Cyril Abiteboul mete ‘mão na ferida’: o que tem a F1 que o WRC precisa…
Cyril Abiteboul, novo responsável da equipa Hyundai MotorSport no WRC chegou recentemente ao Mundial de Ralis, mas já foi capaz de identificar perfeitamente os ‘males’ de que padece a disciplina.
Depois de muitos anos de experiência na Fórmula 1, Cyril Abiteboul sabe exatamente o que é importante quando se trata de ‘vender’ um campeonato. O que foi (muito bem) feito na Fórmula 1 nos últimos cinco anos é precisamente o que falta ao WRC: “Uma competição forte de desportos motorizados tem de proporcionar histórias, seja sobre pessoas, realizações, eventos e, claro, tecnologia” começou por dizer. Decodificando: o interesse das pessoas não está somente nos resultados, “ganha aquele”, “perde o outro”, mas sim nas ‘estórias’ que se criam numa qualquer prova do WRC.
Vamos dar como exemplo, algo que se passou há quase dois anos, no Rali da Croácia, com Sébastien Ogier, que teve um pequeno acidente numa ligação, numa situação que ‘meteu’ polícia e que se resolveu. No nosso site, o interesse nesses dois ou três artigos que se fizeram relativamente a este tema ‘valeram’ cinco vezes mais tráfego do que toda a parte desportiva do rali.
E quem é ‘culpado’ por isso é o interesse das pessoas. Muitas vezes vemos leitores a queixaram-se que “deram mais importância ao acidente do que ao resto” e na verdade é a possibilidade de ‘medir’ o interesse das pessoas em tempo real que assim o determina.
As ‘estórias’ laterais à parte desportiva dos eventos é quase nula no WRC. E isso faz uma diferença enorme. E quem diz que a parte desportiva é que interessa, não percebe que a modalidade só cresce se tiver os dois ‘lado’ com bom interesse em paralelo.
Abiteboul continua: “na Fórmula 1 fala-se constantemente sobre o que cada equipa está a fazer para a próxima corrida e que partes estão a ser trazidas por quem. Há significativamente menos notícias no Campeonato Mundial de Ralis, também por causa das regras atuais. Mesmo que a Fórmula 1 seja muito cara, oferece atualmente um retorno desproporcionalmente mais elevado”, diz Abiteboul à Motorsport Aktuell.
Ora, o Promotor do WRC devia olhar para estas palavras e perceber que é exatamente aqui que está o busílis da questão. É esta falta de ‘estórias’ no WRC, de polémicas, de ‘guerras’, ‘tricas’, ‘rumores’.
Os adeptos ‘hardcore’ do WRC são excelentes, mas como já escrevemos mais do que uma vez: são muito poucos. Mas mesmo muito poucos. E os outros só se interessam se houver ‘estórias’ que os seduzam.
Os anos 80 não tiveram a somente a ‘sorte’ de ter fantásticos carros na estrada, tiveram também o condão, para o bem e para o mal, de terem sido criadas muitas ‘estórias’ em paralelo com a competição, por exemplo, Michèle Mouton a bater-se com os homens. há muitos outros.
Mas Abiteboul ainda diz mais: “por mais emocionante que o Campeonato do Mundo seja neste momento, temos de dar muito mais notícias. É importante gerar mais interesse entre os meios de comunicação, fãs e patrocinadores. Na minha opinião, o Campeonato do Mundo de Ralis concentra-se demasiado nos custos e não o suficiente no valor acrescentado.
Há uma falta gritante de estratégias de marketing. A estabilidade dos regulamentos e perspectivas são igualmente importantes”, diz Abiteboul, deixando um ‘recado’ muito forte e importante ao promotor do WRC.
O Autosport já não existe em versão papel, apenas na versão online.
E por essa razão, não é mais possível o Autosport continuar a disponibilizar todos os seus artigos gratuitamente.
Para que os leitores possam contribuir para a existência e evolução da qualidade do seu site preferido, criámos o Clube Autosport com inúmeras vantagens e descontos que permitirá a cada membro aceder a todos os artigos do site Autosport e ainda recuperar (varias vezes) o custo de ser membro.
Os membros do Clube Autosport receberão um cartão de membro com validade de 1 ano, que apresentarão junto das empresas parceiras como identificação.
