O Clio Trophy Portugal arrancou em Castelo Branco, num rali que desafiou pilotos e máquinas. A Renault destaca a fiabilidade dos carros e a importância da formação de base para jovens talentos, defendendo que a federação deveria restringir a licença para carros com mais de 200 cv a pilotos experientes. Pedro Matos Chaves partilha a sua experiência, enquanto a Renault apela à FPAK para uma formação estruturada, defendendo que os ralis para os pilotos menos experientes, jovens ou menos jovens, devem começar pelos carros menos potentes.

Um rali desafiante para abrir a temporada
A segunda temporada do Clio Trophy Portugal arrancou em Castelo Branco, num rali que colocou à prova máquinas e pilotos logo à primeira prova do calendário. Como é que a Renault avalia para já?”
“Muito bem, para nós, enquanto Renault, o nosso sucesso é a fiabilidade dos carros e neste rali, mais uma vez, não tivemos nenhum carro com problemas. O rali é longo, rápido e tivemos dois pilotos com duas saídas de estrada, mas felizmente nada muito grande, voltaram à estrada em Super Rally, o outro conseguiu ainda acabar o troço e, portanto, continuou. De resto, o João Rodrigues portou-se muito bem, ganhou quase os troços todos…
Formação de base: a prioridade da Renault
“Estamos cá a tentar apoiar jovens que irão aparecer, menos jovens, num primeiro passo no desporto automóvel, porque defendemos sempre que a própria federação devia não permitir que pilotos tiram a licença pela primeira vez, guiassem carros com mais de 200 cv.
Acho que os ralis começam-se pelo princípio, por abaixo para aprender a guiar, para aprender a ouvir notas, para aprender a tirar notas e a nós, enquanto Renault com o Clio Rally5, estamos no primeiro degrau e gostávamos que começassem por nós, porque o troféu é muito equilibrado.
Os pneus são Michelin, o carro é fiável, a Renault Sport já fez 800 carros destes, é fiável e barato. É a classe mais barata, e depois os pilotos estão preparados para fazer os Rally4 ou para voos mais altos.
Nós temos bons prémios para tentar compensar os pilotos que aparecem, com uma ajuda monetária e agora estamos no princípio do segundo ano, e entusiasmados para ter um troféu disputado até o fim.”

A voz da experiência: Pedro Matos Chaves e o apoio aos jovens talentos
Será que a partilha de experiência é um fator-chave para o sucesso no mundo dos ralis, mesmo entre pilotos já estabelecidos? Matos Chaves, uma figura com longa trajetória nos ralis, acredita firmemente que sim. Com uma paixão pela juventude e um olhar atento ao desempenho em pista, tem-se dedicado a aconselhar outros pilotos no troféu, partilhando o conhecimento acumulado ao longo de anos de competição.
“Eu sempre gostei da juventude no motor sport e acho que nós mesmos, quando temos já uma idade mais avançada, é sempre giro. Já nos karts, quando andei nos com o meu filho, gostei imenso do acompanhar porque é sempre bom ver quem está a começar e seguir a juventude.
Aqui no troféu, é evidente que depois de tantos anos ralis, também penso que posso passar alguma experiência, muitas vezes aprende-se muito a ver, e eles não podem ver porque estão lá dentro, mas quem está cá fora e vai ver para sítios onde se percebem níveis de confiança e tudo isso…
E depois é sempre bom dizer aos pilotos que muitas vezes eles estão tristes, ou acham que estão a guiar o carro bem, e o carro é para andar solto, é um carro que não é preciso puxar tanto as rotações cá para cima, pode-se guiar um bocadinho mais solto e quem está de fora, às vezes, vê os pilotos a cometer erros, e acho que eles ouvem, e acho que penso que os ajuda.”
O apelo à FPAK: uma formação estruturada
O Clio Trophy Portugal juntou este ano experiência com alguma juventude e irreverência. É isto que a Renault também andava à procura, juntar aqui, não só jovens, mas também outro tipo de pilotos?
“Não, nós de um modo geral, o que gostávamos era de sermos a primeira escada do desporto automóvel, neste caso dos ralis. Porque é uma estupidez um tipo ir para a universidade sem fazer o liceu, não é?
Portanto, acho que jovens como o Carlos Marreiros, que tem 18 anos e veio do Algarve e quer correr e está a começar, está a dar os primeiros passos. E há ‘malta’ que só tem dinheiro para correr aos 45 anos, porque, entretanto, teve sucesso profissional, e consegue juntar algum dinheiro e começar a correr.
E somos a classe mais acessível. Os carros são iguais para todos. São fiáveis, não dão problemas…
As equipas gostam de trabalhar nos carros, as manutenções entre ralis não são grandes.
Só estamos a fazer asfalto que ajuda imenso aos custos, porque os carros na terra levam uma coça grande.
E nós estamos abertos, claro, para toda a gente.
Agora, toda a gente que começa, que seja 40 anos ou 18, acho que lhes fazia bem – e nisso queríamos que a Federação alinhasse connosco, não para fazerem connosco, podem fazer com outras marcas – mas acho que é uma asneira haver pilotos com dinheiro logo para um Rally2 e não fazer nada antes, e começar com um Rally2.”
É uma asneira, depois a gente vai à estrada ver e não há trajetórias, não aproveitam bem os carros, percebe-se logo que são muito inexperientes para os carros que estão a guiar.”
Portanto, como no meu tempo e do Ni Amorim, havia Iniciados, um novo piloto tinha que fazer Iniciados.
Era obrigatório começar pelos Iniciados. Digamos que, carros até 200 cv fariam parte desses Iniciados.
E acho que se devia direcionar os pilotos que tiram a licença pela primeira vez para ralis, para carros menos potentes, para quando chegarem aos carros mais rápidos poderem apanhar uma oportunidade e faturar.”
“Veja-se o exemplo do Hugo Lopes, saiu do troféu Peugeot e agora pegou num carro mais forte e está a andar, quase na primeira vez que apareceu, ao nível do Zé Pedro Fontes e do Ricardo Teodósio, do Pedro Almeida e tudo isso. Portanto, esta malta tem que ter paciência porque nestes meios, primeiro deve ganhar-se a mão, para quando depois se tem a oportunidade de ter um carro mais potente, chegar mais depressa aos limites desse carro mais rápido…”
Por Pedro Mendes











