WRC, Rali de Portugal: Adrien Fourmaux e a Hyundai são os primeiros líderes
Adrien Fourmaux (Hyundai i20 N Rally1) é o primeiro líder do Rali de Portugal, depois de vencer a especial de abertura da prova, Águeda/Sever, um troço que já deixou perceber que há favoritos que não começaram bem.
Apesar de partir na frente e limpar a estrada, Elfyn Evans (Toyota GR Yaris Rally1) foi segundo a 0.1s, com
Oliver Solberg (Toyota GR Yaris Rally1) e Dani Sordo (Hyundai i20 N Rally1) logo a seguir, respetivamente a 0.2s e 1.2s. Sébastien Ogier (Toyota GR Yaris Rally1) foi apenas sétimo, perdeu 5.0s e queixou-se do equilíbrio do carro.
Thierry Neuville (Hyundai i20 N Rally1) cometeu um ligeiro erro.
Como se percebe, o drama desta especial de abertura resume-se a uma luta desenfreada ao décimo de segundo e a um duro choque de realidade para os campeões. Adrien Fourmaux assume a liderança do rali pela margem ínfima de 0.1s sobre um heroico Elfyn Evans — que assinou um tempo magistral mesmo tendo a desvantagem total de varrer a estrada — e 0.2s sobre Oliver Solberg.
A surpresa do dia é a quebra precoce de ritmo das lendas: Sébastien Ogier e Thierry Neuville perderam contacto com os líderes devido a problemas de equilíbrio e tração nas superfícies que já começam a ficar degradadas. O piso já começou a desfazer pneus, como se viu na borracha de Fourmaux, provando que a gestão estratégica será uma questão de ‘vida ou morte’ neste rali. O espanhol Dani Sordo intromete-se habilmente no topo, garantindo a promessa de uma luta selvagem no topo da tabela.
No WRC2, Teemu Suninen (Toyota GR Yaris Rally2) foi o mais rápido, 3.6s na frente de Jan Solans (Skoda Fabia RS Rally2), seguindo-se Yohan Rossel (Lancia Ypsilon HF Rally2) a 4.9s, com Andreas Mikkelsen (Škoda Fabia RS Rally2) em quarto a 5.6s. Seguiram-se Alejandro Cachón (Toyota GR Yaris Rally2) a 6.2s da frente, Gus Greensmith (Toyota GR Yaris Rally2) a 6.3s e Roope Koorhonen (Toyota GR Yaris Rally2) a 8.9s.
Fime da especial
A luz verde acendeu e a primeira especial do rali está oficialmente na estrada, com o Toyota de Elfyn Evans. Com a ingrata e punitiva tarefa de ser o primeiro a varrer a gravilha, o galês lança-se numa luta solitária contra a falta de aderência mas cruza a linha de meta com a marca de 11:06.7 e um desabafo duro: o piso está muito solto, como se temia, mas é o que há.
Takamoto Katsuta e Sami Pajari arrancam logo de seguida. Nos parciais intermédios, Katsuta já vai perdendo mais de dois segundos e meio para Evans, termina queixando-se de níveis decentes de aderência, mas de uma subviragem indomável que lhe custa três segundos e meio. Pajari vem no seu encalço com ligeiras melhorias no quarto parcial, mas fecha o troço atrás de Evans, confessando o quão difícil é julgar o ritmo abrindo a estrada num rali tão diferente.
O cenário muda de figura quando o Hyundai de Adrien Fourmaux rasga a floresta, desencadeando a fase de ataque total à tabela. Nos monitores de tempos, os parciais começam a piscar num verde eletrizante cortesia de Oliver Solberg noutro Toyota. O jovem sueco parece voar sobre a terra, acendendo parciais verdes um atrás do outro. Mas a floresta dita as suas próprias regras.
Ao entrar na zona mais estreita do bosque e no circuito de ralicross, o instinto de preservação da borracha fala mais alto. Solberg cruza a meta a apenas um suspiro — um mero décimo de segundo — do tempo de Evans, cimentando subitamente a noção de que a prestação inicial do galês, a varrer a estrada, foi um esforço de proporções quase épicas.
Mas a glória no topo da tabela duraria muito pouco para a Toyota. Como um autêntico míssil balístico, Fourmaux atira-se para lá do limite e crava um novo tempo de referência: 11:06.6. É um décimo de segundo mais rápido que Evans. “O chão estava a desfazer-se, cheio de pedras soltas, mas diverti-me imenso”, sorri o francês, enquanto o pó assenta e revela a fatura cobrada pelo ataque brutal: o seu pneu duro dianteiro direito está visivelmente danificado, com os blocos de borracha rasgados pelas pedras afiadas.
Enquanto a juventude celebra na frente, o drama abate-se sobre a realeza do campeonato. Sébastien Ogier levanta sobrancelhas quando o ecrã dita um atraso grande. O francês, campeão em título, cede cinco segundos inteiros para Fourmaux e sai do carro com um semblante pesado, confessando lutar de forma inglória contra um carro sem o equilíbrio certo. O infortúnio alastra-se a Thierry Neuville, campeão de 2024; o belga da Hyundai apanha um susto no derradeiro gancho do percurso. Pensou ser a quebra de um eixo de transmissão, mas que afinal se revelou apenas o desespero das rodas a patinarem no vazio. Cedeu mais de seis segundos para a frente.
A armada da M-Sport Ford, pela mão de Jon Armstrong, opta por equipar quatro pneus duros para preservar os compostos macios para a guerra futura, custando-lhe dez segundos no relógio na sua primeira verdadeira especial de gravilha. É preciso a classe inesgotável e cirúrgica do veterano espanhol Dani Sordo para voltar a eletrificar o ritmo; com o Hyundai a desenhar linhas perfeitas no pó, Sordo elogia a fantástica afinação do carro e encaixa-se num brilhante quarto lugar, colado à frente.
Nas últimas passagens, o irlandês Josh McErlean resgata sorrisos na M-Sport, assumindo-se como o mais rápido do seu grupo perante o seu próprio espanto, enquanto o letão Mārtiņš Sesks fecha a contagem dos Rally1 numa agonia de ferrugem competitiva. Hesitante, a somar perdas de tempo que ultrapassam os quinze segundos, tenta ainda encontrar a ligação perdida entre o homem e a máquina.
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