Os argumentos para a M-Sport contratar Ogier
Sébastien Ogier disse “sim” e Malcolm Wilson conseguiu o que queria. E na verdade o que os adeptos mais desejavam. A saída da Volkswagen é lamentável em todos os aspetos, mas não há dúvida que veio abrir o espectro dos potenciais vencedores e dar um interesse redobrado ao Mundial de Ralis.
Nunca saberemos o que teria valido o Polo WRC de 2017, em particular com a mudança do regulamento. Mas com Ogier na equipa a revalidação do campeonato seria sempre uma enorme possibilidade. Ao volante do novo Ford Fiesta WRC, a dúvida é maior, já que a marca não vence o título de pilotos desde que Ari Vatanen se sagrou campeão em 1981.
Há ainda o facto de a M-Sport ser uma estrutura semi-privada, que precisa de financiamento. É por isso que nos últimos anos a qualidade dos pilotos tem vindo a diminuir na empresa liderada pelo antigo piloto Malcolm Wilson, que já tinha admitido ao AutoSport que os R5 foram a salvação do seu negócio:
“É muito simples: se não tivéssemos tido o R5 no momento em que o tivemos, penso que é claro que não estaríamos hoje aqui, no WRC, ao mais alto nível. O ‘timing’ para a entrada dos R5 foi fantástico para nós. Mas não me interpretes mal: continuamos a ter um extraordinário apoio técnico da Ford. Recebemos uma ajuda valiosa e não poderíamos fazer o que fazemos sem eles. A combinação entre o sucesso do R5 e o apoio que ainda temos da parte deles foi o que nos ajudou a manter no Campeonato do Mundo de Ralis”.
O esclarecimento fez parte de uma entrevista concedida este ano por ocasião do Rali de Portugal, com o britânico a deixar ainda uma garantia. O Ford Fiesta WRC era competitivo, o problema estava na qualidade de quem se encontrava ao volante:
“Não existe qualquer dúvida que a maior diferença está nos pilotos. É muito simples. Se nós estivéssemos numa situação distinta com o total apoio de fábrica de um construtor teríamos pilotos de topo. É tão simples quanto isto”, contou-me na quarta-feira que antecedeu o início da prova.
Logo depois questionei: “As regras de 2017 irão permitir que a M-Sport consiga reduzir esse fosso que a separa das equipas de fábrica, porque todos começam do zero?”, ao que Malcolm respondeu: “Continuará a depender dos pilotos que tivermos à nossa disposição”. Bom, com Sébastien Ogier no comando, tudo ficará certamente mais fácil.
TRIUNFAR ONDE OUTROS FALHARAM
Malcolm Wilson é um tipo pragmático, simpático, mas orgulhoso. Nem que seja por tudo o que conseguiu. Há vinte anos que tem uma relação com a Ford e há vinte anos que é o responsável pelos seus esforços no Campeonato do Mundo de Ralis. Por ele passaram nomes como Colin McRae, Carlos Sainz, Jari-Matti Latvala, Mikko Hirvonen ou Marcus Grönholm. Mas, apesar de tudo, nenhum lhe deu um título de pilotos.
McRae, Hirvonen e Grönholm foram aqueles que mais perto estiveram de consegui-lo, mas o melhor que Malcolm teve para oferecer à Ford foram dois importantes títulos de construtores, em 2005 e 2006. Talvez por isso a notícia de que a marca da oval azul lhe iria retirar esse apoio oficial, embora mantendo a parceria técnica, tivesse caído como uma bomba. Obrigou-o a reinventar-se, a alargar o espectro do negócio (benditos R5, e já agora, R2), construindo até GT’s para a Bentley (uma operação liderada hoje pelo filho Matthew, que também correu no WRC. Lembra-se da Stobart?). E a ter de fazer concessões enquanto alargava o perímetro da empresa, nomeadamente a construção de uma nova unidade de testes em Dovenby Hall que engloba uma pista e instalações do mais alto calibre para o desenvolvimento das suas viaturas.
