Há 40 anos: Rali Lois/Algarve de 1984, a maior vergonha da história dos ralis em Portugal
Há quatro décadas, um marco nos ralis em Portugal: a estreia vitoriosa de Joaquim Moutinho e do icónico Renault R5 Turbo num ano que não terminou sem polémica: uma “lei da selva” no Rali do Algarve impediu Moutinho de disputar o título, num episódio de sabotagem que permanece envolto em mistério até hoje e provavelmente assim há-de continuar…
Há 40 anos nos ralis em Portugal assinalava-se a estreia vitoriosa da equipa Renault nos ralis em Portugal. Foi a 21 e 22 de Janeiro, no Rali Sopete/Póvoa do Varzim. O AutoSport descrevia assim a vitória na prova nortenha, sucessora do ‘James’: “Ao fim de uma já vasta carreira, Joaquim Moutinho, um dos mais conceituados pilotos nacionais, logrou realizar um sonho antigo: vencer um rali.”
Mas não foi só pela estreia de Moutinho nas vitórias em ralis, que o Rali Sopete/Póvoa do Varzim ficou na história: foi também palco da primeira vitória do R5 Turbo, sucesso “esperado há, pelo menos, um ano”. Mas, foi só “depois de muitos desaires enquanto foi inscrito pela equipa Recar”, que o R5 Turbo NG-81-41, em “estreia com as cores da Renault-Galp” logrou o primeiro triunfo.
No final do ano, o título decidiu-se no Rali Lois/Algarve, a favor de Joaquim Santos, mas da pior forma possível. Ou seja, envolto numa enorme polémica, que até mereceu as atenções da polícia.
A “estória” é breve, como convém: “Depois de cumpridos 26 troços do Rali do Algarve” – escreveu, a propósito, Rui Faria nas páginas do “AutoSport” – “Joaquim Moutinho ocupava o terceiro lugar, com 31 segundos de atraso sobre Carlos Bica e 4.59 minutos de desvantagem em relação a Joaquim Santos, que comandava desde o final da primeira etapa. (…) tinha herdado o comando quando Moutinho foi vítima de dois furos provocados por uma barragem que lhe foi criada no troço com esse objetivo determinado, facto que custou sete minutos ao piloto da Renault Galp.”
Mais adiante, o repórter do “AutoSport” explica que Moutinho – a efetuar uma digna recuperação, nessa altura – voltou a ficar parado, em pleno troço de Monchique: “Depois de mudado dois pneus, os ocupantes do R5 Turbo descobriram que os outros dois estavam no mesmo estado (…) e que tinham sido vítimas de um ato criminoso, provocado por alguém que teve o ‘requinte’ de fabricar uma ‘armadilha’ para obrigar Moutinho a parar.”
Estava tudo perdido – desorientado e surpreendido, o piloto da Renault-Galp abandonou a prova algarvia, bem como as hipóteses de vencer o título. Apesar de todos as “démarches” oficiais e oficiosas, de todas as conclusões do CCD e da Federação, da ação de pesquisa policial, ainda hoje esta história continua “mal contada”. Aliás, o título do “AutoSport” diz tudo: “Lei da selva alterou verdade desportiva! Moutinho obrigado a parar, deixou caminho livre à Diabolique”.
Nem tudo foi mau nesse ano, no pólo oposto, o concurso “Onde Está o Ás?”, iniciativa inédita levada a cabo com o alto patrocínio da Ford Lusitana e que, durante alguns meses, concitou as atenções gerais, na procura de um “Ás” que pudesse defender as cores da marca no Campeonato Nacional de Iniciados de Ralis, ao volante de um Escort RS 1600i. O vencedor, após aturadas provas de seleção, foi Bento Amaral, um nome que hoje dispensa apresentações.





HellRun
14 Novembro, 2024 at 17:01
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