Lotus nos ralis: história curta mas de sucesso
O ponto alto da carreira da Lotus nos ralis aconteceu com a conquista do Mundial de Construtores em 1981.
O Sunbeam Lotus desenvolvido pela Lotus Engineering e que tinha um bloco de 2,2 litros de dupla árvore de cames e 16 válvulas, viu pela primeira vez a luz do dia em 1978 quando Andrew Cowan o levou a alguns ralis britânicos, antes de Tony Pond conquistar em segundo lugar no Rali Mille Pistes em França.
Depois, em 1979, o carro e o motor foram homologados e em 1980 a equipa entrou em várias provas do WRC. No início de 1980, Henri Toivonen ganhou o Rali do Ártico (Europeu) e no final do ano o Rali RAC (WRC). Isso preparou o título de Marcas averbado em 1981, onde a vitória de Guy Frequelin no Rali da Argentina assumiu um peso determinante. Para além das duas vitórias absolutas, no total, o Sunbeam Lotus obteve ainda 10 pódios e 93 vitórias em troços.
Mas o nome da Lotus associado aos ralis começa muito antes da década de 80. Cerca de 20 anos mais cedo, o modelo Ford Cortina viu-se equipado com uma unidade propulsora desenvolvida pela Lotus que conquistou a sua primeira vitória no Rali de Gales pelas mãos de Roger Clark, quando faltavam ainda oito anos para o WRC nascer. Outros triunfos importantes como o de Acrópole, Genebra e RAC em 1966 também ajudaram o Lotus Cortina Mark 1 a ter uma reputação de sucesso, largamente ao modelo Elan que, nos últimos anos se tornou muito popular e bem sucedido nos ralis de carros históricos.

Lotus Exige R-GT durou pouco
A dois meses do 30º aniversário da Talbot conquistar o Campeonato do Mundo de Ralis de Marcas com o Lotus Sunbeam, em 2011, a Lotus anunciou a intenção de produzir uma versão de ralis do Lotus Exige que seria o seu primeiro carro homologado pela marca inglesa para ralis desde os antigos Grupo B.
Esteve previsto para a Classe 4 FIA (RGT), Bernardo Sousa chegou a ter a sua estreia com o Lotus prevista para abril de 2012, o Lotus Exige R-GT chegou a ter agendado os seus testes finais antes de a FIA poder emitir a homologação do modelo, mas de repente… deixou de se ouvir falar do carro e o assunto morreu ali.

Carlos Barros era mecânico da equipa oficial
Regressando muito mais atrás, a 1981, quando a Talbot e a Lotus se associaram para procurar o sucesso no Mundial de Ralis, um jovem português acabou por ajudar a encontrar esse caminho. Com 24 anos, Carlos Barros era um dos mecânicos em início de carreira da formação que contava também com o hoje todo poderoso, Jean Todt, na altura navegador de Guy Fréquelin.
Para Barros, esses foram tempos essencialmente de ‘aprendizagem, mas que me foram muito úteis mais tarde e que ainda hoje recordo com saudade. Lembro-me que fui trabalhar para Conventry durante 18 meses, em Inglaterra, e demorávamos cerca de dois meses a montar um Sunbeam Lotus.
O motor Lotus e caixa ZF já chegavam às instalações prontos, mas no chassis era preciso muito trabalho, com muitos reforços e soldaduras e às vezes inventar peças!”. Barros também recorda que o motor Lotus de 240 cavalos “tinha que ser montado com uma ligeira inclinação para a direita para compensar a distribuição do peso devido ao escape” e que “a única maneira de ver quanto gasolina havia no depósito era através duma pequena vara de madeira construída propositadamente para aquele efeito”. Outros tempos, outras histórias…
















Vasco Morgado
16 Dezembro, 2021 at 4:17
O Toivonen venceu o RAC Rally não em 1981 mas sim em 1980.