Planos para 2026 e futuro dos ralis: Domingos Sport entre a ambição e os alertas à ‘navegação’
Com a “faca nos dentes” e uma grande ambição, Ricardo Domingos, da Domingos Sport, traça um cenário audacioso para 2026: o ataque ao Top-5 do Campeonato de Portugal de Ralis (CPR) e a conquista do título nas Duas Rodas Motrizes (2RM). No entanto, o dirigente não poupa críticas à Federação (FPAK) e à ACOR, Associação dos Clubes Organizadores de Ralis, alertando para a ‘crise’ nos Regionais, com custos excessivos e regulamentos desajustados que ameaçam a base da modalidade. Henrique Moniz liderará a “artilharia pesada” no Rally2, enquanto João Rodrigues será a aposta para o troféu das 2RM.

AutoSport: Já têm o alinhamento de pilotos definido para 2026 ou ainda há decisões em aberto?
Ricardo Domingos: “Não, ainda há algumas decisões em aberto. Temos garantido o Henrique Moniz no Campeonato de Portugal de Ralis, em todos os Rallys, à excepção do Rali de Portugal e em princípio até fará mesmo o Rali de Lisboa e o Rali de Castelo Branco, irá fazer os dois, tudo está alinhado para isso.
Estamos ainda a trabalhar com um piloto para as duas rodas motrizes para lutar pelo Campeonato de Portugal Ralis nas duas rodas motrizes, o João Rodrigues, com o Renault Clio Rally 4. Estamos a trabalhar agora em alguns apoios, inclusive com o apoio da Renault, e um outro patrocinador importante. Falta alinhar algumas coisas, mas está mais ou menos garantido que vai acontecer.”
“Estávamos a trabalhar também para que o Adruzilo Lopes pudesse fazer o Campeonato Portugal de Ralis connosco, com o Skoda. Mas isso não é uma certeza. Aliás, não está fácil reunir o orçamento todo.”
No Troféu Clio já temos um piloto garantido, mas não o vou revelar, porque é o próprio que pretende fazer a sua apresentação oficial. Temos um segundo piloto em negociações para o troféu.
Na Peugeot Rally Cup Portugal não temos ainda nada definido. Estamos em conversações com um piloto rápido que está a tentar montar um projeto para disputar a Peugeot Rally Cup e, em paralelo, o Campeonato de Portugal de Ralis. Nesta fase, não podemos afirmar se esse programa será ou não possível.”
“Depois, temos os campeonatos regionais, onde continuamos a ter alguns pilotos, como tem acontecido até agora. No entanto, também aí a indefinição pesa: calendários que mudam, ralis que iam abrir campeonatos e acabam anulados, outros que não se sabe se se realizam porque a câmara municipal deixou de apoiar. Mas disso falamos mais à frente…”
AS: Como descrevem atualmente a saúde da equipa em termos de estabilidade e recursos?
RD: “Efetivamente, temos construído o nosso caminho ao longo dos anos à base do nosso trabalho e sem grandes loucuras em termos financeiros.
Temos vindo a crescer passo a passo, também graças a todos os nossos clientes, os que estão, os que estiveram, e os que virão, todos nos merecem respeito e consideração.”
“Nós nunca vamos deixar de fazer ralis do campeonato regional ou desvalorizar os ralis do campeonato regional só porque agora ou já andamos no Campeonato de Portugal. Agora temos dois Skoda e amanhã não sabemos como é que poderá vir a ser. Não vamos deixar porque nós nunca esquecemos de onde vimos, com as pessoas que nos ajudaram a chegar aqui, e como eu já referi, eu valorizo bastante os campeonatos regionais, até porque defendo que todos os pilotos deviam começar nesses campeonatos, uma vez que não há campeonato de promoção, não há iniciação, era nos campeonatos regionais que todos os pilotos deviam começar, e como tal, nós respeitamos e valorizamos isso.”