Malcolm tinha a certeza que se tivesse mais apoios e um piloto de topo poderia andar tão depressa quanto os Volkswagen. Um orgulho patente na resposta à pergunta seguinte, antes de admitir que o seu “sonho” era “poder correr novamente com os melhores pilotos e com um carro fantástico” — novamente, algo que fica mais fácil quando se tem um piloto que somou quatro campeonatos, 38 triunfos, 475 vitórias em classificativas e 56 pódios desde que se estreou no WRC, em 2008.
“Falou no apoio de um construtor. Se tivesse o orçamento de uma Volkswagen oficial, acredita que poderia obter o mesmo tipo de resultados?
Não vejo nenhuma razão para que isso não acontecesse. Já o fizemos no passado. Sabemos que poderíamos fazê-lo, até porque temos mais recursos e melhores infraestruturas do que alguma vez tivemos, mesmo quando estávamos no topo. Acabámos de construir do nada um carro de ralicross que é tão rápido como qualquer outro [o Focus de Ken Block e Andreas Bakkerud no World RX] e um Bentley que vence corridas. Portanto sabemos que os últimos cinco ou seis carros que desenvolvemos venceram no seu ano de estreia”.
Como se vê, ambição não falta a Malcolm Wilson. Agora é esperar que tudo corra pelo melhor e que Sébastien Ogier dê à M-Sport aquilo que Colin McRae, Marcus Gronhölm e Mikko Hirvonen não conseguiram: um título de campeão do mundo.
André Bettencourt Rodrigues
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João Pereira
12 Dezembro, 2016 at 20:36
Há que ter em consideração que a Ford nunca venceu o Mundial com a sua estrutura. Aliás, acho que a Ford nunca venceu absolutamente nada com equipa própria, mas sim recorrendo a estruturas privadas a quem financiou, como tem sido o caso da M-Sport, que por acaso nos últimos anos se tem financiado com o seu excelente negócio de Rent-a-Rallycar.
Para quem não sabe, Ari Vatanen foi campeão em 81 quando David Sutton fazia correr os carros oficiais com motores feitos por Terry Hoyle (que já antes fazia os motores para a Ford Motorsport em Boreham), como também eram os Diabolique na mesma altura, e também os do Carlos Torres, do Mário Silva, José Pedro Borges e António Rodrigues, estes últimos só os motores, e no caso do José Pedro, lembro-me que o carro era preparado pelo Mestre Ribeiro na Damaia.
A Ford, nunca fez nada que ganhasse fosse o que fosse, tirando alguns blocos de motor.
Mas voltando ao artigo, não creio que fosse a VW a fazer a diferença nestes últimos 4 anos, porque estavam lá 3 pilotos, e só um é que foi campeão, e ganhou quase todos os ralis mesmo com um regulamento de partida penalizador.
Por isso ninguém se admire que se o Fiesta RS WRC 2017 (perdoem-me a omissão da marca) for suficientemente rápido (que deverá ser graças à M-Sport), só teremos mais Ogier no próximo ano.
Vasco Morgado
14 Dezembro, 2016 at 3:47
Caro ernie,
A Ford pode ter dado – e deu – vários ‘tiros nos pés’ no decorrer da sua longa presença, como participante a nível oficial ou entregue aos cuidados de preparadores semi-oficiais, como por exemplo David Sutton ou mais recentemente Malcolm Wilson, mas o caro forista está enganado quando afirma “que a Ford nunca venceu o Mundial com a sua estrutura” o que é falso porque em 1979 era a Ford Motor Company que estava no terreno a nível oficial tendo ganho nesse ano não só o título de Marcas como também o título de Pilotos, com Bjorn Waldegaard.
