A FPAK divulgou o calendário do Campeonato de Portugal de Ralis e os ralis dos Açores e Algarve ficaram este ano de fora. Como já vem sendo cada vez mais habitual, a ‘internet explodiu’ de críticas. Nada de novo, como se esperava este seria um tema fraturante, e eu próprio admito que a primeira vez que ouvi que esta era uma das possibilidades – já sabia disto há algum tempo – também pensei porquê, e fui à procura das respostas. Mas já lá vamos.
O que quero registar em primeiro lugar é a injustiça dos ataques que li relativamente a Ni Amorim, Presidente da FPAK. Fazendo um parêntesis, eu lembro-me bem do tempo de Luiz Pinto Freitas como presidente da FPAK, e da dificuldade que muitos pilotos e equipas tinham para fazer valer os seus pontos de vista à federação. Bem ou mal, honra lhe seja feita, Luiz Pinto Freitas decidia muitas vezes sem passar cavaco a ninguém e eu sei que este processo da composição do calendário do CPR foi feito depois de conversas da FPAK com uma Associação de Pilotos, que não falando por todos, fala por muitos. E sei que as sugestões que saíram das reuniões dessa associação quanto ao Campeonato de Portugal de Ralis, tiveram acolhimento da FPAK, que logicamente, é quem decide.
Os pilotos foram ouvidos, sugeriram, e a FPAK tomou a sua decisão.
Portanto quando leio os ataques que foram feitos a Ni Amorim, sei que estes são injustos. Dantes, ninguém ouvia ninguém. Desde esse tempo, as coisas mudaram na FPAK, Manuel de Mello Breyner também era uma pessoa de consensos, e agora Ni Amorim fala com as pessoas, ouve-as e decide.
Mas afinal o que se passou nessa reunião de pilotos. Houve várias, três para ser mais preciso. Estiveram presentes, ou representados pelos navegadores, Armindo Araújo, Bruno Magalhães, Ricardo Teodósio, José Pedro Fontes, Pedro Meireles, Gil Antunes e Pedro Almeida.
Após as conversas iniciais, a pretensão que existia e era unânime, passava por deixar de haver nomeação de provas no CPR, uma medida que obrigatoriamente levava a que tivessem de sair duas provas. Era também unânime que o CPR deveria ser dividido em partes iguais entre provas de asfalto e terra. Portanto, face ao ano passado, teria de sair uma de cada tipo de piso. A outra pretensão era baixar os custos.
Saindo uma prova de terra, tinha que sair uma internacional, pois só assim se baixariam custos. Nesse lote, havia três provas internacionais. Uma do WRC, o Rali de Portugal, e duas do Europeu de Ralis, Fafe e Açores.
Aqui, voltamos às reuniões dos pilotos. Como devem calcular, não queriam todos o mesmo. Mas dali saiu a vontade da maioria. É claro e público que havia quem não quisesse os Açores e o Algarve de fora, e não foi só um.
Neste momento, quem nos estiver a ler pode questionar: “Porquê os Açores e o Algarve?”
Como em tudo na vida, podemos encontrar argumentos para ‘isto’ ou para ‘aquilo’ bastando para isso inclinar mais a cabeça para um dos lados, mas a verdade é que se um dos pressupostos eram os custos, e tinha que sair uma prova internacional, Fafe saiu desde logo da equação.
Qualquer uma das outras duas é mais cara. Rali de Portugal e Açores são as duas provas mais caras do ano. Portanto tinha que sair uma delas.
Não vou, e não quero aqui detalhar ao mais ínfimo pormenor qual a que é mais cara, porque este é um dos casos que depende muito da perspetiva.
A prova escolhida para sair foi os Açores. As alternativas eram duas, foi uma a escolhida. Imagine-se agora o que se poderia estar a dizer na “mesma internet” que “castigou” Ni Amorim, se tivesse sido o Rali de Portugal a sair.
Já ouvi muitas vezes no passado gente dizer que o Rali de Portugal não fazia sentido no CPR e outros tantos a dizer o contrário. Sempre foi assim e sempre há-de ser assim. A FPAK, simplesmente, seguiu a sugestão, e foram os Açores a ficar de fora.
Não sei se pesou, mas quero aqui lembrar que os Açores saem do CPR, mas recupera a prova do Europeu, e vai ter honras de abertura da competição. Espero que os Açores voltem no futuro, é um grande rali, e espero que em 2022 as condições económicas não sejam tão relevantes quanto o são este ano.
A outra prova que teria de sair, era de asfalto. A Madeira, penso eu, ficaria de fora desta equação, sobravam Algarve, Castelo Branco e Marinha Grande. Não concordo com a “internet” que alega questões geográficas, mas aceito como argumento. Para mim, deve ser a qualidade das provas a pesar e não a sua localização geográfica, mas isso não me chega, pois entre as três, que conheço bem há largos anos, só posso dizer que não queria estar na pele de quem decidiu.
Houve muita gente contra o facto de ter saído a prova do Algarve. E se tivessem saído Castelo Branco, Rali do Alto Tâmega ou Marinha Grande, não haveria polémica na mesma? Hoje em dia é assim que funciona, há uma decisão, e há-de sempre haver quem esteja contra essa decisão e depois quando se vai à “internet” parece que caiu o Carmo e a Trindade.
Mas insisto, se tivesse saído o Rali de Portugal e Castelo Branco, Rali do Alto Tâmega ou Marinha Grande, alguém, julga que e “internet” teria ficado ‘quieta’?
Seria exatamente a mesma coisa, embora com pessoas e argumentos diferentes.
Há uma coisa que tenho a certeza. É bem mais fácil estar atrás de um teclado a “dizer mal de tudo o que mexe” do que fazer ou decidir.
Basicamente, o que quero destacar mais disto tudo é que são injustos os ataques que sofreu a federação, relativamente a este caso.
Agradar a gregos e a troianos ao mesmo tempo nunca foi possível, nem nunca será…
NOTA: Artigo atualizado às 21h22 com a introdução do Rali do Alto Tâmega entre os ralis de asfalto









