No desporto automóvel, em condições de chuva e com aderência muito precária, recomenda-se pneu com pressão mais baixa. Assim, assenta melhor no asfalto, o que beneficia o contacto com a pista e aumenta a capacidade de escoamento da água. Simultaneamente, com a ação, otimiza-se a temperatura de funcionamento. Este segundo ePrix do fim de semana da Fórmula E em Tóquio, no Japão, realizou-se após tempestade e em circuito muito molhado, o que obrigou a opções difíceis. A Jaguar posicionou-se entre as diversas equipas que optaram pela segurança em vez do risco e perdeu!

António Félix da Costa arrancou da segunda posição da grelha de partida, mandou na primeira metade da corrida, que comandou a partir da volta 4, beneficiando da ativação precoce do primeiro Modo de Ataque, de 4 minutos, para passar EdoardoMortara, da MahindraRacing, mas só andou da frente para trás durante a segunda, com o piso a secar. No final, foi só 16.º, não somou pontos e quase disse adeus ao título, embora a matemática o mantenha na luta pela Época 12 – tem menos 33 do que o novo líder do campeonato, o britânico Jake Dennis, da Andretti, e ainda pode ganhar 58.
“Preciso de um milagre para ganhar este campeonato”, diz António Félix da Costa
A temporada termina a 15 e 16 de agosto, com duas corridas no ExCel de Londres, Inglaterra. Teoricamente, o título continua ao alcance de mais oito pilotos: Dennis, Mitch Evans (Jaguar), Pascal Wehrlein (Porsche), Oliver Rowland (Nissan), Mortara, NyckCassidy (Citroën), Nico Müller (Porsche) e Nyck de Vries (Mahindra)! António está na 6.ª posição e tem parceiro de equipa entre os candidatos principais, o que acrescenta dificuldade às dificuldades.
“É uma frustração grande num fim de um dos melhores fins de semana da carreira na Fórmula E. Duas qualificações no ‘top-3’, liderei a primeira metade da corrida e, depois, mudou tudo. A pista estava muito molhada e, por isso, começámos com o ‘set-up’ para chuva, mas muitos apostaram que a pista secava e acertaram. Nesse momento, não havia nada a fazer. Levo para casa somente dois pontos. Penso que fizemos tudo bem. Arriscaram os que estavam mais posicionados. No nosso caso, o risco era enorme. O campeonato? a distância para o primeiro não mudou muito, mas preciso de um milagre. É verdade que já vi muita coisa, mas há cinco pilotos à minha frente. Também tenho de vestir a camisola da equipa e o Mitch está apenas a dois pontos do topo da classificação e, em Londres, se precisar de mim, contará com o meu apoio”, disse-nos Félix da Costa.
Vitória de Nyck de Vries, Jake Dennis à frente do Mundial
Nesta corrida atípica no Japão, ronda 15 de temporada com 17, triunfo de Nyck de Vries, da MahindraRacing. O neerlandês, membro da equipa que ganhou LeMans este ano, num Toyota GR010 Hybrid #7, sucesso que dividiu com Kamui Kobayashi e Mike Conway, conseguiu a sexta vitória na Fórmula E, a segunda em 2025-26. Na segunda posição, classificou-se o neozelandês NickCassidy, da CitroënRacing, e Jake Dennis, da Andretti, surpreendentemente, foi terceiro. O piloto britânico, 18.º na grelha de partida, aproveitou o facto de Evans e Wehrlein não pontuarem e está no comando do campeonato.
O ePrix de Tóquio acabou de forma agitado, com bandeira vermelha na 32.ª das 34 voltas, mais uma do que estava previsto (volta extra para aquecimento de pneus e retirada de água da pista cumprida atrás do Safety Car!), devido a colisão entre os monolugares de Joel Eriksson (EnvisionRacing), EdoardoMortara, Félix da Costa e ZaneMaloney (Lola-Yamaha). Estiveram todos na nova partida e num “sprint” com 2,575 km que não originou quaisquer mudanças relevantes na classificação.
“Poupei muita energia no início e tive a sorte de a pista secar e ativar os Modos de Ataque nos tempos certos. A estratégia funcionou! É uma vitória importante muito importante e as condições difíceis tornam-na mais especial”, disse Nyck de Vries.

FOTO Fórmula E/Takashi Aoyama/LAT Images