“Respeitamos e achamos que é importante, e nós não nos queremos desvincular do nosso passado. Em relação a termos crescido, se é que se pode dizer assim, temos feito o nosso caminho, temos tido pilotos ao nosso lado que têm sido importantes, porque se não fossem eles, nós não tínhamos conseguido chegar até aqui…
Efectivamente, a equipa está estável, temos a ambição de crescer, sei onde a equipa quer chegar, não é a todo custo, não é uma coisa que tenha de ser para hoje ou para amanhã.”
“E tenho uma certeza absoluta que a Domingos Sport um dia vai ser Campeã Nacional de Ralis, eu tenho essa certeza. Se é daqui a três, quatro, cinco anos, isso eu não posso garantir, mas posso garantir que um dia vamos ser campeões nacionais, isso eu posso garantir. É para isso que nós nos dedicamos, é para isso que trabalhamos…
Agora vamos estar no Campeonato de Portugal de Ralis, pelo menos com um Rally2. E depois vamos ver o que o futuro vai trazer…”
AS: A estrutura de recursos humanos vai manter-se em 2026 ou há alterações, engenheiros, mecânicos, etc?
RD: A nível de recursos humanos, é cada vez mais difícil encontrar pessoas para trabalhar nesta área. Nós funcionamos muito à base da prata da casa. Tudo o que são questões técnicas e reparações mais internas é feito por nós, internamente, pelas pessoas que aqui trabalham a tempo inteiro.”
“Depois, contamos com freelancers que nos acompanham nas provas e que são fundamentais. Sem eles, seria impossível fazermos os ralis que fazemos. No ano passado, por exemplo, chegámos a ter um fim de semana com três ralis em simultâneo e, noutros casos, dois ralis no mesmo fim de semana, com o número de carros que costumamos gerir. Já tivemos épocas com 10 ou mais carros, mas não queremos voltar a esse nível. Não por incapacidade, mas porque, muitas vezes, o esforço que fazíamos não era valorizado.
Colocar todos os carros prontos, chegar aos ralis e terminá-los praticamente com a totalidade das viaturas à chegada, sem problemas de maior, exigia um esforço enorme. A maioria das pessoas não tem noção do trabalho necessário para que isso aconteça.”
“De resto, os nossos recursos mantêm-se. As pessoas que temos a trabalhar connosco de forma permanente são as mesmas. O ‘cérebro’ de tudo isto, do ponto de vista técnico, sou eu e o meu irmão. Depois, temos mais alguns colaboradores que nos ajudam no dia a dia, mas quem trabalha mais a fundo nos carros, em termos técnicos, somos nós os dois. Quanto aos freelancers, conto com todos os que estiveram connosco no ano passado. Nesse aspeto, tudo deverá manter-se muito semelhante, sem grandes alterações.”
AS: Quais são hoje em dia as maiores dificuldades para gerir uma equipa de ralis? Orçamento, calendário, logística, recursos humanos ou regulamentação?
RD: “É um pouco de tudo. A logística, desde logo, porque hoje em dia tudo está mais caro. Quando marcamos hotéis e alimentação para toda a gente, vou comparando, ano após ano, as contas das épocas anteriores e percebemos um aumento constante nos custos de cada rali.
Esse aumento sente-se em todos os setores: inscrições, custos com o pessoal, alimentação, logística, hotéis, dormidas, combustíveis, portagens. Tudo sobe. E, depois, a questão regulamentar, em vez de simplificar, muitas vezes complica ainda mais.
Acho também que os clubes, cada vez mais, têm seguido uma lógica muito própria. Não é uma crítica gratuita, é apenas a realidade tal como a sinto. Foi criada a ACOR – Associação de Clubes Organizadores de Ralis –, que, na minha perspetiva, deveria servir para aproximar federação, clubes, pilotos e equipas. Eu próprio defendi isso em reuniões com membros da federação e com pilotos: todos devíamos estar alinhados.
