No último e imprevisível dia do Rali de Monte Carlo, a escolha de pneus foi decisiva e manteve todos em tensão. Apesar da pressão de Adrien Fourmaux, que reduziu para metade a vantagem de Sébastien Ogier antes do mítico Col du Turini, as condições traiçoeiras e uma aposta certeira da Toyota garantiram que o rali mais difícil da temporada terminasse com a ordem inalterada, confirmando o domínio dos homens da frente.
As condições da estrada e a escolha de pneus são sempre traiçoeiras e a Toyota, tal como a Hyundai tiveram que correr riscos no último dia de prova, mas a balança tinha que pender para um dos lados. Tendo que escolher pneus para toda a secção final e depois de ter chegado ao último dia com 20.3s de avanço, bastava uma má escolha para virar o tabuleiro, mas apesar de Adrien Fourmaux ter cortado para metade o avanço à entrada do Turini, tudo dependeria de como aí estivessem as condições e a Toyota apanhou um susto.
Sabiam que havia gelo, mas também sabiam que o troço e a montanha estavam bem expostos ao sol, contudo, é impossível ter a certeza se seca ou não seca. Tem que se apostar num ‘cavalo’ e esperar pela corrida.
A grande maioria do troço estava seco, e bem seco, mas bastou o facto de 3 Km antes do Col du Turini, escondidos pelas árvores se terem mantido gelados, foi mais do que suficiente para que Adrien Fourmaux, o único entre os homens da frente que tinha quatro pneus super macios, não poder arriscar, porque eram bons na parte seca, mas no gelo simplesmente iria perder o dobro do que ganhava no resto do troço. Por isso, Fourmaux teve que cruzar pneus e com isso todos ficaram com pneus semelhantes, ou melhor, Fourmaux ficou sem pneus para fazer a diferença, porque esperava o troço seco e esteve não secou. Se tivesse secado, a Toyota tinha perdido o rali, porque Fourmaux iria fazer o mesmo que fez na PEC 17 e provavelmente ganharia a Ogier o tempo que precisava para vencer o rali. É que Elfyn Evans nem era tema.
Isto era a teoria, porque a realidade foi que nem Evans, Fourmaux conseguiu bater. A ordem ficou a mesmo que estava e os homens da Toyota até ficaram na frente da PowerStage.
Também Ott Tanak acabou por perder para Kalle Rovanpera, porque o estónio fez uma escolha de dois pneus de cada composto, para estar sempre meio-certo em todo o lado, mas acabou por ser errado, porque quem arriscou do lado da Toyota, acertou na mouche. E quem assistiu, referiu momentos tensos nessa fase antes dos carros saírem da assistência, o que significa que a Toyota não tinha certezas e houve hesitações. Felizmente, acertaram.
Quem viu a entrevista de Kaj Lindstrom à WRC TV percebeu o nervosismo.
Desta vez, correu bem. E este era o rali mais difícil do ano neste particular, pois nos restantes nunca há tanta latitude nas escolhas que faça o piloto que segue em terceiros ‘dar’ uma média de 20 segundos aos dois pilotos da frente num só troço como sucedeu na PEC 17 do Rali de Monte Carlo.










