WRC: 80º triunfo de Sébastien Loeb no WRC, 8º no ‘Monte’

Por a 24 Janeiro 2022 11:19

FOTOS @World/André Lavadinho; Oficiais (marcas) e RedBull ContentPool

Sébastien Loeb/Isabelle Galmiche (Ford Puma Rally1) venceram o Rali de Monte Carlo depois duma reviravolta de última hora, quando Sébastien Ogier/Benjamin Veillas (Toyota GR Yaris Rally1) furaram no penúltimo troço e perderam uma vantagem de 24.6s, rumando ao derradeiro troço, 9.5s atrás. Na PowerStage, Ogier ainda tentou, mas fez falsa partida. Craig Breen/Paul Nagle terminaram no pódio, ‘oferecendo’ uma bela estreia ao Ford Puma Rally1.

Nos últimos tempos o desporto automóvel mundial parece manter uma aura especial, em que a maiori das grandes competições têm drama e emoção para dar e vender. Se um qualquer argumentista de Hollywood tratasse de escrever mitos dos ‘scripts’ que temos vistos nos últimos tempos no desporto automóvel, precisaria de estar muito inspirado para ‘inventar’ algumas das histórias que têm sucedido na realidade.

É claro que aquela volta final de Abu Ahabi na Fórmula 1 é digna de Alfred Hitchcock, com muita mão de Steven Spielberg, Martin Scorsese e até imagine-se o ‘caos’ de Quentin Tarantino, mas o que se passou este fim de semana em Monte Carlo, num rali quase sem neve e gelo que tantas vezes apimenta sobremaneira a competição, foi de exceção.

Em primeiro lugar o incrível acidente de Adrien Fourmaux, e o facto de ninguém se ter aleijado, depois a luta de ‘Sebs’ Loeb e Ogier. Mais tarde o Sisteron, o ‘verdadeiro’ Monte Carlo e a saída de estrada de Elfyn Evans quando os parciais mostravam que se estava a juntar à ‘festa’ de Loeb e Ogier. Por fim, quando já se pensava que Ogier ia voltar a vencer o ‘Monte’, um furo tudo muda. Como se não bastasse, sem a falsa partida Ogier ainda tinha ‘chama’ para tudo tentar na PowerStage, mas a ânsia de chegar mais depressa fê-lo arrancar depressa demais. E foi penalizado.

Como se percebe, parece um argumento escrito e pensado para um ótimo filme. Só que foi o destino e não um argumentista que quis assim.

Claro que no meio disto tudo, Sébastien Loeb não se fez rogado, e depois do segundo lugar no Dakar com o BRX Hunter da Prodrive, chega à sua oitava vitória no Rali de Monte Carlo, a primeira desde 2013.

Há muito que faltam palavras para os feitos deste piloto, que aproveitou bem algo que já se ‘desconfiava’, um Ford Puma Rally1 Hybrid muito competitivo, que permitiu três carros da equipa nos cinco primeiros lugares, algo que já não era visto há muito, muito tempo. A equipas fez três 1/3/6 em 2017, mas este 1/3/5 ainda é melhor! E para encontrar melhor das equipas oficiais da ford, é preciso recuar muito.

Para Sébastien Ogier e para a Toyota é uma desilusão esta derrota, pois fizeram muito por merecer o triunfo, mas os ralis são assim mesmo, qualquer coisa pode fazer mudar o rumo dos acontecimentos, a qualquer momento.

Depois de ter chegado ao fim do segundo dia 9.9s atrás de Loeb, Ogier atacou forte e dois troços depois na PE10, empatou com Loeb, passando para a frente logo a seguir, chegando ao fim do terceiro dia com 21.1s de avanço para o seu compatriota da Ford, o que seria mais do que suficiente, em condições normais.

Mas os ralis estão ‘fartos’ de mostrar que nada se decide até às classificações se tornarem oficiais, pelo que um furo numa das rodas do Toyota GR Yaris Rally1 converteu um avanço de 24.6s num atraso de 9.5s e na PowerStage, Loeb limitou-se a confirmar o triunfo.

Qualquer um dos dois, se vencesse, era merecido. Foi Loeb, que assegura assim a sua 80ª vitória no WRC.