O que vejo, no entanto, é o contrário. Cada um segue o seu caminho e a ACOR passou a existir, sobretudo, para defender os interesses dos clubes entre si. Pilotos e equipas, em particular os pilotos, são muitas vezes vistos quase como “inimigos”, aqueles que têm de pagar a fatura. Sei, por conversas que vou tendo, que há quem justifique esta postura dizendo que, se os pilotos compram pneus a 500 euros cada e pagam jantares de 600 ou 700 euros, então também podem pagar inscrições altas.
Isso deixa-me triste e incomodado, porque não é essa a lógica que devia prevalecer. Vejo quase uma guerra de clubes contra pilotos e equipas, quando, na verdade, as equipas estão do lado dos pilotos e os pilotos são a base das equipas. A federação fica num patamar acima, a ACOR noutro, e parece haver uma tensão permanente entre estas estruturas, refletida, por exemplo, na subida dos preços de inscrição e nas perspetivas para 2026, ainda pouco claras.
Tudo isto afasta pilotos, obriga-os a repensar programas e leva a que muitos ainda tenham decisões por tomar. Um dos motivos é justamente este: ninguém sabe ao certo como vão ser as inscrições e os custos globais. Sinceramente, considero que a ACOR, enquanto associação, não tem contribuído para melhorar as decisões nos ralis. Pelo contrário, tem olhado muito mais para os interesses dos clubes do que para os dos pilotos.
Para mim, esse é um dos grandes problemas que os ralis enfrentam em Portugal neste momento
AS: Há algum ponto dos novos regulamentos com o qual não concordes, seja ao nível desportivo, técnico ou outro?
RD: “A questão dos combustíveis é um ponto central. Não concordamos com a possibilidade de a federação vir a proibir combustíveis fósseis e a impor o uso de combustíveis 100% sintéticos. Na nossa perspetiva, isso não faz sentido.
Os pilotos que quiserem apresentar projetos com gasolina totalmente sintética devem, naturalmente, poder fazê-lo e mostrar aos patrocinadores que estão verdadeiramente comprometidos com a sustentabilidade dos ralis. O país deve estar aberto a essa transição, em linha com o que acontece noutros mercados. Mas isso não significa obrigar todos a seguir o mesmo caminho.
Quem quiser usar gasolina 100% sintética, ótimo. Agora, não se pode limitar os restantes, sobretudo pelos custos envolvidos. Não é apenas o preço do combustível que aumenta; os custos de manutenção também sobem de forma muito significativa. Um carro a funcionar com gasolina sintética tem custos de operação e de manutenção bastante superiores.
Por isso, esta questão vai ter um peso decisivo na definição do programa do Adruzilo no Campeonato de Portugal de Ralis connosco – se poderá fazer a época completa ou apenas algumas provas. Ainda estamos a avaliar como tudo será decidido.”
“Voltando à questão dos campeonatos regionais, a indefinição é grande, os calendários que mudam, ralis já anulados, outros que não se sabe se se realizam. Há muitos anos que digo isto: existe uma grande falta de credibilidade e uma enorme falta de respeito para com quem faz os campeonatos regionais. O Campeonato de Portugal é, e deve ser, o mais importante, mas isso não significa que os regionais possam ser tratados como algo secundário, quase “para encher calendário”.
“O que temos visto é a montagem de campeonatos regionais sem critério: provas sobrepostas, um rali no Sul e outro no Norte no mesmo fim de semana, alternância desordenada entre terra e asfalto, provas “a designar”. Tudo isto retira credibilidade aos campeonatos e desrespeita quem investe tempo e dinheiro para montar projetos regionais.
Na minha opinião, é muitas vezes mais difícil para um piloto reunir 50 mil euros para um campeonato regional do que 300 mil para o nacional. A proporção é mais pesada, porque os apoios são muito mais difíceis de conseguir. Normalmente, quem faz regionais são empresários, pessoas que não têm disponibilidade para faltar às quintas e sextas-feiras para ir aos ralis.”
