Sérgio Ribeiro, CEO da Hyundai Portugal: “Os ralis ajudam imenso a promoção da imagem da Hyundai”
Sete meses depois de ter anunciado oficialmente o seu projeto no CPR, a Hyundai tem cumprido o que se propôs: “dar espetáculo, trazer emoção ao desporto automóvel”. Numa altura em que a equipa está bem encaminhada para chegar aos títulos, fizemos um balanço do projeto com Sérgio Ribeiro, CEO da Hyundai Portugal.
José Luis Abreu c/Gonçalo Cabral/16 Válvulas
A Hyundai é mesmo uma pedrada no charco dos ralis nacionais, não só ao fazer regressar, após cinco anos de ausência um dos seus mais destacados pilotos de sempre, Armindo Araújo, bem como colocar a seu lado o atual Campeão em título, Carlos Vieira. Quando chegámos a Fafe, todos sem exceção puderam testemunhar que o Team Hyundai Portugal vinha para mesmo para fazer diferente, e passados todos estes meses, não restam dúvidas a ninguém que a equipa veio acrescentar muito à competição, não só em termos desportivos, mas também por tudo o que tem feito a nível de imagem e promoção do campeonato.
Neste momento, e quando faltam apenas duas provas para o fim da competição, tudo está bem encaminhado para que Armindo Araújo seja campeão, logo no primeiro ano após o seu regresso, mas do nosso ponto de vista, e julgamos que também dos adeptos, todos os interessados neste fenómeno, o que queremos saber é como vai ser o futuro. Gostamos do que estamos a ver, e por isso queremos mais, e para o tentar saber, nada melhor do que falar com o responsável máximo, Sérgio Ribeiro, CEO da Hyundai Portugal.
AutoSport: Disse na apresentação do Team Hyundai Portugal no início deste ano que “temos vindo à procura de projetos ambiciosos para a nossa marca, que sejam sólidos e que tragam à marca emoção e competitividade” Trouxe mais ou menos do que esperava?
Sérgio Ribeiro: As expetativas que tínhamos a este nível, nesta aposta dos ralis foram desde já perfeitamente atingidas. Nós quisemos posicionar-nos logo desde o início, embora entrando pela primeira vez, quisemos posicionar-nos a um nível competitivo de topo, logo neste primeiro ano e como está demonstrado temos conseguido fazê-lo.
Acho que fomos de facto ambiciosos, quisemos marcar a a diferença em vários aspetos no panorama nacional dos ralis, e confesso que sou de opinião que temos vindo a contribuir para divulgar um pouco mais o campeonato de Portugal de Ralis, e portanto a resposta objetiva à vossa pergunta é sim, estamos bastante satisfeitos, e as expetativas estão a ser totalmente alcançadas.
AS: Ainda não é o momento para fazer o balanço final, mas está contente com o retorno proporcionado com esta vossa entrada no CPR?
SR: Sim, para balanço final falaremos depois do Algarve, mas sim estamos bastante satisfeitos, os nossos estudos de notoriedade e de retorno mediático – e temos vários – têm tido resultados muito bons, de facto, nós temos, como marca, complementarmente, feito uma série de iniciativas, paralelas para dar um cariz diferente, e diria mais fora da caixa, à nossa participação, para aumentar ainda mais o retorno e a divulgação da marca e do Team Hyundai Portugal, dos seus patrocinadores, os seus pilotos, etc. E portanto de facto estamos satisfeitos, e os resultados de retorno são muito bons, e até acima das nossas expetativas. Posso desde já dizê-lo. E há margem para crescer, pois estamos ainda a começar, e há seguramente muito mais a fazer.
AS: Temo-lo visto nas provas do Campeonato de Portugal de Ralis. Tem gostado do que vê ou acha que a competição tem potencial para alcançar outros níveis?
SR: Eu tenho estado em praticamente em todas as provas, e tenho gostado. Temos gostado do entusiasmo dos adeptos dos ralis, do ambiente em geral, do espetáculo em si, que é proporcionado, mas confesso que acho que a modalidade, e em particular o Campeonato de Portugal de Ralis, está ainda muito pouco divulgado.
Nós que acompanhamos os ralis podemos ter uma ideia diferente, mas para o público em geral ainda é uma modalidade muito pouco divulgada.
