F1: Luca di Montezemolo ‘atira-se’ a Sergio Marchionne
Depois de ter sido afastado por Sergio Marchione da presidência da Ferrari, no final de 2014, Luca di Montezemolo não perde oportunidades para dar valentes alfinetadas em quem o despediu, e tendo em conta que o seu despedimento se fez no sentido de dar à Ferrari novas condições para voltar a ganhar, e os do último ano foram ainda piores do que 2014, Montezemolo tem agora todos os argumentos que precisa para ‘dar na cabeça’ a Marchione: “Na Fórmula 1, é preciso ser humilde o suficiente para saber que não se ganha de um dia para o outro. Se uma pessoa não está certa que pode ganhar, não deve anunciá-lo de forma veemente! Há que ter paciência, ajudando as pessoas a melhorar a situação. Tem que haver confiança na equipa e dar-lhes as melhores condições para que possam alcançar os objetivos” começou por dizer Montezemolo que no entanto apoia Sebastian Vettel: “Desde a primeira reunião que tivemos que percebi que a Ferrari está no seu coração. É importante para a Scuderia ter um piloto que seja tão positivo em momentos tão difíceis”, disse Montezemolo que foi duro com o CEO da Fia, Sergio Marchionne.
Como Marchione fez Montezemolo sair
Luca di Montezemolo teve que abandonar a liderança da Scuderia Ferrari, posto que ocupava desde o final de 1991, em outubro de 2014, isto depois das movimentações para o afastar terem começado meses antes, imediatamente depois de Stefano Domenicali ter abandonado a Scuderia.
Do ponto de vista comercial, tanto a Fiat como Piero Ferrari estavam satisfeitos com os resultados alcançados pela Ferrari, pois a marca italiana continuava a bater recordes de vendas, mas foi a influência permanente de Montezemolo na gestão diária da Scuderia Ferrari que jogou contra o italiano, passando a ser considerado o principal culpado pela ausência de títulos desde que Kimi Raikkonen venceu o Mundial de 2007.
Enquanto Jean Todt e Ross Brawn estiveram na Ferrari, os dois trabalharam muito bem em conjunto para manter Montezemolo fora da gestão quotidiana da Scuderia, mas quando ambos abandonaram a equipa, o presidente da Ferrari impôs a promoção de homens da sua confiança, como Stefano Domenicali, funcionários com boas carreiras mas sem temperamento para lhe fazer frente e mantê-lo afastado do departamento de competição.
Todas as grandes decisões – contratação ou despedimento de pilotos e engenheiros, por exemplo – foram sempre tomadas por Montezemolo, com Domenicali sempre numa posição de subserviência até que, no início de 2014, se recusou a despedir o seu amigo Luca Marmorini e preferiu afastar-se da Ferrari, dando lugar a Marco Mattiacci.
Com os resultados de 2014 a serem francamente desastrosos para os padrões da Ferrari, Sérgio Marchione, homem forte do Grupo Fiat, aproveitou a oportunidade para convencer as famílias Agneli e Elkham a afastar Montezemolo da presidência da marca italiana. O relacionamento entre Marchione e Montezemolo nunca foi dos melhores, pois os dois homens têm formas de atuar e pensar completamente diversas, bem se podendo dizer que Montezemolo representava a Velha Itália enquanto Marchione é um dos lideres duma nova geração, com princípios e ética de trabalho mais adaptadas às novas realidades. Os resultados de Marchione na liderança do Grupo Fiat deram-lhe uma enorme credibilidade interna e, por isso, pode finalmente conseguir afastar Montezemolo, assumindo a presidência da Ferrari.
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Speedway
21 Outubro, 2016 at 18:43
O sr Marchionne da indústria percebe bem, e tem nesse campo provas dadas, onde salvou da falência a Fiat e (talvez) a Alfa Romeo, etc.
Meter-se na F1 foi um risco (calculado), que ele deve ter pesado bem, Sinceramente não sei se foi uma promoção,se foi uma despromoção.Depende da perspectiva.
O sr Montezemolo esteve à frente da Ferrari no período em que a marca maiores êxitos conseguiu na F1. Esse mérito ninguém lho pode tirar. Embora os métodos por ele utilizados tivessem deixado a desejar no que a ética e fair play dissesse respeito.
Uma coisa é certa ; a Ferrari é das equipas que mais dinheiro gasta, como sempre foi, tem um estatuto privilegiado junto da FIA e do Ecclestone, etc. Ou seja jogam sempre com 12 ! Mesmo com os favores que a FIA regularmente lhes faz tem tido dificuldade em imporem-se .Não lhes abona nada !
Até digo mais,se não fosse esse estatuto de privilégio que tem tido, o palmarés da marca seria para aí metade do que é. Por isso muita gente não leva a Ferrari a sério, eu incluindo.
Para o ano, com as alterações grandes do regulamento,vão ter mais uma hipótese de virem para cima, mas eles…são italianos,não há nada a fazer !
João Pereira
21 Outubro, 2016 at 20:04
Bem “metida”!
Concordo plenamente.
Sinceramente, sempre tenho defendido (sem ser fan), que a Ferrari faz falta à F1 mas não é essencial.
Tem carisma e o maior palmarés, mas que tem sido construído ao longo da maior permanência entre todas as equipas que já fizeram ou fazem parte da F1, É preciso não esquecer, que entre os seus recordes, a Ferrari é aquela que tem o maior número de anos consecutivos sem ser campeã depois de já o ter sido: 19 anos sem vencer os construtores e 21 sem vencer os pilotos… Será que merece de facto os previlégios de que usufrui?
Certo é que de há mais de 40 anos que tem sido gerida de forma mais politica que desportiva, ou mesmo comercial. Curiosamente, Montezemolo era um homem de Enzo nos anos 70, mas ainda não se tinha dedicado á politica. Digo eu…
[email protected]
21 Outubro, 2016 at 22:06
Coincidência ou não o certo é que foi o Montezemolo que levou o Lauda para a Scuderia e a Scuderia novamente aos títulos, depois leva o Jean Todt, o Schumy, o Ross Brawn para a Scuderia e esta domina de forma avassaladora. Conivência da FIA? Não me parece. Uma coisa é evidente e não se pode negar: o Luca di Montezemolo tem ampla experiência nestas andanças e fez-se valer disso mesmo para organizar grandes equipas, além disso é um estratega político exímio e sou da opinião que faz falta à Ferrari e à F1.
Cumps.
GillesI
22 Outubro, 2016 at 1:32
“…. se fez no sentido de dar à Ferrari novas condições para voltar a ganhar, e os dois últimos anos foram ainda bem piores do que 2014”
“Com os resultados de 2014 a serem francamente desastrosos para os padrões da Ferrari…” os números confirmam o rigor jornalístico desta peça. Gostava ainda de saber a relação entre as vendas de 2015 e 2016 e os resultados desportivos para ver se houve um desastre, embora eu não acredite muito nisso, porque a evolução nas vendas tem estado sempre muito acima dos resultados desportivos. Enfim, está na moda.