O veterano francês torna-se também no mais velho vencedor de sempre de uma prova do WRC, com 48 anos, batendo o anterior máximo de Bjorn Waldegard, que aos 46 anos e 155 dias venceu o Rali Safari de 1990. A última vez que um ‘veterano’ tinha vencido uma prova do WRC foi na Catalunha 2018, quando Sébastien Loeb triunfou aos 44 anos e 244 dias. Soberbo!

Outro ‘marco’ muito importante: Desde que Fabrizia Pons venceu o Rali de Monte Carlo ao lado de Piero Liatti, em 1997, que nenhuma navegadora vencia uma prova do WRC.

Loeb começou no rali por ser batido por Ogier. Estava dado o mote neste nova era do WRC. Foi no mínimo curioso a era começar com um ‘duelo’ Ogier/Loeb. E logo no Turini.

No segundo dia Loeb foi para a frente, manteve-se líder até à PE10, troço em que Ogier empatou a contenda. O francês mais novo foi para a frente e aí ficou até ao furo da penúltima especial quando já não se esperavam trocas de posição.

Grande resultado para Craig Breen/Paul Nagle (Ford Puma Rally1), que terminaram o rali no terceiro lugar, o que já não conseguia desde o Rali da Finlândia do ano passado com a Hyundai. Quarto pódio nos últimos sete ralis do WRC é um excelente cartão de visita de um piloto a quem este rali não correu na perfeição, longe disso, mas cujo resultado é muito prometedor para o que pode ser a sua época se aproveitar melhor o que o seu novo carro está a ‘prometer’.

Consideramo-lo um dos quatro candidatos ao título, mas a sua menor experiência nas lutas a esse nível, por vitórias, face a Elfyn Evans, Thierry Neuville e Ott Tanak, pode ser ultrapassada pela valia do carro e permitir-lhe chegar lá. Veremos. Teve momentos menos bons no rali, quando ficou a “70% da capacidade do carro” como disse, mas nunca se atemorizou, não cometeu erros e foi subindo posições enquanto o ‘drama’ se passava à sua volta.

Kalle Rovanperä/Jonne Halttunen (Toyota GR Yaris Rally1) foram quartos, longe da frente. Este caso é outro exemplo de um piloto cujo resultado neste rali é melhor do que a exibição. No 1º dia fez um pião, foi 12º, não estava confortável com o equilíbrio no carro e quando isso lhe sucede perde muita confiança para andar depressa.

No segundo dia melhorou, subiu para nono, foi adaptando melhor o carro ao seu estilo, no terceiro dia venceu um troço, foi subindo posições e obteve o seu melhor resultado depois do seu último triunfo, na Grécia 2021.

Gus Greensmith/Jonas Andersson (Ford Puma Rally1) foram quintos e fizeram história neste rali já que o piloto venceu o seu primeiro troço à geral o que mostra duas coisas: o piloto está a melhorar, e o carro é fantástico, pois duvidamos que Greensmith vencesse um troço com o WRC do ano passado.

A confiança que o piloto demonstrou na fase inicial desta prova mostrou o que pode fazer. Depois vieram os problemas e os azares, mas o quinto posto é seu o melhor desde o Rali da Grécia do ano passado onde também foi quinto. O seu melhor resultado no WRC continua a ser o 4º posto no Safari do ano passado. Virá um pódio este ano? Mais do que isso parece-nos improvável…

Thierry Neuville/Martijn Wydaeghe (Hyundai i20 N Rally1) salvaram o possível de um fim de semana muito mau para a Hyundai, que teve muitos pequenos problemas de vária índole nos carros, mas também ficou claro que sem esses problemas, o carro não está demasiado longe do Ford e do Toyota, pelo que com trabalho o mais provável é que os homens da ‘casa’ coreana se juntem às lutas na frente. Resta saber é a extensão das ‘crises. Naturalmente a equipa não abre o jogo, mas desconfiamos que as coisas não estão tão más quanto os resultados deixam parecer. Mas vai ser preciso muito trabalho.

