HUGO MAGALHÃES: AOS CÍRCULOS, DE POLO NO ÁRTICO!

Por a 31 Janeiro 2020 15:26

Por José Luís Abreu

Hugo Magalhães esteve recentemente na terra do Pai Natal, a Finlândia, no Rali do Ártico, e contou-nos como é correr com um piloto da Arábia Saudita, terra do calor e de muita areia, num rali com muita neve, temperaturas (bem negativas) e milhares de simpáticas renas…

Como se sabe, Hugo Magalhães é um co-piloto multifacetado, e, nesse âmbito, tem navegado diversos pilotos. Para se ter uma ideia, nos últimos três anos, Hugo Magalhães esteve ao lado de Bruno Magalhães, Nabila Tejpar, Rakan Al-Rashed, André Lavadinho, Diogo Salvi, Rúben Moura, Olli Walter, Abdullah Al-Kuwari, Alexey Lukyanuk, Miguel Barbosa, Rashid Al-Naimi e Mark Wallenwein, facto que lhe oferece um leque de experiências muito diversas, o que lhe permite olhar para o seu trabalho de perspetivas bem diferentes, com questões da mais variada índole a surgirem dos mais diversos quadrantes.

A experiência que adquire a trabalhar com realidades tão distintas fá-lo crescer como navegador, e tudo isto é experiência acumulada que o pode levar muito rapidamente a outros palcos. Mas do mesmo modo que a grande diversidade de pilotos lhe permite ganhar diferentes tipos de experiência, também alguns ralis são para si desafios diferentes, como foi o recente caso do Rali do Ártico, que mais uma vez disputou ao lado do piloto saudita Rakan Al-Rashed.

Em primeiro lugar, a vida de um navegador que trabalha com tantos pilotos diferentes por vezes requer também uma enorme ‘ginástica’, e depois do período festivo que se viveu em Portugal, foi hora de recomeçar a época de trabalho: “Após alguns dias de descanso para poder estar junto da minha família no natal e na passagem de ano, depressa chegou a hora de regressar ao trabalho e na hora de embarcar para a primeira grande aventura do ano, o Rali do Ártico, na Finlândia, a primeira coisa que tive de enfrentar foram 17 horas de viagem, entre carro e três diferentes voos até ao círculo polar Ártico. Depois foram mais dois dias de testes para nos adaptarmos ao Volkswagen Polo R5 com o qual iríamos competir pela primeira vez.

Mas antes disso, esta prova tem questões muito específicas, já que se disputa numa zona em que as temperaturas negativas obrigam a cuidados adicionais, já que nunca se sabe quando podemos ficar parados no meio do nada e com temperaturas extremamente negativas. Não podemos iniciar os reconhecimentos do rali sem antes verificar todo o material necessário para podermos estar em segurança.

Neste rali somos obrigados a transportar roupas quentes, pá de neve, corda para reboque, kit de primeiros socorros e triângulo. Porque, por exemplo, os nevões são frequentes e inesperados tornando a visibilidade quase nula e as estradas difíceis ou mesmo impossíveis de circular, existindo o risco de ficar preso num troço. A juntar a estas dificuldades só temos quatro horas e meia de luz natural. Os conhecimentos iniciam-se na segunda-feira às 8 horas e terminam na quinta-feira às 17 horas, ou seja, nós podemos gerir da melhor forma os nossos dias, porque esta janela de reconhecimentos é alargada, devido à pouca luz natural e à instabilidade da meteorologia”, começou por nos dizer Hugo Magalhães, que tem uma história curiosa para nos contar: “Esta prova não repete troços, pelo que temos de reconhecer cerca de 200 km de especiais, que só fazemos uma vez, e como passamos por locais com milhares de renas, não queremos ter nenhum acidente. Em primeiro lugar porque me iria custar imenso um cenário desses,

com animais tão simpáticos, segundo, porque temos procedimentos estabelecidos. Existe a obrigatoriedade, em caso de atropelamento de uma rena, de informar de imediato a polícia, que por sua vez comunica com o proprietário e com a organização do rali e, por fim, não quero que o Pai Natal me exclua da sua lista para este ano!”

Numa altura em que o Rali da Suécia se debate com a falta de neve nos troços previstos para a prova deste ano, no Rali do Ártico isso é ‘coisa’ que não falta: “Em relação ao rali propriamente dito, metade das especiais são feitas à noite, rápidas e fantásticas. Existem parques de assistência remotos como existia antigamente nas ligações, e se no ano passado fomos recebidos com temperaturas que chegaram a atingir -35 °C, este ano não foram além dos -15 °C. Deve ser do efeito do aquecimento global! De qualquer forma, fomos brindados com uma enorme quantidade de neve e fortes nevões durante quase todas as especiais, dificultando a progressão. Nestas condições é muito difícil fazer uma leitura exata do terreno e muitas vezes ao olhar para a frente apenas vemos branco e nenhuma trajetória ou ponto de travagem que possa ajudar. Quando a neve cai intensamente, especialmente à noite, é praticamente impossível usarmos as luzes suplementares, pois ficamos totalmente sem visibilidade 100 metros à nossa frente.

Para minimizar este problema, desligávamos as luzes extra e noutras resolvemos tapar com fitas as luzes centrais para não impedir a visão a longa distância. São pequenos truques que se ganham com a experiência. Apesar de todas as dificuldades e do 28º lugar final, foi um rali que nos proporcionou condições e experiências para evoluirmos em todos os aspetos. Foi a primeira vez que guiámos o Volkswagen Polo R5, que é um excelente carro, mas que requer alguma habituação para se tirar o melhor partido dele. Agora, venha a próxima aventura!”

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