WRC, Rali de Monte Carlo/PEC7: trocou-se o gelo pela lama, mas não o ‘patinador-mor’: Oliver Solberg

Por a 23 Janeiro 2026 15:00

Oliver Solberg-Elliott Edmondson (Toyota GR Yaris Rally1) ampliaram a liderança com mais uma vitória em troços, enquanto Jon Armstrong-Shane Byrne (Ford Puma Rally1) pagavam caro o preço da aprendizagem, Takamoto Katsuta-Aaron Johnston (Toyota GR Yaris Rally1) lutava com o carro avariado e Adrien Fourmaux-Alexandre Coria (Hyundai i20 N Rally1) sobrevivia a um pião. Num rali onde cada curva é uma roleta, o sueco da Toyota continua a escrever o guião de herói quase invencível, deixando os rivais a debaterem-se na perseguição.

Solberg ganhou o troço 1.9s na frente de Sébastien Ogier-Vincent Landais (Toyota GR Yaris Rally1) com Elfyn Evans-Scott Martin (Toyota GR Yaris Rally1) em terceiro a 2.8s. Na frente, as margens entre o trio da frente passaram para 1m07.0s entre Solberg e Evans, com Ogier 34.8s atrás do companheiro de equipa galês.

Com os problemas de ‘Taka’, Hayden Paddon-John Kennard (Hyundai i20 N Rally1) subiu a sétimo,sendo essa a única troca no top 10 entre os Rally1. Jon Armstrong deu um toque e perdeu mais de 30 segundos.

Filme da especial

O ‘sol’ da tarde começou a derreter a neve nos Alpes franceses quando os carros voltaram à SS7 Laborel / Chauvac-Laux-Montaux 2, pelo que a repetição do troço da manhã estava agora transformado num pântano traiçoeiro. A lama acumulada das passagens anteriores criava um tapete escorregadio, e o gelo matinal dava lugar a poças profundas que lançavam os Rally1 num verdadeiro teste de sobrevivência.

O gelo negro é pior, porque é cínico e invisível, mas esta sopa de lama não é muito melhor. E o caos instalou-se: Takamoto Katsuta lutava com a direção assistida avariada no seu GR Yaris Rally1, o volante rígido como pedra, enquanto Adrien Fourmaux rodava completamente num dos primeiros ‘épingles’ (ganchos), o Hyundai dar voltas sobre si mesmo antes de recuperar a trajectória.

Percebia-se que iria haver incidentes, a tensão no ar era palpável quando os primeiros tempos começaram a cair. Ogier foi o pioneiro da tarde, enfrentando um inferno de lama e água inesperada. O Toyota escorregava em cada cruzamento, o feeling era estranho: “É uma loucura, muitos cortes e mais água do que esperávamos. Talvez seja eu”, confessava ao cruzar a meta com 13:18.6, o rosto marcado pela frustração de quem sabe que a montanha não perdoa dúvidas. Até nem perdeu muito. Estava difícil para todos.

Logo atrás, Evans mantinha a cabeça fria, navegando pelo caos com a precisão cirúrgica possível. “Há muitas coisas que podem acontecer. Super lamacento, só a tentar não meter-me em sarilhos”, relatava após 12:11.9, provando que a experiência galês era a melhor arma contra o imprevisível. Neuville seguia de perto, sentindo a evolução da pista. “Menos gelo e neve que de manhã, mas agora é a lama que temos de enfrentar. Há muita”, descrevia com 12:49.3, cada palavra um reconhecimento da batalha constante.

A meio da especial, Fourmaux completava o seu regresso à normalidade após o pião inicial, mas o cronómetro não mentia: 12:27.4. “Estamos cá. A estrada muda o tempo todo, tínhamos muito mais gelo nas notas”, explicava, aliviado por estar inteiro num dia que já levava tantos a contar histórias de “quase”.

Mas o verdadeiro drama surgia com Armstrong, o irlandês da M-Sport que via o seu Ford sofrer um furo no pneu traseiro direito. O aquaplaning apanhou-o de surpresa numa curva, o carro a ‘virar-se’ contra o ‘banco’, o impacto ecoou no cockpit. Chegou ao fim 31 segundos atrás do ritmo, exausto: “Apanhou-me de surpresa, o aquaplaning. A especial foi ok até ali, e depois… não sei que danos temos, mas vamos ver se continuamos.”

Depois, Oliver Solberg. O líder do rali enfrentava a lama pegajosa e os pneus que não obedeciam, mas controlou cada deslize melhor que todos os outros. 12:10.0, mais uma vitória em troços, o cronómetro a confirmar o domínio absoluto. “Muito difícil, lama por todo o lado. Não é fácil com estes pneus, mas dei o meu melhor. Fui muito cuidadoso, acho que todos temos de ser. Só tento controlar-me”, dizia, a voz calma contrastando com o coração acelerado de quem sabia que cada segundo ganho era um passo mais perto da glória. Ou da ‘queda’.

Paddon fechava o grupo com 12:49.9, sexto mais rápido, sobrevivendo à lama que lembrava alguns rali na Nova Zelândia: “É consistente, mas muita lama. Estamos a fazer pequenas melhorias no carro, ganhei um pouco mais de confiança, mas admito: estas não são as minhas condições. Faço o que posso com o que temos.”

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