GP China F1: Mercedes domina, McLaren lidera perseguição e Red Bull afunda-se…

Por a 13 Março 2026 15:19

A Mercedes confirmou em Xangai o estatuto de equipa a abater na nova era, ao garantir a dobradinha na primeira linha para a corrida Sprint, com George Russell na pole position e Kimi Antonelli em segundo, numa sessão em que o W17 voltou a evidenciar superioridade em todas as fases. Russell assinou 1m31,520s, com o italiano a apenas 0,289s, enquanto a McLaren se colocou como terceira força com Lando Norris em terceiro e Oscar Piastri em quinto. A Red Bull, pelo contrário, ficou longe do ritmo de topo, com Max Verstappen apenas em oitavo.

Russell destacou a consistência do pacote desde o início do fim de semana. “Estou feliz por assegurar a pole para a Sprint, a primeira da minha carreira”, disse, sublinhando que o W17 “tem estado ótimo todo o dia” e que a equipa “conseguiu tirar o máximo do carro”, mesmo quando o vento no SQ3 fez perder velocidade em reta. Apesar do domínio, o britânico deixou uma nota de prudência: “Sabemos que tudo pode acontecer numa Sprint, especialmente no arranque. Temos trabalhado muito nos arranques desde Melbourne e teremos de gerir bem os pneus, porque este circuito é duro para o eixo dianteiro.”

Antonelli, que igualou Russell nos dois primeiros setores, mas perdeu tempo no último terço da volta, considerou o resultado “um bom começo de fim de semana”. “Garantir a primeira linha é positivo e continua a boa forma da equipa desde Melbourne”, apontou, frisando que ainda há “muito trabalho a fazer”, em particular na gestão de pneus e na melhoria dos arranques, que foram “um fator limitativo” na Austrália. Ambos foram elogiados por Andrew Shovlin, diretor de engenharia de pista, que destacou um “bom trabalho de base de afinação” e lembrou que a Sprint “será uma oportunidade para testar arranques e comportamento de pneus”, com vista também ao Grande Prémio.

McLaren confirma passo em frente e Ferrari admite défice em reta

Na McLaren, a Sprint Qualifying consolidou a ideia de que a equipa de Woking é, para já, a terceira força. Norris colocou o MCL40 em terceiro com 1m32,141s, à frente das duas Ferrari, e saiu satisfeito: “P3 é tão bom quanto podíamos conseguir hoje. Estar à frente das Ferrari é positivo, não tinha a certeza que fosse possível depois do TL1.” O campeão em título apontou a primeira volta da Sprint como a melhor oportunidade para atacar, mas avisou que “a concorrência é forte” e que o foco passará depois para a qualificação de sábado.

Piastri, quinto com 1m32,224s, falou numa “Sprint Qualifying decente”, com um carro “bastante bom”, mas reconheceu “um grande gap para a Mercedes” e a necessidade de perceber “como maximizar ainda mais” a performance antes da Sprint e da qualificação principal. Neil Houldey, diretor técnico, sublinhou que a equipa “trabalhou muito” após Melbourne e que se viu “progresso entre o TL1 e a Sprint Qualifying”, com alterações importantes em deployment e afinação a permitirem consolidar o estatuto de terceira equipa mais rápida na sessão.

Na Ferrari, Lewis Hamilton foi o melhor classificado, em quarto com 1m32,161s, batendo Charles Leclerc, sexto com 1m32,528s. O britânico elogiou o trabalho da equipa ao recuperar de um TL1 complicado, em que um pião lhe estragou o jogo de pneus, e admitiu que o SF-26 se sentiu “fantástico de conduzir” em Sprint Quali. Ainda assim, manteve o alerta sobre o défice de potência: “Ainda há trabalho a fazer em Maranello para encontrar mais performance em linha reta, é a nossa principal fraqueza, mas somos fortes em curva, o que encoraja.” Leclerc considerou que a sessão “não foi grande coisa”, lamentando ter perdido “meio segundo na reta de trás” na segunda tentativa de SQ3 e esperando ser “um pouco mais forte” em ritmo de Sprint. Fred Vasseur reforçou que os dados serão analisados, em particular a diferença de deployment entre as voltas de Leclerc, e mostrou confiança em “mais um resultado sólido” na corrida curta.

Gasly brilha com a Alpine, Haas volta a mostrar argumentos e Audi e Racing Bulls apontam ao meio da grelha

No pelotão intermédio, Pierre Gasly foi um dos destaques ao levar o Alpine A526 ao sétimo lugar, à frente dos dois Red Bull, depois de uma semana complicada em Melbourne. “Estou extremamente satisfeito com o resultado, especialmente depois da última ronda”, afirmou, explicando que a equipa trouxe “muitas aprendizagens” da Austrália e encontrou “muito mais performance” para Xangai. O francês disse sentir-se “muito melhor no carro desde a primeira volta” e destacou a importância de “misturar-se com as quatro equipas da frente” em SQ3, esperando transformar o momento positivo em pontos na Sprint. Franco Colapinto, 16.º, assumiu que “faltou andamento” e que precisa de perceber melhor “como extrair” o potencial que Gasly mostrou.

