WRC: Kalle Rovanpera vence ‘Grande Prémio’ da Finlândia, Toyota volta a destacar-se…

Por a 3 Agosto 2025 14:06

Finalmente, o despertar do Rei da Finlândia, que curiosamente nunca tinha ganho a ‘sua’ prova ‘caseira’. Após vários anos a beijar a glória, mas a sentir o sabor amargo da derrota em casa, Kalle Rovanperä por fim ergueu o troféu no seu território, com o mais recente ‘monarca’ a reclama o seu trono.

Num ano que não lhe está a correr particularmente bem, antes pelo contrário, teve por fim uma vitória ‘sem espinhas’ na terra, pois no asfalto já tinha dominado por completo o Rali das Canárias. Agora, resta saber se este triunfo não é apenas uma vitória, mas sim uma declaração de intenções, ou seja: “meus senhores acabou-se a ‘papa doce’” e o finlandês regressou aos seus melhores tempos que lhe valeram dois títulos mundiais seguidos em 2022 e 2023, antes do ‘Part-time by Drift’ em 2024.

O jovem piloto finlandês, que chegara a esta prova com a sombra do fracasso do Rali da Estónia, onde nem ao pódio chegou, e transformou a dúvida em determinação. A Finlândia, com os seus saltos míticos e estradas que parecem pistas de voo livre, foi o palco perfeito para o seu renascimento.

Mais do que os pontos preciosos, o importante é o facto de se ter voltado a juntar-se à luta pelo título de pilotos.

Se as coisas foram perfeitas para Rovanpera, o que dizer da autêntica festa da Toyota. A equipa japonesa dominou a prova de forma avassaladora, com Takamoto Katsuta a garantir o segundo lugar, após uma luta titânica – provavelmente ‘aligeirada’ pelos bons conselhos de Juha Kankkunen – com Sébastien Ogier e Elfyn Evans. Apesar de ter sido superado, Evans recuperou a liderança do campeonato, numa batalha que cada vez mais se prevê intensa até ao último rali. E a recente promessa de Ogier em participar no Rali do Paraguai só adiciona mais lenha a esta fogueira competitiva.

O triunfo da Toyota foi tão imponente que se tornou histórico: a marca nipónica conquistou um “quintuplicado” improvável, com Sami Pajari a completar o feito. Um domínio que só tinha sido alcançado uma única vez na história do WRC, pela Lancia no Rali de Portugal de 1990. E sabe quem foi o quinto classificado? Um Senhor chamado Carlos Bica e o seu Lancia Delta Integrale 16v.

No lado oposto da moeda, a Hyundai viveu um pesadelo, mais por azar, do que por falta de performance. Até à PEC 15, Thierry Neuville e Adrien Fourmaux eram segundo e terceiro classificados, mas um duplo furo atrasou-os, e deixou a Toyota com os seus cinco carros no topo.

Como resultado, foi, sem dúvida, um dos piores fins de semana da sua história no WRC, e a corrida pelo título de construtores parece já ter um vencedor. O desastre continuou na Power Stage, com Ott Tänak a cometer um erro, a penalização de Adrien Fourmaux e o desempenho muito pálido de Thierry Neuville. Um fim de semana para esquecer, que apenas realça a grandeza do momento vivido pela Toyota e por Kalle Rovanperä, o rei que finalmente conquistou o seu reino.

Desta forma, não só elfyn Evans recuperou a liderança do campeonato, com 176 pontos, como a Toyota tem agora três pilotos nos primeiros três lugares com Kalle Rovanpera a três pontos de Evans e Sébastien Ogier dez pontos mais atrás… com os mesmos pontos de Ott Tanak. É bem capaz de ter razão, Thierry Neuville: com 125 ponto e com quatro piloto à sua frente será muito difícil (mas possível) revalidar o título.

