Em primeiro lugar, e como não podia deixar de ser, não é possível nesta altura dar essa resposta, pois se entrar uma prova de asfalto no CPR, outra tem que sair, e nenhuma delas ainda se realizou em 2023, portanto essa resposta é impossível logo à partida.
Mas a questão até é muito mais, se faz sentido, caso o evento tenha um bom relatório dos observadores, pois só esse têm como função julgar da validade ou não de um projeto.
O que sabemos, e que vos vamos dizer é o que acham quem lá anda, desde pilotos a simples observadores do fenómeno dos ralis em Portugal e a questão começa logo de uma forma clara para não deixar dúvidas.
No passado, falava-se muito que os ralis, como muitos outros eventos desportivos ou culturais, deviam rumar a outras zonas do país, que não só os grandes centros populacionais, o que até fazia e faz algum sentido para ajudar a desenvolver essas zonas, mas como bem sabemos, hoje em dia tudo é negócio, e as marcas que investem nos ralis e não estamos a falar somente de construtores de automóveis, o que querem é retorno para os seus produtos, os construtores querem que as pessoas vejam os carros, conheçam os carros, associem os carros às gamas que têm à venda, e no final, optam pelas suas marcas ao invés das outras.
É assim em todo o mundo, todas as marcas, eventos, desportos, etc, lutam pela maior atenção das pessoas, para que no final sejam beneficiados, e obtenham o retorno que procuram para o seu trabalho.
Nesse contexto, os ralis não podem fugir das zonas onde há mais gente, mais pessoas a dar retorno às marcas, pois sem esse investimento que procura retorno, o desporto ‘morre’. Todo e qualquer desporto no mundo tenta seduzir patrocinadores, alicerçando-se no que vale e no que tem para mostrar aos adeptos em particular e às pessoas, em geral.
Por isso, os ralis têm forçosamente de ser pensados de uma forma bem diferente do que sucede até aqui com muitas poucas exceções. Os ralis têm que ser pensados de forma profissional, com pessoas competentes para responder a diversas questões que um qualquer estudante de Marketing deve saber.
O que vou referir a seguir não vem de nenhum especialista de marketing, não o sou, mas de alguém que já cá anda há trinta anos e já é capaz de ter algumas ideias.
Duma coisa não tenho dúvidas, para potenciar um evento desportivo junto do público e promovê-lo é preciso fazê-lo de forma eficaz, é necessário implementar uma estratégia de marketing adequada, e neste caso nem sequer é preciso perder muito tempo com o público-alvo porque todos precisam de automóvel ou de tudo o que está ligado a ele começando logo pelos combustíveis.
O evento que se promove deve já ter uma forte identidade de marca, e se não tem, há que se criar, como muito bem tem feito o CPKA, que em três anos fez crescer esta prova da forma que todos vemos.
A identidade visual da marca está lá, o logotipo e os slogans que ligam a prova a Lisboa são claros, o lugar onde foi feita a partida e a chegada, muito importante.
Depois, como não podia deixar de ser hoje em dia, muito marketing nas redes sociais, utilizar as plataformas populares, como Facebook, Instagram, Youtube, Twitter, se calhar Tik Tok, tem que se partilhar consecutivamente informações relevantes, imagens, vídeos e atualizações tudo isto muito regularmente.
É preciso usar @hashtags relacionadas ao desporto e ao evento para aumentar a visibilidade, sem nunca esquecer que isto só chega maioritariamente a quem já está de algum modo a seguir automóveis ou as marcas agregadas e mesmo assim estará longe de chegar a todos.
Por isso tem que se chegar aos outros. E esses são muito mais difíceis. Outdoors estratégicos ajudam…
É preciso criar um site totalmente dedicado ao evento e o CPKA fê-lo desde a primeira hora.
Aqui, os potenciais interessados devem poder encontrar informações detalhadas, como data, localização, programação, se possível detalhes dos atletas ou equipas participantes.
Para chegar a outros públicos, há que gastar dinheiro em publicidade para promover o evento, especialmente na TV e na rádio. Publicidade online, anúncios em banners. Eu sei que é fácil falar ou escrever, difícil é ter ou conseguir dinheiro para o fazer.
Pode fazer-se parcerias com influenciadores digitais (youtubers, influencers) ou personalidades conhecidas no mundo do desporto ou da cultura para ajudar a promover o evento.
