CRÓNICA, WRC: A segurança no Monte Carlo e em Portugal

Por a 25 Janeiro 2017 11:44

Bastou uma especial do WRC 2017 e uma morte de um espetador muito mal colocado na estrada para se levantar de imediato um coro de críticas a fazer uma analogia entre os novos carros do Mundial de Ralis e os Grupos B de 1986. Logo surgiu quem disse mal da FIA por ter dado mais ‘vitamina’ aos WRC e outros a comparar as duas épocas. Basicamente é o mesmo que comparar uma obra prima à prima do mestre de obras. O ano de 1986 foi um ano de excessos a todos os níveis no Mundial de Ralis, desde a brutalidade dos carros, à dificuldade dos pilotar e ao efeito que isso fez aos adeptos que nunca mais esquecerão um ano que teve tanto de extraordinário como irresponsável e mesmo estúpido. Só por absoluto milagre não aconteceria um acidente grave. E aconteceu mesmo com a gravidade que todos sabemos e as consequências que teve. Uma revolução nos ralis.

Este ano, é verdade, os carros são mais potentes, mais espetaculares e também mais difíceis de pilotar sendo por isso mais provável que existam mais saídas de estrada. Mas isso não significa que os habituais profetas da desgraça já possam esfregar as mãos pois têm mais hipóteses de poder inundar as redes sociais com o seu habitual ‘dizer mal de tudo o que mexe’ porque o ónus de possíveis acidentes em que estejam envolvidos espetadores terão muito menos probabilidade de acontecer se as organizações não forem como esta do Monte Carlo. Este ano, o ACM criou um ‘manual’ de ‘conselhos’ aos espetadores, apertou um pouco a malha nos troços, mas mesmo assim – independentemente do que sucedeu com o infortunado espetador, pois esse caso foi completamente ‘fora da caixa’ (nunca será possível controlar toda a gente em todos os momentos) – viram-se comportamento muito complicados.

É certo que o ACM tal como aconteceu com o Rali de Portugal durante muito tempo é vítima do seu próprio sucesso mas se fosse possível comparar o que fazem as duas organizações a diferença era abismal. Quando o conceito das zonas espetáculo foi introduzido no Rali de Portugal pelo ACP não foi fácil aos adeptos aceitar esse espartilho, essa privação de liberdade mas esse é o preço a pagar pelos portugueses que não querem voltar a ver o que viram a 5 de Março de 1986. Os adeptos do Rali de Portugal hoje são um exemplo pois continuam a emprestar a sua emoção aos ralis sem serem necessários os comportamentos dos anos oitenta. Hoje, é muito mais difícil em Portugal poderem ver-se comportamentos como os que se viram em Monte Carlo, porque desde que o ACP decidiu levar o Rali de Portugal para o Norte foi colocada uma grande ênfase na necessidade do público seguir as indicações e se algo corresse mal, era grande o risco do rali sair do WRC e as pessoas perceberam a mensagem e são as primeiras a querer por cá o rali por muitos e bons anos. Em resumo, não faz qualquer sentido atribuir ao maior andamento dos carros o que aconteceu, o gelo negro tanto faz sair de estrada um carro de 2016, 2017 ou mesmo de 1980.

Caro leitor, esta é uma mensagem importante.
O Autosport já não existe em versão papel, apenas na versão online.
E por essa razão, não é mais possível o Autosport continuar a disponibilizar todos os seus artigos gratuitamente.
Para que os leitores possam contribuir para a existência e evolução da qualidade do seu site preferido, criámos o Clube Autosport com inúmeras vantagens e descontos que permitirá a cada membro aceder a todos os artigos do site Autosport e ainda recuperar (varias vezes) o custo de ser membro.
Os membros do Clube Autosport receberão um cartão de membro com validade de 1 ano, que apresentarão junto das empresas parceiras como identificação.
Lista de Vantagens:
-Acesso a todos os conteúdos no site Autosport sem ter que ver a publicidade
-Desconto nos combustíveis Repsol
-Acesso a seguros especialmente desenvolvidos pela Vitorinos seguros a preços imbatíveis
-Descontos em oficinas, lojas e serviços auto
-Acesso exclusivo a eventos especialmente organizados para membros
Saiba mais AQUI

10 comentários

  1. rfz

    25 Janeiro, 2017 at 14:25

    Só mesmo alguém de má fé ou muito ignorante pode achar que a morte do espectador no monte carlo deste ano deve-se ao aumento da potência dos carros!!!! E neste caso o carro nem tocou no espectador!! A verdade é que tivemos uma prova com emoção como há muito já não tínhamos no WRC!!! Aqueles que proferiram aqui que a FIA estaria a dar um tiro nos pés com o aumento da potência dos carros (um conhecido piloto nacional referiu isso…), venham agoirar agora…

    • Maxiumattack

      25 Janeiro, 2017 at 17:40

      Quem foi esse piloto?
      Acho que no Monte assim como na Catalunha, por vezes o publico abusa um pouco no sitio onde se colocam, assim como se abusa em Portugal de modo como afunilam toda a gente para as show zones!
      Nem tanto ao mar nem tanto á terra!

      • João Pereira

        25 Janeiro, 2017 at 19:29

        Compreendo a forma rígida como se controla o público em Portugal. Se houver um incidente (outro) lá se vai a prova por uma porrada de anos. É melhor assim.

      • Antonio

        26 Janeiro, 2017 at 10:57

        Completamente de acordo.Em Monte Carlo(estive lá em 2008)é”tudo ao molho e fé em Deus”.Em Portugal a segurança é rigida demais,mas temos que perceber que pode estar a continuidade do nosso rali em causa,e com os WRC’s de 2017,a probabilidade de um acidente grave,aumentou.

