troços lendários, que colocam desafios distintos dos habituais no calendário europeu.
Paisagens deslumbrantes, meteorologia imprevisível e pistas técnicas e seletivas, fazem desta prova um verdadeiro teste de resistência, destreza e adaptabilidade. Não existe piloto de topo que não goste ou deseje competir neste rali; não existe prova que ofereça cenários tão esteticamente notáveis.
O regresso inevitável
Apesar do período menos luminoso, a história do Azores Rallye é a história de uma resiliência notável. De uma modesta Volta à Ilha de São Miguel em 1965 para um acontecimento reconhecido mundialmente, o rali dos Açores consolidou-se como património do automobilismo português e europeu.
Quando as condições se normalizarem e os constrangimentos financeiros forem ultrapassados, a certeza é uma: o Azores Rallye regressará ao lugar que lhe pertence, porque é, efetivamente, uma das provas mais fantásticas, mais diversas e mais bonitas do mundo dos ralis.
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