Nem tudo perfeito, nem tudo mau…

No Rali da Finlândia, a “casa” da Toyota, a marca japonesa transformou o que poderia ser uma prova desafiadora num verdadeiro show de domínio. Com uma performance avassaladora, numa prova que só perdeu uma vez para a Hyundai em 2022, a equipa japonesa conseguiu um feito notável: um “lockout” das cinco primeiras posições.

Kalle Rovanperä finalmente quebrou a maldição de nunca ter vencido em casa, mas o rali não foi apenas sobre o campeão finlandês, mas também sobre a ascensão de Takamoto Katsuta ao segundo lugar e a consistência do experiente Sébastien Ogier no pódio, tudo isto enquanto os adversários da Hyundai enfrentavam desafios e contratempos.

Kalle Rovanperä, o bicampeão mundial, chegou ao Rali da Finlândia com a pressão de ainda não ter vencido em casa e com uma fase menos consistente em ralis de terra. No entanto, a sua performance foi um verdadeiro regresso à forma. Na manhã de sexta-feira, Rovanperä arrancou de forma fulgurante, assumindo a liderança com 4,4 segundos de vantagem sobre Adrien Fourmaux, após vencer duas das quatro especiais. Admitindo estar “comprometido” e a “conduzir o mais rápido possível”, demonstrou desde logo a sua intenção.

No final de sexta-feira, o finlandês consolidou a liderança, terminando o dia com 4,9 segundos de vantagem sobre Thierry Neuville. Apesar de ter confessado que a afinação do seu Toyota “não funcionava nos regos” e que se sentiu “por todo o lado”, conseguiu quatro vitórias em especiais, mostrando uma resiliência notável.

O sábado de manhã viu Rovanperä alargar a sua vantagem para 12,0 segundos, apesar de um susto com a deflação do pneu traseiro direito na especial de Päijälä. Respondeu de imediato na especial seguinte, Leustu, conquistando a sua 250ª vitória em especiais do WRC e restabelecendo uma margem de 14,7 segundos.

O final de sábado foi ainda mais decisivo, com Rovanperä a construir uma vantagem de 36,1 segundos, beneficiando dos problemas da Hyundai, mas mantendo um ritmo forte e controlado. A sua vitória, a primeira em casa, foi a cereja no topo do bolo para uma prestação quase perfeita.

Takamoto Katsuta teve uma prova consistente, mas com uma evolução notável para a segunda posição. Nunca o japonês tinha conseguido dois segundos lugares no mesmo ano. Na Suécia e agora na Finlândia. Bem jeito lhe dão para quando a equipa avaliar o seu line up de 2026.

Na manhã de sexta-feira, ocupava a quarta posição, muito próximo dos pilotos da frente. No final do dia, estava a apenas quatro décimos de segundo de Adrien Fourmaux, que era terceiro, e celebrou a sua 50.ª vitória em especiais do WRC.

O sábado de manhã trouxe alguns desafios para Katsuta, que sentiu subviragem indesejada, perdendo terreno para Fourmaux e vendo as suas esperanças de pódio ameaçadas. No entanto, conseguiu aumentar a sua vantagem sobre os pilotos que o perseguiam. A sorte virou-se a seu favor na tarde de sábado, quando os problemas da Hyundai lhe permitiram herdar a segunda posição. A sua capacidade de manter um ritmo sólido e evitar grandes erros foi crucial para este excelente resultado.

O vencedor do ano anterior, Sébastien Ogier, começou o rali em sétimo lugar na manhã de sexta-feira, quatro décimos de segundo atrás de Elfyn Evans. Sentiu que poderia ter feito melhor, mas a proximidade dos tempos e pequenas hesitações custaram caro. No final de sexta-feira, Ogier subiu para a sexta posição, 1,9 segundos atrás de Sami Pajari. Sentiu-se ligeiramente prejudicado pelas condições da estrada na sua posição de partida, e um breve “stall” na especial de Saarikas 2 custou-lhe segundos preciosos.