    • miguelgaspar

      25 Janeiro, 2017 at 20:14

      Caro rfz, infelizmente foi o carro que atingiu o homem. Na camera onboard, momentos antes de Paddon perder o controlo do carro, ve-se o flash da camera ( ou telemovel) mesmo na zona onde o carro bateu. Existe outra gravaçao, que se for vista no youtube, reduzindo a velocidade de reprodução, dá para perceber que o homem foi atingido e projectado pelo morro acima. Tem razão sobre o facto do aumento de potencia não ter nada a ver com esta situação.

  2. João Pereira

    25 Janeiro, 2017 at 19:26

    Ao Sr. Abreu.
    Ora bem! Há uma coisa que devia ser salientada neste artigo, e que é o facto de ainda não ter sido tornado público se o espectador foi atingido pelo carro, ou estava pendurado e caiu em cima do carro.
    É importante apurar as responsabilidades, e também é importante perceber que se um espectador senta num calhau a 6 metros de altura e se desequilibra com o cagaço que apanhou, a culpa não é da equipa, da organização, do regulamento que permite construir o carro ou seja o que for do género. Mais uma vez temos jornalismo de jornaleiro (jornaleiro vende jornais, não informa), porque o que há a salientar, é que se o acidente ocorresse com um carro de 2016 ou mesmo um R2, o palerma do “alpinista” ia partir o pescoço da mesma forma, e é isso que deve ser referido.
    O jornalista quando diz que 1986 foi o ano de todos os excessos no mundial de ralis, esquece que os F1 também tinham 1300cv e no ralycross havia o Porsche de Matti Alamakki com 1000cv. Qualificar o regulamento do grupo B de irresponsável e estúpido, só porque os carros eram perigosos para os pilotos, não implica associar esse regulamento à morte de espectadores estúpidos que estavam sentados no chão no exterior de uma curva, já que todos sabemos que espectadores têm sido mortos por carros de categorias inferiores, apenas porque não têm bom senso de se colocarem em posição segura. Sim, os espectadores eram estúpidos em 1986, e continuam a ser em 2017, associar os carros de Grupo B, á estupidez dos espectadores é uma asneira, que não pode ser cometida por um jornalista da especialidade, porque é compreensível apenas num jornalista generalista ou especializado em futebol ou política.
    Eu estive em muitos ralis em 1986, e até em 1976 e aquilo que acredito é que os carros não podem ser associados ás mortes de espectadores. Provavelmente o jornalista em 1986 nem sequer ia ver ralis, ou então nem percebia o que estava a ver.
    Se o jornalista disser que os carros de 1986 não eram seguros para os pilotos, concordo, pelo menos em relação aos carros de chassis tubular (Lancia ou Peugeot por exemplo), no entanto temos que considerar que no que toca ao público, os espectadores é que então, e hoje continuam a não ser seguros e responsáveis para si próprios, nem para os carros e quem lá vai dentro. Note-se que o Rallye de Monte Carlo tem um histórico ainda mais grave em termos de público que o Rally de Portugal, porque enquanto por cá o público estava mal colocado, em Monte Carlo, ainda por cima atiravam neve para a estrada para os verem a bater. Os batedores passavam e davam o troço como limpo, e quando os carros passavam, havia neve sem ter nevado.
    Não é preciso ser cientista de física quântica, para perceber que a fatalidade de 1986 na Lagoa Azul, não teve a ver com o carro do Quim Santos, mas sim com a colocação do público. Que as mortes de Henri Toivonen, Sérgio Cresto e Atilio Bettega ou até o navegador de Marc Surer em Ypres também num RS200, não foram muito diferentes da de José Arnaud muitos anos antes (13), ou mais recentemente dos navegadores de Gareth Roberts num S2000, ou de Michael Park num WRC e tantos outros infelizmente. O desporto motorizado é perigoso para os pilotos e navegadores, e também para o público, mas em relação a estes últimos, por razões que não têm nada a ver com os carros e eventuais erros de pilotagem, mas sim com o seu próprio bom senso e instinto de auto preservação. Isso é que tem que ser dito.
    Esta crítica, baseada na minha opinião pessoal, pretende fazer notar, que o seu artigo, que deveria ser esclarecedor, parece mais virado para “deitar lenha na fogueira”, o que considero lamentável.
    O que deve ser percebido, é que depois de 1986, o grupo B acabou, por razões de segurança dos pilotos, e que se procedeu a alterações ao figurino dos ralis do mundial, para evitar problemas de segurança relacionados com o público. O seu artigo, mistura tudo num balde, e faz parecer que os grupo B eram por si só a razão dos acidentes que envolveram público.
    Com os melhores e muito respeitosos cumprimentos.
    João Pereira

    • Maxiumattack

      27 Janeiro, 2017 at 11:30

      O seu comentário a este artigo? Respect!! O seu comentário devia ser o artigo.

      • João Pereira

        29 Janeiro, 2017 at 12:26

        Obrigado pelo seu elogio, mas cuidado que pode ferir susceptibilidades. Há coisa de 3 semanas, o jornalista Sr. Abreu ameaçou-me de expulsão definitiva do site por alegada falta de respeito por quem trabalha.
        Numa critica que fiz, disse que o Autosport tinha metido as “patas pelas mãos”, a coisa foi levada muito a peito e de forma literal, quando nunca foi minha intenção sugerir que a pessoa padecesse de alguma deformidade física, muito menos de natureza tão monstruosa.
        Enfim, temos que ter muito cuidado com o que escrevemos.
        Cumprimentos.

  3. João Pereira

    25 Janeiro, 2017 at 19:30

    .

  4. João Pereira

    25 Janeiro, 2017 at 19:31

    .

Deixe aqui o seu comentário

últimas Ralis
últimas Autosport
ralis
últimas Automais
ralis