Ralis em Portugal: “Um diamante em bruto, que não estamos a conseguir explorar ao máximo”

Por a 7 Fevereiro 2019 15:57

Esta semana no AutoSport publicamos uma longa entrevista com José Pedro Fontes, em que em determinado ponto lhe lançamos um desafio. Sabendo que é Licenciado em Ciências da Comunicação, perguntámos-lhe o que pensa poder ser feito pelo CPR em particular, ou desporto automóvel em geral, para aproveitar em termos de Comunicação e Marketing as potencialidades da modalidade.

A sua resposta merece não só leitura atenta, mas muito debate, já que a opinião é dada por alguém que consegue ver a questão de vários lados. A de piloto, responsável por uma estrutura e também como alguém que sabe bem a importância do que é ‘comunicar’ um determinado ‘produto’:

JPF: “Antes de queremos comunicar, devemos

pensar no produto que temos para comunicar, devemos em conjunto com todos os

agentes envolvidos, pilotos, equipas, clubes e federação refletir que tipo de

provas queremos ter no campeonato, como devem ser estruturadas e organizadas

para ir ao encontro dos seus clientes.

E quem são os clientes?

Na minha opinião são os pilotos, o público e os

patrocinadores, senão tivermos muitos e bons pilotos, não teremos um bom

espetáculo e como tal, não teremos público. Sem público, não teremos

patrocinadores e sem patrocinadores não iremos ter pilotos, nem equipas, nem

clubes, por isso, temos que pensar a onde vamos fazer as provas e em que

horários, que estrutura de ralis deveremos ter para ser apetecível os pilotos

participarem, que condições vamos dar ao público para assistir, que condições e

ferramentas vamos dar aos patrocinadores para ativarem o seu investimento e

como vamos garantir o retorno do seu investimento.

Sei que choca aos muitos apaixonados que temos,

pensar no desporto automóvel como um negócio, mas a verdade é que é um

espetáculo de entretenimento, em concorrência direta com outros, como tal temos

que fazer dele um produto vendável, temos que criar uma estratégia comercial,

um caderno de encargos para as provas, não só um caderno de encargos técnico,

mas um direcionado aos aspetos comerciais, promocionais e de comunicação e que

tudo seja coerente com as necessidades e investimentos que se faz e que

precisamos.

As provas devem ser estruturadas e avaliadas nestes

pressupostos e não pelos critérios técnicos, esses critérios devem ser condição

obrigatória para a organização de uma prova do CPR, não adianta cumprir os

requisitos técnicos e depois não pensarmos nos clientes e na qualidade do

produto que vendemos.

As pessoas no mundo de hoje são exigentes e

gostam de coisas boas e extraordinárias, temos que nivelar o CPR por cima,

temos que fazer um grande espetáculo que os pilotos gostem de participar, o

público de assistir e os patrocinadores estarem presentes, até porque ninguém

vai conseguir comunicar bem um produto menos bom.

Temos, na verdade, um diamante em bruto, que não

estamos a conseguir explorá-lo ao máximo, temos uma oportunidade extraordinária

pelo momento que se vive nos ralis, vamos aproveitar e fazer as mudanças que

precisamos de uma forma construtiva e de respeito pelas dificuldades que tem

todos os agentes envolvidos.

Eu estou disponível para contribuir e ajudar no

que puder.

AS: Não te parece que o desporto automóvel é mal aproveitado, sendo uma disciplina que proporciona tantas emoções? Quem ou como se devia fazer?

JPF: Talvez seja a altura da federação ter um responsável de marketing que crie esta estratégia de uma forma fundamentada, e que ajude a todos nós e nomeadamente os clubes a estruturar as suas provas…

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