A esse nível, a Hyundai parece a M-Sport/Ford do ano passado, mas com o lote de pilotos que tem, caso a margem com que arrancaram o ano se esbata, mais ou menos rapidamente, é possível lutarem pelos títulos, já que a época é longa. Mas não se podem atrasar muito.

Quanto a Thierry Neuville, começou em sexto, teve problemas de travões e caixa, ganharam duas posições, foram melhorando até que o carro teve problemas com um amortecedor o que travou a sua recuperação, terminando muito longe da frente, mas foi heróico em ter conseguido chegar ao Mónaco. Foi um rali de sobrevivência.

No sétimo lugar ficaram Andreas Mikkelsen/Torstein Eriksen (Skoda Fabia Evo Rally2), vencedores do WRC2 Open.

Como se percebe, houve muita gente a ficar pelo caminho.

Ainda no top 10 ficaram Takamoto Katsuta/Aaron Johnston (Toyota GR Yaris Rally1) que não arrancaram bem para esta era híbrida do WRC. Apesar de estarem a fazer um rali algo apagado, já eram quintos da geral quando estragaram tudo ao sair de estrada para uma vala na PE13, onde só os espectadores tiraram o carro, mas não sem uma enorme perda de segundos. Caíram para 13º. Ainda fizeram alguns top 3 em especiais, mas foi bem melhor o resultado do que a exibição.

A fechar o top 10 ficaram Erik Cais/Petr Těšínský (Ford Fiesta MKII Rally2) e Nikolay Gryazin/Konstantin Aleksandrov (Skoda Fabia Evo Rally2), segundo e terceiro, respetivamente, do WRC2 Open.

Entre os abandonos de relevo, destaque para o enorme acidente de Adrien Fourmaux/Alexandre Coria (Ford Puma Rally1) na PE3 (ler em separado). Eram quartos, e não estavam a andar nada mal até ali.

Elfyn Evans/Scott Martin (Toyota GR Yaris Rally1) estavam a fazer uma bela prova, na luta com Loeb e Ogier pela liderança do rali, entre o segundo e o terceiro lugar. Precisamente no troço em que se preparavam, no mínimo, para se juntar aos dois homens da frente, o piloto comete um erro e sai de estrada. O carro ficou impecável, sem danos, mas a posição tornava impossível regressar à estrada em tempo útil. Game Over, e uma prova em que, com o seu calculismo habitual, lá ia levando água ao seu moinho. Foi pena, pois muito provavelmente depois do Sisteron a luta seria a três.

Outro rali muito apagado foi o de Ott Tänak/Martin Järveoja (Hyundai i20 N Rally1). Desistiram num rali cheio de problemas, que começaram logo no arranque do rali. Desistiram na PE11, o Sisteron, quando no gelo, para não sair de estrada, bateram de frente numa barreira. Danificaram o motor e tiveram que abandonar logo a seguir na ligação.

Oliver Solberg/Elliott Edmondson (Hyundai i20 N Rally1) foram outro caso de um rali cheio de problemas: problemas de intercomunicadores, a abrir, fumo no cockpit na PE4, depois uma saída de estrada na PE10. A cereja no topo do bolo foi abandonar devido a, novamente, fumos no cockpit. Algo não ficou bem na construção daquele carro.

O WRC regressa dentro de um mês na Suécia, depois um hiato de dois meses até à Croácia. Para já o começo da nova era foi fantástico…

ex

MOMENTO CHAVE

Como não podia deixar de ser, o penúltimo troço, quando Sébastien Ogier tinha um avanço de 24.6s e furo, entrando na derradeira especial a 9.5s de Sébastien Loeb. O francês mais novo ainda tentou, mas fez uma falsa partida, sendo penalizado em 10 segundos. Ogier andou bem, recuperou nove segundos a Loeb, mas com os 10s da falsa partida estragou tudo.

FIGURA

Os anos passam e Sébastien Loeb continua a surpreender-nos a todos. Alcançou a sua 80ª vitória no WRC, menos uma que Marcus Gronholm, Carlos Sainz e Colin McRae juntos. Quase não é preciso acrescentar mais nada. Ah, e tem quase 48 anos.

Era bom que fizesse mais algumas provas do WRC em 2022, porque, tanto ele quanto Ogier, quando o fazem, elevam o nível da competição.

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