Lista de Vantagens:
-Acesso a todos os conteúdos no site Autosport sem ter que ver a publicidade
-Desconto nos combustíveis Repsol
-Acesso a seguros especialmente desenvolvidos pela Vitorinos seguros a preços imbatíveis
-Descontos em oficinas, lojas e serviços auto
-Acesso exclusivo a eventos especialmente organizados para membros
Saiba mais AQUI





Totalwrc
10 Abril, 2023 at 17:08
Mais marcas em Rali 1 também era capaz de aumentar o interesse do publico e dos media , temos o exemplo da Citroen , Subaru ,AUDI só três marcas que se voltassem ao mundial faria aumentar e muito as audiências
[email protected]
10 Abril, 2023 at 20:06
Pois…
Rui Pereira
10 Abril, 2023 at 21:35
Passamos a ter então o “CM WRC”… Mais marcas, menos parvoíce…de que me interessa ter carros de 500 CV e depois é quase um troféu monomarca…olhem o ERC…pouco me interessa que este ou aquele piloto se tenha chateado com o Zé ou o Manel…
[email protected]
11 Abril, 2023 at 9:44
Tretas!
Vasco Morgado
11 Abril, 2023 at 16:25
Infelizmente hoje em dia dá-se mais importância ao acessório do que ao essencial.
Devo estar mesmo ‘velho’ porque, para mim, o que interessa, além de como decorre um rali – e durante uma prova existem um sem número de situações que dariam muitas histórias e motivos de discussão – há também espaço para entrevistas de fundo com actuais e antigos pilotos e navegadores e se eles têm estórias incríveis para contar porque quase todos eles vivenciaram momentos, cómicos, trágicos, etc. ao longo das suas carreiras desportivas.
Com o advento das redes sociais e com o declínio das publicações escritas, de que um exemplo foi o recente desaparecimento do jornal ‘AutoSport’, perdeu-se muito da mística e da profundidade de informação que a comunicação social escrita transmitia antes, durante e após cada rali. Lembro-me de ler artigos deliciosos de jornalistas como o Avelãs Coelho, Ricardo Santos Carvalho, Fernando Petronilho, entre outros, sobre ralis, nomeadamente sobre o Rali TAP/Portugal.
Como há uns dias um amigo afirmou e com toda a razão, daqui a uns anos ninguém vai saber como decorreu a edição de 2023 do Rali de Portugal porque, pura e simplesmente, a única coisa que irá aparecer na internet será a classificação final e pouco mais. Como decorreu a prova, situações que ocorreram que influenciaram o decorrer da prova para que o resultado final tivesse sido o que foi, tudo isso ficará na mente de quem viveu o acontecimento mas perder-se-á nas brumas do tempo e as gerações vindouras não terão a oportunidade de virem a saber como hoje nós sabemos o que que aconteceu, por exemplo, no troço de Arganil de 1983.
Pensem nisso.
[email protected]
12 Abril, 2023 at 0:03
Ora aqui está a resposta, efetivamente é uma das grandes razões.
Se extrapolarmos para o Campeonato Nacional de Ralis, poucos são aqueles que sabem ou ouviram falar dos campeões dos últimos 5 anos, eu assim de repente até tenho duvidas… Quem não ouviu falar do Rali Sopete, Esso F.C Porto, por serem os primeiros do inicio de cada campeonato…
[email protected]
12 Abril, 2023 at 9:34
como dizem os ingleses, I,m afraid que tenha toda a razão!
[email protected]
11 Abril, 2023 at 19:38
Querido Cyril!
A única história que a F1 trouxe para o WRC foi aquela em como é que um chefe de equipa que não deu uma para a caixa na F1, foi parar à Hyundai sem que ninguém perceba porquê (e os “não resultados” estão à vista).
Opiniões baseadas em achismos e populismos é coisa de burro, e não deves querer ser chamado de Abiteburro!
A esperteza saloia do Bop acabou por matar o WTCR, Muller afirmou que “o BoP não ajuda no aumento da qualidade do campeonato. Mais que isso, retira o prazer da competição”.
Sim, tirar o ERC do eurosport vai matá-lo.
Quanto à “falta gritante de estratégias de marketing”, hoje chamam de marketing a tudo que é tudo menos marketing, posso dar uma aulas disso porque sou professor de marketing. Tenho a certeza que se lhe perguntarem quem é Philip Kotler, o caro Cyril iria responder que “é bom piloto mas o plantel da Hyundai já está completo”.
Já Loeb nos Açores foi uma boa estratégia.
Citando o grande piloto Antonio Peixinho ” a competição automóvel não é uma guerra mas um desporto” sim, deve ganhar o melhor!
Interrogação: era a Michele que estava a bater-se com os homens ou eram os homens que andavam doidinho para vencer a Michele Mouton e a Fabrizia Pons? (nde – os navegadores também contam).
interrogação 2: não viu os males da Renault F1 durante anos e via logo os males do WRC ?