Volta a estar completamente enganado quando refere que “A Ford, nunca fez nada que ganhasse fosse o que fosse, tirando alguns blocos de motor” quando, se se der ao trabalho de consultar, por exemplo, este link http://www.juwra.com/makes_wins.html, verá que a Ford é a segunda marca mais vitoriosa no Campeonato do Mundo de Ralis com 82 vitórias, a última das quais obtida no Wales Rally de 2012 através de Jari-Matti Latvala.
No site cujo link acima refiro, poderá ainda observar que à frente da Ford está somente a Citroen com 96 vitórias, sobretudo graças ao domínio indiscutível de Sebastien Loeb durante o seu ‘reinado’ de 9 anos, e que em terceiro lugar está a Lancia com 73 vitórias.
Apesar de ultimamente os resultados não terem sido os melhores, denegrir a imagem da Ford como o fez, quando pelo números que apresento e que poderá comprovar serem verdadeiros, é uma das marcas mais vitoriosas do WRC, é ser, no mínimo, desconhecedor da realidade ou então ter uma adversidade à marca da oval azul o que não é o meu caso, confesso, até porque quando fiz ralis nos anos ’80, foi sentado no banco do lado direito de um… Ford Escort MK II.
Cumprimentos
João Pereira
14 Dezembro, 2016 at 12:28
Tem razão, em 79 a Ford inscrevia Waldegaard, Mikkola e Vatanen, tendo vencido o campeonato com… motores Terry Hoyle, e a última vitória em 2012 com o carro feito pela M-sport de Malcom Wilson.
De resto:
– Ford Cobra – Um AC inglês exportado para os EUA com um V8 montado por Shelby.
– Ford GT 40 – Lola projectado por Eric Broadley
– Ford Cortina BTC – Lotus
– Ford Indy – Cosworth
– Ford F1 – Cosworth
– Ford Escort Gr5 silhueta – Zackspeed
– Ford Capri Gr5 Silhueta – Zackspeed
– Ford Mustang IMSA – Zackspeed
– Ford Escort MKII Rallycross – Zackspeed
– Ford C100 Gr6/C – Desenhado por Tony Southgate com base num De Cadenet/Lola, com motor Cosworth ou Zackspeed.
– Ford RS200 – Construido pela Reliant, desenhado por Tony Southgate com um motor que “bebeu” muito do 1.7 litros Zackspeed.
– Ford GT GT1 – Uma miistura de peças Lotus, Jaguar e de outras proveniências com um Motor V8 da F150.
– Ford Nascar – Roush
– Ford Focus WRC – M-Sport
– Ford Fiesta WRC – M-Sport
De facto nos anos 70, o departamento de Boreham, fez o MKI que tantos resultados veio a conseguir, e que deu origem ao MKII, mas este último deveu a sua longevidade e maior parte da história a David Sutto e Terry Hoyle.
A Ford tem um grande histórico nos desportos motorizados, já que raramente tem participação nas estruturas que acabam por fazer e pôr a correr os carros com o autocolante oval. No fundo, e tendo em consideração que é um dos maiores construtores mundiais, tem sido pouco mais que um Sponsor ao estilo da TAG-Heuer que todos sabemos fazer relógios e dar o nome a motores Porsche e Renault de F1.
Respeito a sua participação em ralis nos anos 80 num MK II, já que nessa altura acompanhava na estrada um excelente Amigo já falecido, que nessa altura se sentou muitas vezes num Gr2 (Aleuropa)com o António Vicente, e depois num RS2000 Gr1 frente alemã já no banco do lado esquerdo com extremo amadorismo que talvez tenha conhecido: o Pedro Picão, que chegou depois a navegar creio que o Paulo Longo no “onde está o ás” e ainda o André Martinho com o 911 ex-Moutinho que nunca terminava as provas. Foram muitos anos bem divertidos os 70 e 80, com excelentes momentos nas assistências, à beira da estrada, e também à mesa.
Cumprimentos.