A FIA e o Promotor do WRC tem pela frente um grande desafio. Finalmente, o Mundial de Ralis ‘muda-se’ para a sua era híbrida, que no mínimo, chega cinco anos atrasada.
O WEC Mundial de Endurance já se abriu aos híbridos desde 2012, a Fórmula 1 tornou-se híbrida em 2014, e o WRC foi protelando, e só em 2022 lá chega.
Questão de custos. É verdade, não há muito a fazer quando os construtores envolvidos não estão muito para aí virados e tinham, na altura, outras prioridades, mas sendo certo que vale mais tarde que nunca, a verdade é que o Mundial de Ralis precisa rapidamente de seduzir mais construtores.
O caminho certo a todo este problema começou pelo telhado, a Fórmula 1, onde já entrou em vigor um teto orçamental que vai fazer descer muito o dinheiro necessário para correr na disciplina, que é também, de longe, a que mais interesse gera.
Não podemos analisar agora e aqui as razões que levaram o WRC ao estado em que está – era assunto para várias horas – mas vamos tentar perceber o que pode ser feito.
O primeiro passo está dado. Híbridos. Que marca hoje em dia viria para o WRC somente reservado a motores de combustão? Mesmo que, tal como vai suceder no WRC, os combustíveis passem a ser 100 por cento sustentáveis.
O WRC está a dar os passos certos, e mais do que olhar isoladamente para a tecnologia híbrida ou para a adoção de combustível sustentável, a estratégia assenta numa abordagem generalizada à pegada ambiental das emissões de CO2.
A FIA tem feito um trabalho conjunto com as equipas e com os organizadores nesse sentido, por exemplo os geradores a gasóleo deixarão de ser uma realidade sendo substituídos por outras fontes de energia ou passando a consumir biocombstível que mais não é do que combustível feito de lixo ou de resíduos biológicos. Com tudo isto mostra-se que os ralis têm todas as condições para sobreviver como poderão também criar tendências ou servir de exemplo no desporto automóvel.
É imperativo seduzir mais construtores para o WRC, e para já a base de quem gere o WRC passa por acreditar que a competitividade da tecnologia híbrida plug-in possa despertar o interesse de outros construtores, e nesse contexto estão a olhar para a Ásia, sobretudo China, mas também Japão.
É verdade que trazer construtores para o WRC em tempos de pandemia é quase impossível, mas essas conversas estão sempre a acontecer. O problema é que conversas, há muitas, a sua concretização é que é difícil. Muito difícil.
O novo presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, acha que o WRC precisa de uma revisão completa se quiser atrair novos fabricantes no futuro.
Para contextualizar, é preciso perceber que desde 2005 não voltou a haver mais de quatro fabricantes a competir no topo do WRC. Se há altura para o conseguir, é a partir daqui.
E Ben Sulayem acha que isso só se consegue com grande envolvimento dos construtores, quanto ao caminho a tomar, e nas decisões.
A verdade é que isto é muito difícil de conseguir, pois mesmo os três que cá estão atualmente, muito poucas vezes estiveram totalmente de acordo. O hábito que vem de longe é cada um olhar para os seus interesses, o que é natural.
Veja-se o que está agora a suceder no Dakar. Ainda agora a Audi chegou, e já os responsáveis das outras equipas estão a dizer “travem-nos”.
Conseguir juntar mais que três construtores que queiram exatamente o mesmo para o WRC está longe de ser impossível, mas há uma coisa que todos querem: gastar o menos dinheiro possível. Este ano isso já se vai conseguir e não se vai perder muito do espetáculo.
É continuar nesse caminho. Gastar o menos dinheiro possível garantindo que o nível do espetáculo não baixa, ou baixa muito pouco, como sucede este ano.
Há alguns meses, o Dirtfish juntou os três Chefes de Equipa (na altura) das três equipas do Mundial de Ralis, Andrea Adamo (Hyundai Motorsport), Richard Millener (M-Sport/Ford) e Tommi Makinen (Toyota Gazoo Racing), e o tema foi o que fariam para conseguir ter mais equipas no WRC. O resumo das respostas é simples: Gastar muito menos dinheiro, menos ralis e ‘facilitar’ homologação dos carros.
Andrea Adamo (Hyundai Motorsport) era de opinião que uma boa medida seria não obrigar as novas equipas a entrar em ‘full time’ no campeonato, mas sim permitir-lhes que se fossem integrando a pouco e pouco, a exemplo do que a Citroën fez em 2001, para entrar no WRC a tempo inteiro apenas em 2003. Isso daria tempo para trabalhar no desenvolvimento do carro sem começar logo a gastar para uma temporada inteira.
Já Richard Millener (M-Sport/Ford) era de opinião que já o estão a fazer, pois há muito que estão a trabalhar em medidas que visam poupar muito dinheiro, sendo sempre essa a razão que impede mais marcas de virem para o WRC, os orçamentos.
Tommi Makinen (Toyota Gazoo Racing) achava que fazer 14 rali era muito caro para as atuais disponibilidades das equipas/construtores, e começava por facilitar a homologação dos carros, dando mais latitude às novas marcas que os quisessem desenvolver.
Como veem, não é preciso estudar física quântica…
Tabela de equipas oficiais no WRC