No sábado de manhã, Ogier progrediu, ultrapassando Sami Pajari na última especial da manhã para reclamar o quinto lugar, 10,5 segundos atrás de Katsuta. A sua experiência e capacidade de adaptação às condições da estrada foram evidentes. No final de domingo, Ogier consolidou a sua posição no pódio, terminando em terceiro lugar, a apenas 5,9 segundos de Katsuta, mostrando a sua consistência e aproveitando os percalços dos adversários.

Elfyn Evans foi quarto classificado. Depois de perder a liderança do campeonato para Ott Tänak na ronda anterior, começou o Rali da Finlândia em sexto lugar na manhã de sexta-feira, 4,4 segundos atrás de Thierry Neuville. No final do dia, terminou em sétimo, 8,4 segundos atrás de Ogier, tendo sido afetado por condições de estrada semelhantes às do seu colega de equipa.

No sábado de manhã, Evans mantinha-se em sétimo, com os carros da Toyota a ocuparem as posições de quarto a sétimo. No final de sábado, Evans subiu para a quarta posição, e hoje reclamou de novo a liderança do campeonato, dado que Tänak ficou fora do top 10. A sua prova foi de recuperação e consistência, beneficiando da desgraça alheia para subir na classificação.

Sami Pajari foi quinto. O “rookie” teve um início de rali impressionante. Na manhã de sexta-feira, estava em terceiro lugar, a apenas quatro décimos de segundo de Adrien Fourmaux, e conquistou duas vitórias em especiais, um ano depois da sua primeira vitória em especiais do WRC neste mesmo evento. No final de sexta-feira, foi superado por Katsuta por 7,6 segundos, mas demonstrou o seu ritmo com mais duas vitórias em especiais.

No sábado de manhã, Pajari viu Ogier ultrapassá-lo para o quinto lugar na última especial. No entanto, no final de sábado, Pajari completou o notável “lockout” das cinco primeiras posições para a Toyota, terminando em quinto lugar, um bom resultado para o jovem piloto, o seu segundo melhor do ano, depois do quero posto do Safari.

Thierry Neuville não merece o o azar que tem tido por vezes, mas os ralis são mesmo assim. Terminou em sexto, o que é um mal menor, mas um mau resultado para as suas aspirações. É o atual campeão em título, começou o rali em quinto lugar na manhã de sexta-feira, “a lutar contra o carro” e “com dificuldades em manter a traseira na linha”. No dia seguinte, apesar de admitir que as especiais não eram do seu agrado e que estava “a arriscar”, conseguiu garantir o segundo lugar, graças a uma série de tempos no top três, mesmo com um para-brisas rachado.

O sábado de manhã viu Rovanperä aumentar a sua vantagem sobre Neuville. O belga venceu a especial de Päijälä devido a um problema no pneu de Rovanperä, mas enfrentou pressão constante do seu colega de equipa Adrien Fourmaux. No entanto, o dia de Neuville viria a ter um final dramático. Na tarde de sábado, sofreu uma deflação idêntica no pneu dianteiro direito na mesma especial que Fourmaux, caindo para a sexta posição. No final do dia, Neuville estava frustrado, admitindo que “qualquer bom resultado e qualquer esperança para o campeonato estava basicamente perdida”. É bem capaz de ter razão, e para piorar o domingo não correu nada bem à Hyundai. quase parece a Lei de Murphy a funcionar.

Josh McErlean foi sétimo e repetiu o seu melhor resultado do ano até aqui, por acaso logo no Monte Carlo.

A equipa M-Sport Ford ‘reservou’ as posições de nono a décimo primeiro na manhã de sexta-feira. No final de sexta-feira, estava em nono lugar, atrás de Mārtinš Sesks, que liderava a batalha interna da equipa. No sábado de manhã, manteve-se à frente de Grégoire Munster. A sua prova foi marcada pela consistência, conseguindo subir na classificação à medida que outros pilotos enfrentavam problemas, terminando num sólido sétimo lugar.

