Pneus no WRC: quando melhorar um atributo compromete outro…

Por a 21 Junho 2025 10:18

A globalidade dos pilotos do WRC têm expressado alguma frustração com os pneus fornecidos pela Hankook, a nova fornecedora oficial da competição. A principal queixa é a dificuldade em obter o desempenho desejado dos pneus, especialmente dos modelos de terra Dynapro, tanto na versão macia quanto na mais dura.

Kalle Rovanperä, bicampeão mundial, e Thierry Neuville estão entre os pilotos que apontam problemas em adaptar os pneus aos seus estilos de condução. Embora a Hankook tenha alcançado o seu objetivo de criar pneus duráveis, reduzindo incrivelmente o número de furos face ao fornecedor anterior, a performance tem sido um ponto fraco.

Em resposta às críticas, a Hankook prometeu atualizações para os pneus de terra no próximo Rali da Acrópole na Grécia. A empresa reconhece que a janela de operação dos compostos macio e duro se sobrepôs significativamente, o que torna difícil para os pilotos diferenciarem e otimizarem as escolhas dos pneus.

A Hankook, através de Steven Cho, explicou ao Dirtfish que a ampla janela de operação garante que os pneus não “errem” em condições variadas, mas admite que os pilotos prefeririam uma diferença mais clara entre os compostos para dessa forma maximizar o desempenho.

A Hankook está a considerar aumentar a diferença entre os compostos macio e duro no futuro, discutindo as possibilidades com as partes interessadas e a FIA. A empresa afirma ter algumas especificações diferentes “no bolso” para desenvolvimentos futuros.

As dificuldades dos construtores

Os construtores de pneus para o WRC enfrentam uma tarefa complexa ao tentar equilibrar três requisitos fundamentais: durabilidade, resistência a furos, e performance máxima. Esse equilíbrio é particularmente desafiador devido às condições extremas e muito variadas dos ralis, que vão desde terrenos de terra com pedras ‘afiadas’ até asfalto molhado ou seco.

Durabilidade vs Performance

Pneus mais duráveis geralmente utilizam compostos mais duros, que resistem melhor ao desgaste e aos cortes provocados por pedras e superfícies agressivas, comuns em troços como o Rali da Acrópole.

No entanto, compostos duros tendem a oferecer bem menos aderência, especialmente em condições de baixa tração, o que limita a performance máxima dos carros, principalmente em trechos mais rápidos e técnicos onde a aderência é essencial para tempos competitivos.

Resistência a Furos

O risco de furos é, como se sabe, elevado em ralis com muitas pedras ou obstáculos cortantes. Pneus mais resistentes a furos precisam de estruturas reforçadas e compostos robustos, o que pode aumentar o peso e reduzir a flexibilidade do pneu, novamente impactando negativamente a performance.

Pneus mais macios, que proporcionam melhor aderência, são mais suscetíveis a danos e furos, especialmente em etapas longas e agressivas. Quando a isto se junta ‘resmas’ de tipos de pisos diferentes, imagine-se a dificuldade…

Performance Máxima

Para maximizar a performance, os pilotos e equipas preferem pneus que ofereçam alta aderência e resposta rápida, características típicas de compostos mais macios. Contudo, esses pneus desgastam-se mais rapidamente e são menos resistentes a furos, exigindo uma gestão cuidadosa durante os ralis.

Inovação e Limitações

Apesar dos avanços em materiais, inteligência artificial e virtualização no desenvolvimento de pneus, o paradoxo permanece: melhorar um atributo geralmente compromete outro. Por exemplo, compostos modernos com sílica conseguem melhorar a aderência sem aumentar tanto a resistência ao rolamento, mas ainda há limites físicos e de engenharia que impedem um pneu de ser simultaneamente o mais durável, o mais resistente a furos e o de maior performance.

Portanto, os pneus duros são mais duráveis e resistentes a furos, mas menos aderentes.

Os pneus macios são mais aderentes e rápidos, mas desgastam-se mais e furam com maior facilidade.

Portanto, o equilíbrio entre essas características depende do tipo de troço, das condições do terreno e das estratégias das equipas, tornando o desenvolvimento de pneus para o WRC um dos maiores desafios da engenharia automóvel.

Esse dilema é intrínseco ao desporto e exige inovação constante dos fabricantes, que precisam de adaptar as suas soluções para cada rali e condição específica, sem nunca conseguir eliminar completamente os compromissos entre durabilidade, resistência a furos e performance.

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