“Sempre fui um grande crítico dos ralis à sexta e sábado. Para mim, os ralis deviam ser, obrigatoriamente, ao sábado e domingo, porque são um espetáculo, tal como o drift, a velocidade ou o rallycross, em que o dia principal é o domingo. Não percebo porque é que os ralis continuam a ser marcados maioritariamente para sexta e sábado, sobretudo nos regionais, onde isso afasta ainda mais participantes.
Defendo também que nenhum campeonato regional devia ter mais de sete provas, com um resultado a descartar – mesmo não concordando, em princípio, com a regra de “deitar resultados fora”. Se essa regra existe, então que seja aplicada de forma racional: no máximo sete ralis e um resultado excluído.
Tudo isto contribui para a tal falta de credibilidade. Nós, desde 2018/2019, temos sido das equipas com mais pilotos nos regionais, em todo o país. E, no entanto, sinto que a vontade de fazer campeonatos completos é cada vez menor. Vejo os meus pilotos e clientes a optarem por fazer apenas uma ou outra prova isolada, aqui ou ali, em vez de apontarem a um campeonato regional. Não se sentem motivados. Não há nada, na forma como os regionais são tratados e estruturados pela federação, que os leve a assumir um programa completo.”
“Quanto a outros pontos dos novos regulamentos com os quais não concordo, já referi alguns. Sou contra o facto de o Rali de Portugal fazer parte do Campeonato de Portugal de Ralis. Entendo o valor da prova e percebo que, para alguns pilotos, o campeonato precisar dessa presença para justificar apoios. Mas, na prática, o acesso está limitado a meia dúzia de concorrentes e, ao mesmo tempo, muitos sentem-se forçados a ir, com um esforço financeiro enorme, apenas para não ficarem excluídos da luta. Para mim, não faz sentido o Rali de Portugal contar para o campeonato.”
“Também considero absurda a regra que obriga a escolher entre o Rali de Lisboa e o Rali de Castelo Branco. É um presente envenenado. Defendo que, à exceção do Rali de Portugal – que nem deveria contar –, se elencassem oito ralis e fosse automaticamente excluída a prova com pior pontuação. Não vejo lógica em colocar Lisboa “contra” Castelo Branco.
Outro problema é o facto de os pilotos, que são quem paga licenças e sustenta os ralis, não terem voz ativa na escolha das provas que entram ou saem do campeonato. Isso está, na minha opinião, muito mal.”
“Gostava de ver os calendários estruturados com as provas agrupadas por piso (terra/asfalto ou asfalto/terra). Com o Rali Serras de Fafe a passar para o final da época, compreendo algumas alterações, mas continuo a achar que o Rali de Portugal devia ficar fora do campeonato e que a época devia ser dividida em fases claras de asfalto e de terra.”
“Quanto aos campeonatos regionais, há uma questão com a qual não concordamos de forma nenhuma, e não tem a ver com gostar ou não dos carros: a presença dos R5 de primeira geração nos regionais. Já apresentámos argumentos e factos a explicar por que motivo não concordamos.
“Nos regionais, torna-se quase impossível ter ambição de título quando se está a competir contra R5. No ano passado, o Armando Carvalho foi campeão do Centro com um Mitsubishi e este ano volta a apostar nesse carro, mas sabemos bem a dificuldade que enfrenta. Hoje, não é o valor do piloto que decide tantos campeonatos regionais, é o carro.
A diferença entre um R5 e um antigo Grupo N ou mesmo um N5 é enorme. A competitividade entre um Mitsubishi e um N5 é relativamente próxima: um tem mais motor, o outro trava e curva melhor, mas andam equilibrados. Um R5, pelo contrário, é um salto muito grande. É ilusório pensar que um N5 pode, em condições normais, bater um R5, a não ser que o piloto do N5 seja muito superior.”
“O que vimos foi, por exemplo, no Regional Norte, um piloto com um Fiesta R5 vencer o campeonato sem ser, necessariamente, o melhor piloto do pelotão. No Sul, um bom piloto foi campeão com um carro claramente superior e eu próprio lhe perguntei que motivação tinha em ganhar ralis aos minutos. Não é uma questão de desvalorizar ninguém, mas sim de constatar que a diferença de performance é brutal.”
