Entrevista a Ni Amorim: “Sou a favor de que os estrangeiros venham”
Com o automobilismo nacional a viver um período de renovação e com os ralis a ganharem nova projeção internacional, Ni Amorim analisa o impacto da chegada de pilotos estrangeiros, o papel das marcas, a evolução do Campeonato de Portugal de Ralis. Para o presidente da FPAK, a combinação entre jovens talentos portugueses e nomes consagrados dos ralis não só aumenta a competitividade como coloca Portugal no radar mundial da modalidade.
Amorim explica por que razão considera essencial manter portas abertas aos protagonistas internacionais, de que forma isso influencia as ambições dos jovens pilotos nacionais e como essa visibilidade pode ajudar a sustentar um futuro com portugueses em Rally2 e, eventualmente, abrir caminho a uma renovação estrutural nos ralis.

AutoSport — Os ralis vivem um momento curioso: ao mesmo tempo que surgem jovens talentos portugueses, recebemos também nomes consagrados do panorama internacional. Como olha para esse equilíbrio?
Ni Amorim — “Os ralis em Portugal estão num ponto muito interessante. Conseguimos, ao mesmo tempo, lançar dois jovens talentos com muito valor e atrair, pelo trabalho que tem sido feito e pelo envolvimento das marcas, dois nomes consagrados dos ralis. Esse equilíbrio é muito positivo e permitiram aos ralis em Portugal darem um salto importante. A minha opinião — contrária à de algumas pessoas — é que é muito positivo termos estrangeiros a competir aqui. As jovens esperanças não podem ter como referência apenas os portugueses que estão em fim de carreira. A referência deles tem de ser quem está mais à frente do que eles, porque isso puxa os jovens para cima e torna os objetivos mais ambiciosos. Se eles se conseguem aproximar dos melhores portugueses já é excelente, mas se houver estrangeiros a andar ainda mais depressa, então o objetivo passa a ser chegar ainda mais longe. Isso faz crescer o nível.”

AutoSport — Para além do impacto competitivo, há também impacto mediático na presença de nomes fortes. Isso deve manter-se?
Ni Amorim — “A prova disso é o que aconteceu na final do Campeonato de Portugal de Ralis na Marinha Grande: tivemos dois pilotos do Campeonato do Mundo a discutir dois dias de prova, acabando separados por oito décimas. Foi notícia no mundo inteiro. Isto coloca o CPR no mapa mediático global do motorsport, o que é extraordinário. E basta olhar para o que acontece também no CPV: há imensos pilotos estrangeiros, muitos jovens, a competir. Isto mostra que o nome de Portugal, em algumas categorias, começa a ser visto como uma opção apetecível para construir carreira. E isso é tudo o que podíamos querer. Durante muitos anos habituámo-nos a ser um país de pilotos que emigravam para outras paragens. Agora estamos a ser um país para onde se imigra, pilotos que vêm para cá fazer escola. Nunca ninguém vinha para Portugal formar-se; isso não acontecia. Hoje já acontece em mais do que uma categoria. É um excelente sinal.”

AutoSport — No caso concreto dos ralis: acha que esta presença de estrangeiros veio para ficar? Ou é imprevisível?
Ni Amorim — “É difícil prever. Depende sempre da política comercial, da política de comunicação e da estratégia de marketing das marcas. Sou a favor de que os estrangeiros venham, porque só temos a ganhar com isso. Mas os decisores são os donos do dinheiro, não sou eu. Fico muito satisfeito se conseguir estabelecer parcerias com marcas presentes em Portugal que permitam à FPAK contribuir para viabilizar a presença de jovens talentos no Rally2. É o topo em Portugal, não há categoria acima disso no nosso país.”

AutoSport — E qual é a ambição para o Rally2, pensando nos jovens portugueses?
Ni Amorim — “Veja o que conseguimos em três anos: colocámos dois pilotos no Rally2. Se no quarto ano conseguirmos ter um piloto por carro, com cada um a fazer o seu campeonato completo, seria fantástico. E, sinceramente, acho que isso abriria definitivamente as portas para uma grande renovação nos ralis em Portugal. Se este plano se concretizar — e não vejo razão para que não aconteça — teremos dado um salto histórico.”
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