Na Haas, Oliver Bearman confirmou a boa forma de Melbourne ao chegar à SQ3 e garantir o nono lugar, batendo um Red Bull com pneus usados. “Mostrámos bom andamento desde a primeira volta do TL1 e conseguimos construir a partir daí”, explicou, admitindo surpresa com a proximidade aos líderes e apontando aos pontos na Sprint. Esteban Ocon foi 12.º e realçou que “há potencial” no VF-26, embora ainda haja “algumas coisas por investigar” para melhorar o carro. Ayao Komatsu, chefe de equipa, destacou a evolução operacional face à Austrália e considerou “um ótimo esforço” ter um carro em SQ3 e o outro muito perto disso.

A Audi teve um dia mais discreto do que em Melbourne. Nico Hülkenberg terminou em 11.º, a apenas 0,015s do apuramento para a SQ3, depois de perder comunicação rádio em parte da SQ2. “É pena falhar a SQ3 por tão pouco, mas P11 ainda é um bom resultado”, avaliou, sublinhando que o R26 “parece estar outra vez no meio do pelotão” e que a luta é “muito apertada”. Gabriel Bortoleto foi 14.º e descreveu a sexta-feira como “um pouco complicada”, com problemas nos treinos a repetirem-se na Sprint Quali, mas mostrou confiança em melhorar após mais quilometragem e ajustes de afinação. Jonathan Wheatley lembrou que, com carros novos e complexos, “chegar a um circuito novo é estar sempre a aprender” e apontou a prioridade para “uma Sprint limpa” antes da qualificação.

Na Racing Bulls, Liam Lawson (13.º) e Arvid Lindblad (15.º) não conseguiram repetir o brilho de Melbourne. Lindblad perdeu quase todo o TL1 por um problema de hardware no chassis, chegando à SQ1 com “apenas uma volta e meia” de preparação, algo que o rookie reconheceu como “uma curva de aprendizagem íngreme”. Lawson, mais satisfeito com o set-up, considerou que “Melbourne favorecia mais o carro” e que Xangai “não é tão bom para nós”, deixando o foco na melhoria para sábado.

Red Bull afunda para oitavo e décimo, Williams e Aston Martin continuam em crise e Cadillac acumula problemas

O dado mais impressionante do dia foi a falta de ritmo da Red Bull. Max Verstappen foi apenas oitavo, a 1,7 segundos de Russell, e classificou o dia como fraco “em termos de ritmo”. “Tivemos pouco grip, o que tem sido o nosso maior problema, e sem equilíbrio”, explicou. “Estamos a perder muito tempo nas curvas e isso começa a desencadear outros pequenos problemas. O grande problema é a passagem em curva.” O neerlandês admitiu que a equipa terá de “analisar o que pode fazer” antes da Sprint e da qualificação.

Isack Hadjar, 10.º, disse estar “contente com a volta” e por estar “não muito longe do Max”, mas mostrou surpresa por a equipa estar “meio segundo atrás” e por o gap para a McLaren e a Ferrari ser maior do que na Austrália. “Precisamos de um pouco mais de tudo: aderência e potência”, resumiu. O diretor técnico Pierre Wache reconheceu que a afinação para a Sprint Qualifying “não funcionou como desejado” e que a Red Bull ainda está a “perceber este carro semana a semana”, apesar de já ter feito “progressos na gestão de energia e no chassis” face à Austrália.

Na Williams, Carlos Sainz (17.º) e Alex Albon (18.º) voltaram a ficar presos na SQ1. O espanhol, condicionado por problemas de dados no TL1, admitiu que o fim de semana “seria sempre difícil” num circuito que expõe as fraquezas do FW48 e disse que vai usar a prova para “testar diferentes setups e compensar o tempo de pista perdido”. Albon falou num “dia confuso” e em “múltiplas limitações” que a equipa ainda está a tentar compreender. James Vowles descreveu a sexta-feira como “dura, mas não surpreendente” depois de Melbourne, e assumiu que é preciso “refletir” e procurar “novas abordagens” para extrair mais do carro enquanto o pacote de desenvolvimento não chega.

A Aston Martin teve um dia mais estável do ponto de vista da fiabilidade, mas sem progresso no cronómetro. Fernando Alonso (19.º) e Lance Stroll (20.º) cumpriram o TL1 e a SQ1, com o espanhol a admitir que a equipa “fez o melhor que podia” e continua “muito longe dos outros”. “Vamos tentar melhorar amanhã, completar o máximo de voltas e construir o entendimento deste package”, explicou. Stroll reforçou que continuam a “lutar com os mesmos problemas” de Melbourne e que o objetivo principal em Xangai é “aprender mais sobre o carro”.

Por fim, a Cadillac viveu uma sexta-feira complicada. Sergio Pérez não pôde participar na Sprint Qualifying devido a um problema no sistema de combustível detetado no TL1 e não resolvido a tempo, partindo assim de último. Valtteri Bottas foi 21.º, afetado por um problema de deployment que o impediu de mostrar o verdadeiro andamento. “Precisamos de investigar totalmente”, disse o finlandês. Nick Chester, diretor técnico, falou num “dia difícil”, mas enquadrou estas dificuldades como parte de uma fase em que a equipa está a “descobrir e corrigir problemas em tempo real” e lembrou que “cada volta dá informação valiosa” nesta fase inicial do projeto.

FOTO de Capa: Mercedes/Sam Bloxham LAT Images

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