É preciso fazer Marketing de conteúdo, criar conteúdo relevante e interessante relacionado com o evento, qualquer coisa que seja chamativa.
Para chamar público distinto, é preciso sair do casulo dos ralis ou do desporto motorizado e saber fazer parcerias com eventos culturais, vejam o que a Promolafões fez com a Feira de São Mateus em Viseu. E este é só um pequeno exemplo.
Tendo em conta a atual localização do centro operacional do Rali de Lisboa, porque não tentar ligar um Festival de Música que não fosse dos maiores, ao evento, com concertos, logo ali ao lado. Grupos portugueses, por exemplo. Uma feira de automobilia, porque não, marcas a expor os seus automóveis e a fazer campanhas especiais ‘Semana Rally de Lisboa’.
Marketing de experiência é muito importante, se fosse possível ter um percurso de super especial passível de ser percorrido para oferecer experiências únicas a quem tivesse ganho passatempos, por exemplo.
Para lá de sessões de autógrafos, eu faria também outra coisa, um palco, dois microfones, um speaker, perguntas do público, respostas dos pilotos, histórias, tudo isto poderia ser feito facilmente, se bem promovido.
É só ter ideias, eu sei que é difícil concretizar a maioria, mas sem se tentar nada se faz, isso é certo.
Nem sequer vale a pena referir parcerias com meios de comunicação generalistas.
Fazer publicidade em locais estratégicos é fundamental, jornais locais, outdoors em áreas próximas ao local dos troços do evento e placas de publicidade em estradas da zona dos troços, pois isso ajudará a criar consciencialização sobre o evento entre a população.
Podemos falar ainda de marketing de influência, pode-se identificar influenciadores digitais, blogueiros e vloggers que têm bons números de seguidores e nem sequer precisam de ser ligados ao automobilismo ou ralis, pois eles também precisam de coisas novas para alimentar o seu público. Convidem-nos para cobrir o evento, partilhar as suas experiências e opiniões em seus canais e promover o evento para seu público. Já vimos várias vezes isto ser feito. Lembra-se do dia em que o António Raminhos disse “quase perdi os tintins”? foi dentro de um carro de rali, teve 300 mil visualizações no Youtube. São muito poucos os vídeos do WRC que têm 300.000 visualizações e esses são para todo o mundo.
Pode parecer que divaguei demasiado, mas a minha intenção não é responder à pergunta do título, mas sim mostrar que todos e não só este rali podem e devem ser encarados de forma muito diferente do que tem sucedido até aqui. Claro que olhando para um Rali de Portugal e tudo o que acontece à volta dele acaba por ser natural, pois é uma prova do Mundial, mas a outra escala os ralis têm que ser encarados de forma diferente, e se algumas coisas que referi atrás pudessem ser feitas, o impacto que os ralis teriam seria muito maior do que sucede hoje em dia. Olhem para eventos como o Leiria sobre Rodas, é um perfeito exemplo de um evento que poderia perfeitamente estar ligado ao Rali Vidreiro com ganhos evidentes para todos.
Não será preciso falar aqui do Rali Vinho Madeira, pois a Pérola do Atlântico deve ser a única região do país em que os ralis são mais ‘fortes’ que o futebol. Tudo o que acontece à volta do rali é o perfeito exemplo do que devem ser os ralis em Portugal. Mas é uma ilha.
Não tenho a mais pequena dúvida do potencial do Rally de Lisboa. Mas mais coisas precisam de ser feitas para o nível continuar a subir. Falei com pilotos que ficaram muito agradados com os troços, são diferentes de tudo o que tivemos e temos no CPR. Não são perfeitos, é difícil serem porque qualquer organizador está sempre refém da quilometragem e do que consegue lá encaixar. Mas ainda há margem para melhorar um pouco e o que vou dizer a seguir é apenas uma ideia minha que seria sempre muito difícil de levar a cabo. Mas nunca impossível…
Se não tivesse ‘espartilhos’, o meu Rally de Lisboa começava com a ‘Noite de Sintra’. Duas passagens no mesmo troço que Markku Alén e Hannu Mikkola eternizaram em 1978, Sintra. E não só 1978, claro porque muito e bom se passou por lá nos anos 70 e 80. E depois todo o resto do Rali no sábado acabando ao pôr do sol em Belém…
Fica para quem de direito fazer os calendários do CPR, o importante destas linhas é o que os ralis podiam e deviam ser e não onde se disputam…