Mārtinš Sesks liderou o trio da M-Sport Ford na manhã de sexta-feira, ocupando a nona posição. Manteve a liderança na batalha interna da equipa no final de sexta-feira, em oitavo lugar. No dia seguinte de manhã, Sesks manteve a sua liderança interna e a oitava posição geral. No entanto, na tarde de sábado, Sesks enfrentou o seu próprio drama quando o embaciamento do para-brisas, causado pela chuva, forçou uma paragem de dois minutos na especial 15. Este atraso fê-lo cair para a décima posição, mas conseguiu recuperar para o oitavo lugar na classificação final, onde viria a terminar a prova.

Grégoire Munster, também da M-Sport Ford, teve um início de rali mais complicado. Na sexta-feira, foi atrasado por uma “grande derrapagem” na SS3 e uma saída de estrada na SS4. Terminou o dia em décimo primeiro. No sábado de manhã, estava em nono e apesar dos contratempos iniciais, Munster conseguiu manter-se na prova e progredir cm os abandonos à sua frente terminando na nona posição.

Ott Tänak, até aqui líder do campeonato, teve um rali para esquecer. Conquistou apenas um ponto no campeonato, terminando em 10.º lugar, após um fim de semana difícil, é verdade que abriu a estrada, mas depois bateu numa árvore e danificou o radiador, e recebeu uma penalização de cinco minutos por um incidente com um comissário e, finalmente, fez um pião na Powerstage de Ouninpohja quando um pneu se descolou.

Começou a sexta-feira em oitavo lugar, 16,1 segundos atrás do ritmo, depois de abrir a estrada pela primeira vez em mais de dois anos. Descreveu a sensação como “bastante terrível”, admitindo que “não tinha o pacote para abrir a estrada rapidamente”. No final de sexta-feira, Tänak caiu para décimo lugar após um impacto com uma árvore na SS7, que o deixou a lidar com danos nas três especiais restantes.

O sábado trouxe mais problemas para Tänak. Recebeu uma penalização de cinco minutos por um incidente envolvendo um comissário numa zona de verificação de pneus na sexta-feira, o que o deixou fora do top 10. No final de sábado, Tänak estava focado apenas em tentar conquistar pontos no “Super Sunday” e na “Wolf Power Stage”, com as suas esperanças de um bom resultado geral desfeitas. Conseguiu um ‘pontito’…

Adrien Fourmaux foi o melhor piloto da Hyundai na manhã de sexta-feira, em segundo lugar, a apenas quatro décimos de segundo de Sami Pajari. No final de sexta-feira, estava em terceiro lugar, a apenas 2,8 segundos de Neuville, após uma performance consistente que incluiu uma vitória em especial partilhada com Rovanperä na SS8.

No sábado de manhã, Fourmaux estava a apenas três décimos de segundo de Neuville, mantendo a pressão. No entanto, a tarde de sábado foi desastrosa para a Hyundai. Fourmaux sofreu uma deflação idêntica no pneu dianteiro direito na mesma especial que Neuville, caindo para a sétima posição. Este problema tirou-o da luta pelo pódio e pela classificação geral, e no domingo desistiu depois de um furo na PowerStage. De mal a pior…

A edição de 2025 do Rali da Finlândia não só marcou a primeira vitória de Kalle Rovanperä em casa, um feito há muito aguardado, como também sublinhou o poderia da Toyota face a mais um quase descalabro da Hyundai.

Agora, o WRC vai para a América do Sul depois de um período de férias, com os ralis do Paraguaia e Chile, depois volta à Europa para o asfalto e termina com os ralis do Japão, em asfalto e a novidade absoluta da Arábia Saudita.

FOTO @World

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1 comentários

  1. [email protected]

    5 Agosto, 2025 at 8:29

    Parabéns!
    E ao Evans por ter recuperado a liderança do campeonato…

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