O asfalto a ferver da Catalunha ditou as regras na abertura do fim de semana, com George Russell a impor o ritmo da Mercedes ao liderar a primeira sessão de treinos livres para o Grande Prémio de Barcelona.
Numa sessão marcada por temperaturas quase extremas e por uma gritante falta de aderência, o britânico superiorizou-se a Oscar Piastri (McLaren) por 0.203s com Charles Leclerc (Ferrari) a 0.520s da frente. As dores de cabeça na Williams foram muitas e a elevada degradação dos pneus macios foram os primeiros grandes alertas para a exigente maratona que se avizinha. Max Verstappen (Red Bull) foi quarto a 0.684s, na frente de Leonardo Fornaroli, quinto com o McLaren a 0.853s.
Seguiram-se Paul Aron, no Audi a 0.958, Liam Lawson (Racing Bulls) a 1.109s, e a fechar o top 10, Dino Beganovic (Ferrari) a 1.415, Arvid Lindblad (Racing Bulls) a 1.441 e Franco Colapinto (Alpine) a 1.530s. Entre os restantes ‘rookies’, Ayumu Iwasa (Red Bull) foi 14º a 1.935s, Fred Vesti (Mercedes) 15º a 2.002s e Colton Herta (Cadillac) a 4.334s. Luke Browning, no Williams, não saiu das boxes.
Filme da sessão
A primeira sessão de treinos livres para o Grande Prémio de Barcelona desenhou um cenário de sobrevivência técnica e superação. O grande destaque da sessão inaugural foi George Russell (Mercedes), que impôs um ritmo forte com a Mercedes, batendo Oscar Piastri (McLaren) e Charles Leclerc (Ferrari), numa pista marcada pelo asfalto a ferver e pela gritante falta de aderência traseira.
A ação começou sob um calor sufocante, com os termómetros a registarem uns impiedosos 47 graus de temperatura na pista e o ar a bater nos 29 graus. Mal o semáforo do pit lane se acendeu, soltando os carros para o asfalto, o drama instalou-se de imediato na garagem da Williams.
Carlos Sainz ficou plantado na linha rápida das boxes. “Não liga”, lamentava o espanhol via rádio, enquanto as bandeiras amarelas agitavam o início dos trabalhos e os rivais o ultrapassavam de lado.
O mecânico Calum Nicholas corria para resolver o problema de Sainz — um mero susto eletrónico resolvido com o clássico “desligar e voltar a ligar” —, mas o cenário era bem mais negro para o jovem estreante Luke Browning, cujo monolugar se encontrava desmontado na garagem devido a uma falha elétrica profunda no sistema de direção.
Na pista, os pilotos debatiam-se com as ratoeiras do traçado. Colton Herta, a substituir Sergio Pérez, apanhou um susto tremendo ao saltar violentamente sobre os corretores, segurando o carro por um fio. “Verifiquem o fundo plano”, pediu, tenso, para as boxes.
Pouco depois, os problemas de travões afetavam Oscar Piastri, que reportou fortes vibrações, embora o australiano, com a sua habitual frieza, tenha decidido continuar em pista.
A degradação dos pneus revelava-se dramática. Nas imagens de televisão, o pneu dianteiro esquerdo do Alpine exibia uma linha severa de bolhas (blistering).
Sob este calor extremo, os pneus macios apenas aguentavam uma única volta lançada antes de colapsarem. Foi precisamente ao calçar a borracha macia que a tabela de tempos começou a disparar. Gabriel Bortoleto perdeu a traseira e acabou por aterrar na escapatória de gravilha da Curva 7, forçando uma breve situação de bandeiras amarelas.
Max Verstappen aproveitou o momento para saltar para o topo com o registo de 1m17.047s, mas a resposta da Mercedes foi imediata. George Russell iniciou a sua volta voadora com os pneus macios e destruiu o registo do neerlandês, sendo uns impressionantes 0,684 segundos mais rápido e confirmando que as novas atualizações da equipa ganhavam vida em Barcelona.
No meio da batalha dos suspeitos do costume, os novos talentos mostravam os dentes: o jovem Paul Aron assinou uma volta soberba, ascendendo momentaneamente à quinta posição da tabela, colado aos calcanhares dos líderes. Bortoleto, recuperado do erro na gravilha, ainda tentou atacar o asfalto, mas as queixas eram generalizadas: “Malta, o que se passa? Estou de lado em todo o lado, aderência zero”.
A bandeira de xadrez acabou por ditar o fim das hostilidades. George Russell confirmou o domínio inicial com o tempo de 1m16.363s, deixando Piastri a duas décimas de segundo e Leclerc a fechar o pódio honorário de uma sessão que abriu as portas para um fim de semana de pura resistência física e mecânica.










