Lara Rodrigues estreou-se nos ralis: “o que mais gostei? Poder andar à vontade na estrada…”
No passado fim de semana, entre o cheiro a travões quentes e a cadência seca das assistências, houve um coração que bateu de maneira diferente no Rali das Camélias. Não era o de João Rodrigues, habituado à pressão do cronómetro, mas o de Lara, a sua filha, que entrou pela primeira vez num rali e saiu de lá com uma certeza rara: às vezes, o fascínio só começa quando se pisa o acelerador.
Lara Rodrigues chega aos ralis pela porta que mais facilmente alimentaria um cliché – a de ser filha de um piloto em destaque no panorama nacional – , mas a conversa mostra rapidamente outra coisa: a construção de uma vontade própria. Filha de João Rodrigues, o piloto que se fez conhecido pelo que andava com o ‘106 Leãozinho’, depois vencedor do Troféu Clio em 2025 e agora um dos nomes fortes na luta pelo Campeonato de Portugal de Ralis de Duas Rodas Motrizes em 2026.
Lara Rodrigues estreou-se no Rali das Camélias e terminou logo com bons indicadores: 21ª da geral e 2ª da classe P2-3.
Mais do que os números, importa a forma como fala sobre esta estreia. Lara admite que entrou no projeto por desafio e curiosidade, com uma ideia incompleta do que realmente é um rali. O que encontrou foi um ambiente mais exigente, mais técnico e mais absorvente do que antecipava. Entre o nervosismo do arranque, a frustração de perder tempo logo nos primeiros quilómetros e o prazer puro de “andar rápido”, revela-se aqui uma competidora instintiva, mas também alguém consciente dos limites, da aprendizagem e do peso da estreia.
Nesta entrevista, fala-se dessa descoberta: da passagem da curiosidade ao compromisso, da influência do pai sem sombra excessiva, do papel decisivo de Bruno Carvalho na adaptação ao carro e às notas, e daquilo que distingue um simples gosto pela velocidade da experiência total dos ralis. É isso que torna esta conversa relevante agora: porque capta o momento exato em que uma estreia deixa de ser apenas um episódio e pode parecer o início de um caminho.

AutoSport: Foste tu que quiseste vir fazer isto ou desafiaram-te?
Lara Rodrigues: “Desafiaram-me. Eu já tinha pensado, mas não era isto que eu achava que gostava, sempre gostei da velocidade e tudo mais, mas dos ralis, eu tinha uma ideia muito diferente do que que era um rali. Mas depois o meu pai sugeriu vir fazer o Rali das Camélias, e eu aceitei, porque era uma oportunidade. Quis aceitar, viemos fazer, terminar a prova era o objetivo e por isso ia-me divertir de qualquer das maneiras. Quis experimentar também para saber se era isto que eu gostava, ou não. Depois quando comecei a treinar, percebi que era bastante diferente e era muito mais interessante do que realmente eu achava antes.
AS: Tu já andas há muito tempo atrás dele, né?
LR: “Hum… nem por isso. Vi poucas provas dele, por causa do meu trabalho, não tenho muito tempo, mas não tenho acompanhado muito e nunca tinha treinado nada.”
AS: Como é que foi para ti o começo deste rali, qual foi o momento em que passaste do nervosismo para a adrenalina?
LR: “Eu acho que foi quando pisei no acelerador. Por acaso não estava muito nervosa, mas comecei a ficar mesmo nervosa quando já estava muito perto de começar o primeiro troço. E depois houve logo uma situação em que apanhamos logo um concorrente à nossa frente, logo ao km 2 e eu fiquei um bocado chateada porque não era nada que eu pudesse controlar e perdemos logo ali um bom tempo. No caso, foram 14 segundos…
Eh, pronto e aí fiquei logo um bocado chateada, mas hoje já estava completamente a adorar estar aqui, e foi mesmo uma experiência muito boa.”
AS: É engraçado, tu logo na primeira prova que fazes, já te estás a preocupar com o tempo que perdes.
Eu sei que isso faz parte dos ralis, mas no primeiro rali logo nota-se que a veia competitiva está aí…
LR: “É, eu sou um bocadinho competitiva, mas não é só, eu também quero vir ‘curtir’, mas também quero mostrar o que que eu sei fazer….”
AS: O que é que tu descobriste com esta experiência?
LR: “Que quero continuar, se houver mais oportunidades, pois gostei muito. E agora já percebi que isto não é só competição, isto vai muito para lá de vir aqui a dar uma volta de carro, curte-se muito com toda a experiência…”
AS: E o que é que gostaste mais desta experiência toda?
LR: “Olha, foi andar rápido. Foi poder andar como eu queria, à vontade, na estrada, é mesmo muito divertido…”
AS: Uma coisa é rodar, outra é ‘lutar’ contra o cronómetro…
“É muito mais desafiador. Mas eu acho que quando nós entramos na prova, não estamos muito preocupados com os tempos. Eu não estava preocupada com os tempos. Estava preocupada, sim, era fazer tudo certinho e acabar a prova, foi o que fiz, correu tudo bem. Ainda bem.”
AS: Qual foi o melhor conselho que o teu pai te deu? Algo que te tenha dito, que depois pensaste, ainda bem que ele me avisou…
LR: “Disse-me, ‘quando chegares lá, vais andar de carro. Não vais fazer nada que não saibas, vais simplesmente andar de carro’. E foi isso que eu fiz, mas às vezes queria andar um bocadinho mais, mas não deu para dar tudo porque não tenho experiência, foi mesmo a primeira vez com este carro, aliás, em qualquer tipo de desporto motorizado, nunca tinha feito nada, foi mesmo a primeira vez.
E também tinha que ir sempre com o ‘pé atrás’ para não dar demasiado, e depois não saber bem o que fazer, se sucedesse alguma coisa. Mesmo assim deu um bom resultado, espero que haja mais oportunidades.”
AS: Conseguiste ouvir notas ou entraram a 100 e saíram a 1000?
LR: “Foi um bocadinho dos dois. O Bruno (ndr, Bruno Carvalho, navegador de João Rodrigues) às vezes chamou-me à atenção, ele ajudou-me muito. Ele foi mesmo muito importante, porque me ajudou, eu não tinha experiência nenhuma, então, por vezes alertava-me para o que fazer e se não fosse com essa ajuda, se calhar, eu não tinha feito nem metade do que eu fiz.”
Ficaste com vontade de guiar o carro do pai?
“Quando se anda num carro desses, quer-se sempre andar um bocadinho mais. Agora é para tentar repetir quando for possível, né?”
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