Há pouco interesse e pouca divulgação dos media mais generalistas, e na minha modesta opinião há muito a fazer, por parte das entidades responsáveis, para a cobertura do campeonato, nos vários meios de comunicação social. Essa cobertura tem que ser bastante superior, acho que isso é perfeitamente possível e alcançável, e o exemplo do Rali da Madeira é se calhar um bom ‘benchmark’ para aquilo que podemos fazer no resto das provas. O impacto que tem um Rali da Madeira na região, devia ser semelhante para as provas de Portugal Continental e para os Açores. E portanto acho que há imensa coisa a fazer, acho que há um potencial muito grande para o fazer. As entidades responsáveis, talvez tenham um caminho pela frente, com muitas possibilidades, do meu ponto de vista.
AS: E a Hyundai está disponível para dar o seu contributo, se assim for solicitado?
SR: Sim, já o temos feito, temos tomado a iniciativa, não estamos à espera de ninguém para ir fazendo coisas diferentes e ir apostando na divulgação da modalidade. Portanto estamos perfeitamente disponíveis para isso.
AS: Um dos pilotos escolhidos para o vosso projeto é o Armindo Araújo. Faltam duas provas, tem uma boa vantagem no CPR. Presumo que esperasse este nível de brilhantismo, ao fim ao cabo foi para isso que o convidou…
SR: Como deve imaginar, não estou nada surpreendido. Na altura havia várias pessoas que conversavam comigo, e ainda havia algumas pessoas que tinham dúvidas, porque o Armindo nunca tinha conduzido um R5, nunca tinha guiado o Hyundai, estava há muitos anos afastado dos ralis, havia uma série de comentários e eu confesso que, embora respeitando todas as opiniões, nunca tive o mínimo de dúvidas relativamente a essa matéria, nunca nos passou, sequer, isso pela nossa mente.
Ouvimos, com certeza, pois temos respeito por todas as opiniões, mas nunca nos assolaram essas dúvidas. Até agora está, de facto, a correr tudo bem, estamos na frente, temos boas hipóteses de vencer o campeonato, mas ainda há duas provas difíceis pela frente. Mas estamos confiantes, não podemos esconder a nossa confiança, e como é evidente, o Armindo (Araújo) e o Luís (Ramalho) têm todo o nosso apoio, e confiança e portanto nada disto nos está a surpreender.
Mas temos que ser conscientes que estamos numa boa posição, mas ainda não ganhámos o campeonato. Temos duas provas pela frente e muitas equipas e pilotos competentes a concorrer connosco, e portanto estamos muito focados em fazer o resto do campeonato, e é evidente que o nosso desafio é vencer.
AS: Sabemos que o acordo com o Armindo é por um ano. Como estão as coisas para a próxima temporada? Vamos continuar a ter Team Hyundai Portugal com o Armindo Araújo? Em que ponto estão as coisas?
SR: Eu posso responder a uma coisa em particular, não está minimamente dependente se ganhamos o campeonato ou não. Nós quando escolhemos o Armindo e chegámos a acordo, não era subjacente no contrato de um ano se íamos vencer o campeonato ou não. Não tem nenhum peso nessa questão e também devo confessar que os nossos pilotos, o Armindo e o Carlos (Vieira), o contrato é um mero desígnio legal, que tem de existir, mas não é o mais relevante.
Nós para já estamos focados nas duas provas que faltam no campeonato deste ano, eu e ele, não vamos tomar nenhuma decisão sem falar um com o outro, e como falamos todas as semanas isso é a parte mais fácil da questão. Tudo a seu tempo, agora é o momento de nos concentrar-nos no campeonato, que ainda não está minimamente garantido. Não nos podemos distrair nem podemos facilitar. Estamos em permanente contacto, e a seu tempo essa questão será analisada e discutida entre nós…
AS: Já muito se falou do que sucedeu com o Carlos Vieira, são coisas que podem acontecer nos ralis. Pode-nos dar pistas de como poderá ser o futuro caso o Carlos não possa regressar em 2019? antes disso, poderão recorrer a soluções pontuais como na Madeira ou outras?
SR: O ano de 2019 ainda está longe, neste momento a nossa prioridade e aquilo que estamos focados é que o Carlos recupere totalmente. O Carlos entrou na semana passada no centro de reabilitação, vamos deixar que ele continue a sua recuperação total, ver os resultados, e depois logo veremos. O importante é que o Carlos recupere totalmente. É com isso que estamos preocupados, não estamos a fazer contas de cabeça, nem alarmados com o que possa acontecer de futuro, estamos sim focados na recuperação do Carlos, isso é que é fundamental.
