O estranho ‘caso’ de Eric Camilli na M-Sport

Por a 17 Fevereiro 2016 11:03

O acidente de Eric Camilli no Rali de Monte Carlo levou um dia para ser reparado nas oficinas da M-Sport, e na prova sueca o francês não ‘quis’ mudar os hábitos dos mecânicos da M-Sport, e voltou a sair de estrada, desta vez com um aparatoso capotanço. Se na saída do Monte Carlo, os danos tiveram mais a ver com o azar de bater no ‘sítio certo’ já na Suécia o francês teve um aparatoso capotanço, marcando da pior forma a sua estreia no rali da Suécia. “O ritmo era elevado e as condições não eram nada fáceis, estávamos a progredir a cada especial, mas enquanto procurava confiança nas zonas rápidas sofri o acidente, que foi falha minha, pois fui demasiado otimista nas notas, entrei depressa demais e o carro entrou em pião. É uma pena não ter terminado o rali, mas no México tenho outro desafio” disse o francês que está a ficar cada vez mais sobre pressão.

Camilli foi uma aposta pessoal de Malcolm Wilson, mas não só os seus tempos não têm impressionado, enquanto anda, fez jogo igual com Stéphane Lefevbre no Monte Carlo até abandonar e estava à mesma distância de Craig Breen (1m15s) do que o irlandês da Citroën estava de… Ogier, na Suécia. Os acidentes acontecem, mas são acidentes que sucedem a andar um ritmo mais baixo do que os pilotos com quem pode ser neste momento comparado, e para já perde alguma coisa, especialmente para Craig Breen. Tem como atenuantes a sua total inexperiência na Suécia, no Monte Carlo, seria preciso analisar em detalhe as escolhas de pneus para ter uma opinião mais consubstanciada relativamente à sua prestação, e por isso a partir do México não há desculpas. Tem que começar a mostrar serviço.

Malcolm Wilson tinha explicado antes de começar o Mundial o que ‘viu’ em Camilli: “Estou a segui-lo desde que participou no seu primeiro rali do Mundial e fiquei bem impressionado com o que ele fez em Espanha e no Rali da Grã-Bretanha. Para lá da sua habilidade como piloto, fiquei encantado com a inteligente forma como olhou para o que tinha de fazer no WRC, e fez, ou seja, ultrapassou os erros que cometeu inicialmente, por exemplo no Rali de Portugal e tudo o que fez depois foi bem feito. Portanto não me foi muito difícil tomar uma decisão logo após a prova britânica, e convidei-o para vir para Dovenby. Quis mesmo que ele estivesse num dos nossos carros. Para já não lhe exerço qualquer pressão porque ele tem apenas dez ralis do Mundial e um do WRC” disse Malcolm Wilson que fez uma aposta de risco no francês, um pouco estranha, pois apesar de Wilson poder ter visto algo que mais ninguém viu até agora – bom piloto, mas sem que tenha feito para já nada de verdadeiramente sensacional que o tenha tornado uma escolha óbvia, até porque não é muito jovem – é mais velho que Mads Ostberg, por exemplo – mas Malcolm Wilson é um líder muito experimentado, e lá saberá o que viu.

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3 comentários

  1. Kankkunenfan

    17 Fevereiro, 2016 at 17:05

    Que belo parecer de um estreante após Monte Carlo e a Suécia numas condições como se viu!! Será que não se lembram de campeões do mundo que fizeram uma parte inicial de campeonato desastrosa, como McRae em 95 (precisamente o caso de Camilli e foi campeão em 95) Makkinen em 1998 ou Burns em 2001? Não digo com isto que Camilli poderá ir à corrida do titulo, que não irá, mas fazer um parecer desses em 2 ralis atípicos como estes dois e na sua estreia com um WRC, é algo bem descabido. Depois, a olhar para o que fez na estreia do WRC2, se calhar não é assim uma aposta tão estranha. E a ultima coisa que se consegue aproveitar deste texto é mesmo a ultima citação, pois se não sabem ler nas entrelinhas o facto de Evans estar no WRC2 um ano antes da mudança de regulamentos e onde tem mais tempo para testar outras montadas, isso é problema do caro jornalista. Depois caro JLA, Camilli em Monte Carlo estava em 8º a 3.6s de Sordo e sim, na frente de Lefebvre por poucos segundos, mas este tem bem mais “bagagem” do ano transacto seja em provas do WRC ou ERC (em 2015 realizou 18 ralis a bordo de carros como DS3 R5, DS3 RRC, 208 T16 ou DS3 WRC), do que Camilli, que apenas fez 8 participações no mesmo R5 e no WRC2! Se é certo que Camilli desistiu em ambos ralis, mostrou evoluir em ambos. Quanto à idade, só por si não trás experiência ou andamento, pode ser um handicap ou talvez não.. basta olhar para o contrato de Meeke após umas fases menos boas. E como disse acima, começar desta forma não é inédito nem para enormes campeões do mundo no passado.

    • G-rod_dj

      17 Fevereiro, 2016 at 18:37

      Concordo!

      Em Monte Carlo começou lento, mas estava a evoluir na classificação e a fazer tempos melhores que o Lefebvre, só estava marginalmente à frente, por causa do atraso das primeiras especiais.

      Acho que é muito prematuro esta a chegar a este tipo de conclusões. Quanto à M-sport, até faz sentido o que está a acontecer. tem 4 Pilotos sob contrato para fazer a evolução do carro de 2017. Vai ter conhecimento do potencial dos pneus D-Mack e Michelin, visto que o Ott Tanak continua a ser assistido pela M-sport. Se o Kubica continuar também vai ter conhecimento dos pneus Pirelli (uma vez que o polaco, este ano tornou a ser assistido directamente pela M-sport).

      Na minha humilde opinião, o WRC deve muito à M-sport/Ford que durante anos tem sido um dos suportes desta competição e tem sido injustiçada, pela falta de regulamentação para os orçamentos monstruosos que as marcas, que andam a saltar de campeonato em campeonato, trazem. Todas as outras participam para ganhar, e se não o puderem fazer rapidamente “mudam de ares, a única que independentemente se mantém no desporto ao qual está (sempre) ligada é a Ford. Basta lembrar quando o WRC eram 2 Citroen C4 e 5 ou 6 Focus (M-sport, Stobart, a equipa do Villagra e até o Block).

  2. Petter27

    17 Fevereiro, 2016 at 18:35

    O JLA anda a precisar de abrir a pestana. Veja lá bem os tempos do Camilli nas duas últimas PEC que fez (8 e 9) antes de se despistar.
    E também os tempos que fez no Monte-Carlo.
    Eu fui daqueles que aqui trocei desta escolha do Malcom Wilson (parecia ter tudo de facto para dar errado, desde logo ser uma escolha do M. Wilson), mas entretanto já meti a viola no saco.
    Um piloto com a (in)experiência dele fazer os tempos que faz com um WRC, tem de ter um talento extraordinário.
    Vai-se despistar muitas vezes, e está em tempo disso. Mas invoco aqui a credibilidade que me conferem os meus poderes mediúnculos para vaticinar que este piloto vai derreter os tempos do Breen em quase todos os ralis enquanto estiverem ambos em prova. A ver vamos se tenho razão ou não.

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