CRÓNICA: Começo de fim de linha para Sébastien Loeb?
A prestação de Sébastien Loeb no Rali de Monte Carlo foi uma enorme surpresa para toda a gente, provavelmente também para ele próprio. Não há piloto em atividade com mais experiência na prova do que o francês, e vendo a quantidade de erros e a falta de ritmo que demonstrou nesta prova, não há como enganar, esta foi uma das piores prestações de sempre no seu fantástico currículo.
No Monte Carlo, não ter ritmo para Thierry Neuville, Sébastien Ogier e Elfyn Evans, ainda vá, porque está a andar-se muito, entre quem luta para vencer provas no WRC e luta pelo título, mas as dificuldades que teve em manter o quarto lugar depois de já ter revelado que, tendo em conta que não conseguiria chegar à frente, tinha de manter o quarto lugar, foi dramático. É claro que teve problemas com as escolhas e desgaste de pneus, mas se não precisava de arriscar ao levar pneus mais macios, precavia-se. Experiência não lhe falta para isso. E pior que o sexto lugar, foi o que ‘andou’.
Segundo rezam as crónicas, Loeb ficou afetado com o acidente de Ott Tanak, e isso terá mexido com o seu subconsciente.
O que aconteceu a Ott Tanak e a Martin Jarveoja foi quase um milagre, pois se aquela saída se tem dado numa zona em que houvesse a possibilidade de colidir com árvores de porte significativo, o risco de uma tragédia teria sido imenso. Ironicamente, tiveram ‘sorte’ na dinâmica do acidente.
Voltando a Loeb, na sua crónica habitual no jornal L’Equipe, revelou que “eu queria respeitar o compromisso com a equipa, mas quando o Andrea (Adamo) me perguntou se eu pretendia disputar o Rali da Suécia, demorei pouco tempo a responder.
Não quero ser um travão para a Hyundai Motorsport. Eu sabia que as pessoas reagiriam dizendo que eu estava a ser deixado de lado, mas ir para a Suécia correr em condições merdosas, a, quando outros vão pilotar como selvagens e quem quiser acompanhar tem que arriscar muito para conseguir fazer algo, eu não senti muita vontade”.
Como se sabe, Loeb foi trocado por Craig Breen, que já obteve bons resultados no Rali da Suécia, prova que aguarda decisão da FIA quando à sua realização, devido à falta de neve.
Agora, com cinco provas pela frente no contrato, alsaciano está agora a repensar a sua época e onde pode ajudar mais a equipa e a escolha irá recair em provas de terra.
Não faz sentido fazer grande drama com tudo isto, pois o tempo não perdoa e todos os grandes campeões entram numa linha descendente de produtividade, pelas mais variadas razões. Sébastien Loeb não precisa de estender a sua carreira nos ralis, se não sentir que pode ajudar, pois o que já fez no WRC chega e sobra muito para qualquer outro. Seja como for, acreditamos que no rali certo, é bem capaz de repetir o que fez na Catalunha 2018 com a Citroën, vencer. Está em declínio? Talvez, mas se quiser ‘reagir’, classe não lhe falta.





