Justino Reis (The Racing Factory): “Juntos construir um CPR que nos continuemos a orgulhar”
A exemplo do que sucede com outros ‘players’ do Campeonato de Portugal de ralis, também a The Racing Factory tem a sua visão do problema. Resumidamente, e tendo em conta as indefinições que se vivem, deixam em aberto que em 2020 se possa fazer um CPR ‘digno’.
Justino Reis, Chefe de Operações da The Racing Factory, mostra um forte alinhamento com o global que é dito pelos restantes ‘players’: “De momento e já após termos visto em diversos meios de comunicação especializados a exposição de opiniões, nomeadamente pilotos e representantes de marcas e equipas, o que podemos dizer é que a nossa posição se enquadra e alinha quase plenamente nas diversas opiniões transmitidas, onde acima de tudo estamos de acordo com uma ideia comum, não entrar em gastos descontrolados e sem sentido nas provas de 2020 que ainda se possam realizar e acima de tudo não hipotecar a realização e qualidade da temporada 2021.

Acima de tudo parece-nos que mais que nunca, e esperamos claramente que isso aconteça da parte da FPAK, as decisões em relação ao CPR 2020 sejam um claro exercício de democracia dos diversos intervenientes que devem ser ouvidos e as soluções encontradas devem ser o mais abrangentes possíveis para todos, e não olhar a recuperar apenas algo que está perdido, hipotecando o sucesso que ainda pode ser alcançado e mostrando a vitalidade deste desporto aos patrocinadores e pilotos que mais do que nunca no médio prazo vão ser extremamente seletivos no seu investimento.
Acima de tudo, as provas e o número das mesmas a realizar terá que ser algo muito ponderado e que salvaguarde a qualidade do campeonato para que o ‘produto’ continue a ser de grande nível, mas tem também que ser algo ajustado e sustentável para as limitações aos budgets que todos vão sofrer, em particular os projetos mais ‘pequenos’, pois nenhum campeonato vive só de grandes ‘players’, e os projetos de 2RM e outras categorias devem também ser respeitados e valorizados nesta equação.
Claramente temos que deixar algumas ideias, que, do que temos lido e ouvido estão mais ou menos em linha com outras opiniões já explanadas aqui no AutoSport. O que resta do campeonato 2020 deve ser ajustado em numero de provas, mas não poderá seguir a linha de obrigar á presença obrigatória em todos os eventos que estejam no calendário na sua data original e outros que venham a ser reagendados, ou seja, presumindo que as 3 provas internacionais previstas para Portugal e que estavam integradas no calendário do CPR se realizem, não será de todo coerente que se obrigue todos os pilotos a terem mesmo de marcar presença nas mesmas, pois essa situação certamente causará impactos nos budgets dos concorrentes e certamente colocará em causa a continuidade dos seus programas de 2020 e eventualmente de 2021.

Defendemos também que a temporada termine mais ou menos dentro dos períodos habituais e não haja lugar a uma expansão da mesma para Janeiro de 2021 pois se isso poderá ser algo exequível em circuitos, nos ralis afigura-se bastante mais complicado por diversos fatores, um dos quais, por exemplo a instabilidade meteorológica e poucas horas de sol em dezembro e janeiro, que colocaria fortemente em causa a qualidade dos eventos.
Existem claramente diversos fatores, comerciais, de Marketing, de comunicação, de gestão operacional das empresas e equipas e dos projetos desportivos que não se enquadrariam num eventual alargamento da temporada desportiva.
Por fim, e com as devidas reservas face ás indefinições do momento que ainda atravessamos, e porque sentimos que realmente possa ser possível ainda a realização de um campeonato digno e de bom nível em 2020, renovamos a opinião que este é o momento de chamar todos os intervenientes, sentir as suas opiniões e decidir o mais em sintonia possível, para que todos se revejam nas soluções encontradas e que se reforce a união de todos. Ninguém fica ou ficará imune a estava infeliz situação por que passamos, e sabemos que ela esta a ser sentida por Federação, Clubes, Equipas, Pilotos, Patrocinadores, Comunicação Social, etc…, mas há que pensar que esta é uma daquelas situações em que é melhor ‘perder alguns anéis mas ficarmos com os dedos’ e por isso importa que todos juntos mantenham e construam um CPR do qual nos continuemos a orgulhar.