Para Amarante/Baião, posso dizer que convidámos o Diogo Gago para competir no Hyundai i20 R5 do Team Hyundai Portugal, tendo já a seu lado o ‘Jet’ Carvalho. Como vê, uma vez mais queremos fazer algo diferente, escolhemos uma jovem promessa dos ralis, para esta oportunidade e achamos que esta opção vai trazer mais um fator de interesse para esta prova, um fator de interesse para os entusiastas dos ralis, quanto à questão de roubar pontos ou não eu relembro o lema que nós elegemos, este ano, que é “os ralis pelos ralis”. Portanto, não estamos, sinceramente vocacionados para fazer contas de cabeça, nem para fazer jogadas táticas para roubar pontos. “os ralis pelos ralis”, os carros na rua, os pilotos na rua e venham daí. Para o Algarve, mais uma vez, a seu tempo, falamos.
AS: Sabemos que foi vossa opção montar o projeto Team Hyundai Portugal com independência total das estruturas técnicas, de modo, até, a promover ainda mais competição entre os vossos pilotos. Entendem que é um bom caminho ou pode mudar no futuro?
SR: Nós não estamos, em nada, agarrados a tabus. Já percebemos também que nos ralis, como em quase tudo na vida, seja qual for a opção que nós tomemos, seja por um piloto A ou piloto B, seja por estruturas técnicas juntas ou separadas, haverá sempre, prós e contras, aplausos e críticas.
É a lei da vida, nós temos a nossa opinião, esta opção das estruturas técnicas separadas teve algumas opiniões contrárias, mas nós também somos fiéis às nossas opiniões temos ideias próprias, mas isso não significa que não se possa mudar. Está tudo em aberto em relação a isso para a próxima época. Para já e já que perguntam se estamos satisfeitos, eu estou plenamente convencido que se o Carlos Vieira não tivesse tido o infortúnio que teve, nós estávamos agora a discutir os dois primeiros lugares do campeonato, tal como eu tinha dito que era o nosso desafio deste ano, ou seja, nesta altura, eu tenho a certeza que existiria mais um piloto envolvido na luta pelo campeonato, neste caso, o Carlos Vieira, portanto, reforço, não estamos agarrados a tabus, achamos que esta pode ser perfeitamente uma solução para o futuro, mas poderemos também mudar se acharmos que há soluções melhores…
AS: Há partilha de dados com a Hyundai Motorsport?
SR: Há o acompanhamento por parte da Hyundai MotorSport, desde o início, mesmo antes do campeonato começar, e eles estão presentes nas provas todos e portanto têm o aconselhamento e intervenção técnica em ambos os casos, nós temos um contacto permanente com a estrutura da Hyundai Motorsport.
AS: A Hyundai tem trabalhado muito bem a comunicação no CPR. É de opinião que a competição merecia um promotor que aumentasse ainda mais as potencialidades dos ralis em Portugal?
SR: Sinceramente, acho! Eu sou claramente de opinião que o Campeonato de Portugal de Ralis merece uma promoção muito mais forte e que traga os ralis para a primeira página do panorama do desporto em Portugal. Mais uma vez, nós temos excelentes equipas, muitos pilotos, proporcionamos um grande espetáculo.
Temos muitos jovens com imenso potencial e talento, há que tirar partido de tudo isto. A Hyundai está e vai continuar a dar o seu contributo. Para lhe dar uma ideia, a Hyundai tem permanentemente staff, e elementos da direção, nas provas a acompanhar, para estudar todos os detalhes que podemos melhorar. São depois analisados e discutidos internamente, apostamos imenso nas redes sociais em eventos paralelos, há um enorme conjunto de coisas que se pode fazer e eu acho que um promotor externo pode e deve ser ponderado. É a minha opinião pessoal…
AS: Tem havido marcas a apostar no desporto automóvel recentemente. Será um panorama que está a mudar novamente ou poderão ser casos pontuais?