Sou, por isso, frontalmente contra os R5 de primeira geração nos campeonatos regionais. Portugal é um país pequeno, com três regionais, que deviam servir, sobretudo, como base de iniciação.”
“Defendo que ninguém deveria poder ir diretamente para o Campeonato de Portugal de Ralis sem fazer, pelo menos, um ano de regional, ficando nos três primeiros. Em alternativa, dois anos de regional, independentemente da classificação, para poder obter licença nacional. Isso valorizaria os ralis, melhoraria a qualidade média dos pilotos e tornaria os campeonatos regionais mais fortes.”
“Essa base devia ser feita com carros mais modestos – R2, Rally5, N5, Mitsubishi, protótipos e antigos Grupo N –, que permitem custos controlados e destacam o valor do piloto. Durante muitos anos foi assim, e muitos talentos surgiram dos regionais. Se enchemos o topo da classificação com carros de nível muito superior, matamos a essência competitiva e a possibilidade de jovens pilotos se mostrarem.”
“Em vez disso, defendo que os R5 de primeira geração, e até mesmo os N5 (para não me acusarem de defender o que quer que seja) sejam canalizados para um Campeonato Promo bem estruturado, à parte do Campeonato de Portugal de Ralis, com oito provas repartidas pelos três regionais, à semelhança do antigo Open, que foi um sucesso. Aí sim, todos os R5 de primeira geração – incluindo Hyundai e Škoda – poderiam competir entre si, numa espécie de “segunda divisão” de topo.”
“Ao levar esses carros diretamente para os regionais, prejudicou-se gravemente a competitividade desses campeonatos. Vamos ver, já em 2026, que interesse terão os pilotos em fazer programas regionais completos com R5 no pelotão. No Sul, fala-se inclusive na criação de um troféu Mitsubishi, precisamente porque muitos se perguntam “andamos aqui a fazer o quê?”, sabendo à partida que não têm hipótese de discutir títulos à geral.”
“Cheguei a dizer, ainda no final de 2024, quando se soube o que ia acontecer, que mais valia entregarem logo a taça de campeão a determinados pilotos com R5, porque seria praticamente inevitável que ganhassem. É, para mim, o equivalente a permitir um WRC num campeonato nacional: os R5 nos regionais são para estes campeonatos o que um WRC seria para o Campeonato de Portugal de Ralis.”
“Infelizmente, sinto que a federação não olha para os ralis como uma verdadeira pirâmide, com base e topo estruturados. Falta uma visão global: definir o que é principal, o que é secundário e como encaixar cada nível, garantindo espaço para todos, mas com lógica.
Neste momento, em vez disso, vejo regras avulsas, interesses próprios e pouco rigor. Isso prejudica os ralis, prejudica os pilotos, prejudica a própria federação e os clubes. No fim, ninguém sai realmente beneficiado.”
“Um piloto que comece “por baixo”, com um Saxo ou um 206, e se destaque, pode um dia reunir apoios para entrar num troféu como o Clio ou a Peugeot Rally Cup, e, quem sabe, tornar-se um piloto de topo. Se colocarmos logo carros de topo a disputar regionais contra essa base, estamos a cortar essa oportunidade.”
“Se alguém acha que a solução para encontrar novos talentos passa apenas pelo FPAK Junior Team, está enganado. Não faz sentido um programa júnior com pneus de estrada, integrado em provas longas do campeonato nacional, com mais de 100 km de troços. A iniciação deve ser feita em provas regionais mais curtas, compactas, maioritariamente ao fim de semana, com quilometragens limitadas.”
“Esta é a minha opinião como responsável de equipa e como apaixonado pelos ralis. O meu principal desejo é o bem dos ralis em Portugal. Se os ralis estiverem bem, estamos todos bem. Não preciso de jogos de bastidores para que a minha equipa esteja bem. Trabalhamos com qualquer carro, de um Kia a um Rally2, sem receios, porque sabemos a nossa capacidade.
