OPINIÃO: que futuro para Gonçalo Henriques? Até agora, nenhum…
A 9 de abril do ano passado escrevi um artigo de opinião cujo título era: “Será que já nasceu o próximo piloto português que terá um programa a tempo inteiro no WRC?”
Persegue-me essa frustração há algum tempo, pois sei bem o que vibrei com o que fez Rui Madeira no WRC, e depois Armindo Araújo, bem como outros que por lá andaram, no WRC ou no ERC, mas acima de tudo estes dois brilhantes pilotos de ralis portugueses.
Tenho a certeza que a grande maioria da comunidade dos ralis em Portugal partilha da mesma frustração. Como é possível um País com tantas tradições nos ralis não ter, há mais de uma década, um piloto a dar sequência ao que fizeram Rui Madeira de 1995 a 1998 e depois Armindo Araújo de 2007 a 2012. E tenho a certeza que se Adruzilo Lopes tivesse tido oportunidades com o Peugeot 306 Maxi mais cedo e não apenas em 1998, outro ‘Leão’ poderia ter rugido.
Este preâmbulo para chegar a Gonçalo Henriques.
Neste momento estou perfeitamente convencido, fruto de tudo o que já vi e ouvi até aqui, que
“já nasceu o próximo piloto português” que tem potencial para “ter um programa a tempo inteiro no WRC”. Estou seguro da afirmação que faço. Notem bem, potencial…
Sigo-o, obviamente, desde os ralis do FPAK Júnior Team de 2022, que venceu, e em 2023 fiquei surpreendido com o que fui vendo. Em Fafe, terceiro lugar com o seu Renault Clio Rally5, num rali tão difícil, ‘jogou’ taco a taco com os pilotos do CPR 2RM que lá lá andavam há algum tempo, e de Rally4, carro que pertence ao nível acima da Pirâmide da FIA.
No Algarve, ainda com o seu Clio Rally5, borrou a pintura. Saiu de estrada e abandonou. Era terceiro. Voltou a ter terceiro na Aboboreira, agora já com o Rally4, segundo no Rali de Portugal, novo erro em Castelo Branco, capotou. Dores de crescimento, pensei. Depois do quarto posto na Madeira, duas vitórias em Chaves e Marinha Grande e vitória no campeonato.
Primeiro ano nos 2RM, depois de vir dos KIA Picanto, vitória no campeonato.
Temos aí outros jovens pilotos que estão a construir um caminho para ter um futuro nos ralis em Portugal. Mas pelos que vejo o Gonçalo Henriques é o único que aconselharia já emigrar, para continuar a desenvolver o potencial que tem, mas em competições em que lhe abrissem outros horizontes, o Europeu de Ralis, por exemplo, na mesma classe em que foi Campeão.
Passou-se o defeso, e o seu futuro marca passo!
Até este momento o Gonçalo Henriques e quem o acompanha não conseguiram reunir apoios para que o jovem piloto prossiga a sua carreira, e a perspetiva neste momento é má.
Embora não me admire totalmente, não consigo perceber que raio de País é este que não consegue oferecer um caminho a quem me parece ser uma das maiores, se não a principal, promessa dos ralis em Portugal. Em muito tempo.
Gonçalo Henriques, que acaba de ser ‘lançado’, chega, vê e vence um campeonato que é competitivo, sem nunca o ter disputado antes, mas agora está com dificuldade de montar um projeto e o mais provável é ficar parado em 2024 por falta de apoios, ficando mais uma vez provado que ao contrário do que sucedeu no passado em que foi possível às nossas empresas, em conjunto, terem pilotos portugueses a correr ao mais alto nível no WRC, e antes percorrido o caminho para lá chegar,
neste momento nem sequer está a ser possível colocá-los num caminho que possa levar a esse desfecho.
Desta forma, é claramente cada vez mais difícil voltarmos a ter um Rui Madeira ou Armindo Araújo, para não referir outros no Mundial de Ralis e nem sequer estamos a apontar para o topo da pirâmide, mas sim, somente o caminho que abra as possibilidades de lá chegar.
A federação fez e vai voltar a fazer um FPAK Júnior Team, e o irónico da ‘coisa’ é que o produto dessa aposta está à vista, venceu a competição da FPAK, como prémio competiu nas duas rodas motrizes do CPR, o passo seguinte e lógico, e não perdeu tempo: ganhou o campeonato face a pilotos que já lá andam há uns anos e tinham, todos, bem mais experiência.
Por isso é pena ver agora o Gonçalo Henriques sem grandes perspetivas, correndo aqui o risco Portugal, ter investido na possibilidade de aparecer um piloto, ele aparece, não são um nem dois que sentem que o Gonçalo Henriques pode perfeitamente ser ‘The Next big Thing’ dos ralis em Portugal, mas as coisas estão num ponto em que nada ‘ata nem desata’
Quem olhar para a prestação de 2023 do Gonçalo Henriques, percebe que tem capacidades acima da média, percebe que pode estar ali um piloto que, com o empurrão certo, pode voltar a colocar Portugal no mapa dos ralis internacionais, o que infelizmente já não sucede desde que Bruno Magalhães andou no Europeu de Ralis, sendo vice-campeão em 2017 e terminando no pódio em 2018, e não estamos a falar de um jovem, pois já era um piloto feito.
O que temos com Gonçalo Henriques é um piloto claramente com claro potencial de chegar a um nível alto nos ralis. É triste se deixarmos cair o piloto com o talento que tem.
Não tenho dúvidas que com o acompanhamento certo, Gonçalo Henriques, com o que já mostrou, tem o potencial certo para evoluir ao ponto de se tornar num grande piloto em Portugal.
Olho para os nossos atletas do rugby, apostaram neles, vimos o seu brilho no recente Mundial.
Ainda mais recente, no Europeu de Andebol, jogar taco a taco com os nórdicos, de quem há uns anos levavamos bíblicas cabazadas. Apostaram neles, vejam o que fazem agora.
Nos ralis, estamos muito perto de deixar cair um jovem que já não via aparecer um igual há muito tempo. Portanto, parece que vou ter voltar à velha questão: “Será que já nasceu o próximo piloto português que terá um programa a tempo inteiro no WRC?”
Se calhar, tenho que atirar a toalha ao chão, encolher os ombros, e pensar “que merda de País para ser piloto de ralis…”. Uma modalidade que historicamente sempre entusiasmou tanto os adeptos, tem um rali que está entre os melhores do WRC há décadas, mas pilotos a lá chegar, muito difícil.
O tempo escasseia, mas ainda não se esgotou…
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31 Janeiro, 2024 at 18:33
Pois…
Mariano
1 Fevereiro, 2024 at 1:50
Sem bola e sem os factores padrinho-ó-cunha, não tem hipótese! É esta espécie de país que temos…muito piquinino e de mentalidade ainda mais “piquinina”
Pedro
1 Fevereiro, 2024 at 11:27
Concordo em absoluto com o que é referido neste artigo. Realmente uma pena…
fireman
2 Fevereiro, 2024 at 10:42
Só lá anda que tem dinheiro ou capacidade para o angariar! O talento em Portugal sempre foi secundário! Precisa de arranjar um Bom Padrinho!