SR: Eu acho e espero que seja para continuar. E espero que haja mais marcas a apostar no desporto automóvel. Isso vai tornar ainda mais competitivos os campeonatos, vai trazer mais sponsors e vai aumentar o retorno para todos, quer no nosso caso como já expliquei tem sido bastante bom. Era de facto muito bom que mais marcas investissem e se interessassem por este desporto, em particular pelos ralis, a Hyundai está a fazer a sua parte, queríamos era ter mais concorrentes agora, por isso espero que o nossos colegas das outras marcas, de facto agarrem mais projetos nesta área, era bom para todos.
AS: Quer-nos explicar melhor como o facto da Hyundai estar no WRC e no CPR, como isso se reflete na mente de quem pondera comprar um carro novo?
SR: O facto de estarmos envolvidos no WRC e no CPR, reflete-se na mente de quem quer comprar um carro novo de muitas formas. A visibilidade destas duas competições traz consigo valor de competitividade, de excelência, de qualidade, e de emoção, à marca. Os ralis ajudam imenso a promoção da imagem da marca. A Hyundai que tem produtos de grande qualidade, com garantias sem paralelo no mercado, com modelos para todos os gostos e para todos os segmentos, beneficia imenso desta componente de aposta nos ralis.
E já agora, não é só nos ralis, mas também no WTCR em que os resultados no ano de estreia são extraordinários, e portanto isto tudo contribui continuamente para a melhoria da imagem da marca e progressivamente coloca-a ao nível da enormíssima qualidade dos seus automóveis, a Hyundai tem ganho prémios internacionais de design, de qualidade, fiabilidade, etc, e esta componente emotiva que o desporto automóvel traz é a cereja no topo do bolo que nos ajuda, de facto, ao negócio propriamente dito.
AS: Para 2019 poderemos esperar alguma novidade extra a nível competitivo, ou a Hyundai aponta para já apenas para os ralis?
SR: Eu sei que por vezes esta mensagem é difícil de passar, mas o que lhe disse atrás é verdade, nós ainda não estamos preocupados com 2019, não estamos a olhar ainda para isso, o que posso garantir de certeza absoluta é que nós iremos fazer ainda mais do que estamos a fazer este ano.
Continuaremos no Campeonato de Portugal de Ralis, com aposta reforçada, se houver outros projetos no desporto automóvel que nós nos possamos envolver duma forma muito ambiciosa e que traga um retorno elevado, para a marca e para os nossos patrocinadores, nós estamos disponíveis para analisar, o que nós não estamos muito disponíveis, devo confessar é estar de forma isolada, com um apoio aqui ou ali, isso tem sido um modelo que tem sido seguido durante muitos anos, por algumas entidades, mas não acho que tenha sido isso que tenha trazido aos ralis e ao desporto automóvel maior divulgação.
Portanto, nós, a estar, estaremos de forma ambiciosa e forte, como quisemos fazer este ano. Para já é isto que podemos garantir, nos ralis, seguramente que iremos continuar no nosso projeto, de forma ambiciosa na mesma, outras oportunidades, depende, mas sempre, dentro deste âmbito que lhes falei.
AS: Pedia-lhe por fim para deixar aqui umas palavras de força para o Carlos Vieira…
SR: Carlos (Vieira) não precisa de palavras públicas da nossa parte, em privado e desde a primeira hora, no primeiro fim de semana as horas de sono quase não existiram, eu tenho acompanhado diariamente a evolução dos acontecimentos, e a recuperação do Carlos. A parte mais difícil já passou, agora estamos em contacto permanente, e o Carlos sabe bem que tem toda a Hyundai Portugal, desde o início, com ele, com toda a força, para que a recuperação seja rápida e total.
Eu tenho que dizer isto, liga-nos ao Carlos (Vieira), ao Armindo Araújo), ao Jet (Jorge Carvalho), ao Luís (Ramalho), para além duma relação profissional, uma relação de proximidade e de amizade que extravasa todo o projeto desportivo, e como tal, o Carlos Vieira, como grande campeão, e pelo que, sinceramente mais me interessa, como o grande ser humano que é, vai ultrapassar com mestria este desafio. Eu podia mandar-lhe um abraço daqui, mas como tem que ser forte e sentido, prefiro dá-lo ao vivo e a cores. Reservo-me para a privacidade desses meus contactos com o Carlos.
A parte mais difícil já passou, e ele sabe que tem um enorme conjunto de pessoas a torcer por ele e vai tudo correr bem…
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