Gostava, sinceramente, que os ralis fossem pensados de outra forma, mais estruturada, mais justa e mais virada para o futuro. Esse é o meu foco principal.”
AS: Agora para finalizar, quais são os os objetivos concretos para 2026? Títulos, vitórias, pódios, mais desenvolvimento?
RD: “O objetivo para 2026 está bem definido. No Campeonato de Portugal de Ralis absoluto, com o Rally2, sabemos o que temos em mãos e quem será o nosso líder: o Henrique Moniz. Neste momento, não temos garantia de que o Adruzilo consiga fazer o campeonato completo. Se isso acontecer, será muito interessante e certamente bem recebido pelos adeptos, que há muito manifestam esse desejo.
Não estou a dizer que entraria diretamente na luta pelo título, mas seria alguém capaz de “morder os calcanhares” ao grupo da frente, e isso teria um impacto forte, tratando-se de um dos melhores pilotos de sempre dos ralis em Portugal.”
“Mas, hoje, o nosso foco é o Henrique (Moniz). Conhecemos bem as suas capacidades e temos fortes ambições em torno dele. Tenho-lhe dito, de forma clara: o objetivo é terminar o Campeonato de Portugal de Ralis nos cinco primeiros classificados da geral. É para isso que vamos trabalhar. Será o primeiro ano completo dele com um Rally2, mas já deu provas suficientes do seu valor. Para além do talento ao volante, é extremamente inteligente, humilde e recetivo a quem o apoia, pergunta, ouve e quer aprender.”
“No primeiro teste que fizemos, com pouco mais de 50 quilómetros, fiquei agradavelmente surpreendido. É verdade que, em testes, normalmente se anda sempre bem, mas com a experiência que tenho em carros de competição consigo perceber quando alguém está, de facto, a andar forte. E foi o caso. Na fase inicial do campeonato, é natural que enfrente algumas dificuldades, mas acredito que, a meio da época, possamos contar com o Henrique de forma consistente nos cinco primeiros da geral.
Esse é o nosso grande desafio enquanto equipa. Não foi ele que assumiu este objetivo; fui eu, como responsável. Se conseguirmos, será excelente. Se não conseguirmos, não é o fim do mundo, mas é para lá que apontamos.”
“No Campeonato de Portugal de Ralis de duas rodas motrizes, a meta é inequívoca: queremos ser campeões nacionais e revalidar o título. Acredito que temos o melhor piloto nacional nessa categoria. O João é, sem dúvida, um dos mais fortes, embora seja pena só agora, com mais de 40 anos, estar a ter esta oportunidade. O que fez no Troféu Clio e, antes disso, com o Peugeot 106, mostra bem o seu potencial.
Sabemos que temos piloto, carro e equipa para lutar pelo campeonato de duas rodas motrizes. Nos últimos anos conquistamos dois títulos e, em 2025, fomos segundos. Não temos nada a provar a ninguém; vamos para 2026 com essa ambição bem assumida.”
FOTO Nuno Dinis/Domingos Sport
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19 Fevereiro, 2026 at 0:13
Mais uma entrevista elucidativa a um “dirigente” nos ralis, que não deverá (mais uma vez) merecer comentário (para além desta…) devido ao estado lastimoso em como funciona este site do AS!!
Concordo com tudo dito p’lo Ricardo Domingos em relação ao “estado das coisas” nacional / regional… excepto achando que o Rallye de Portugal DEVE contar para o Nacional.
Motivado p’lo Adruzilo… eu próprio tenho um projecto p’ra voltar aos ralis este ano duma forma MUITO modesta no regional sul terra; mas apesar de ter apoios suficientes, o custo é de tal forma elevado que está fazer-me pensar que será um desperdício de dinheiro, apesar de “a gente não levar daqui nada”!
Joaquim Rodrigues
19 Fevereiro, 2026 at 1:52
Concordo em tudo consigo!