CPR, Rallye Vidreiro: Dani Sordo vence por 0,8 seg. e conquista o título
Uma luta até ao fim. Um duelo entre dois grandes talentos que brilham em Portugal. Uma batalha intensa, decidida ao décimo de segundo, num Rallye Vidreiro espetacular. Uma decisão de título que prendeu todos até ao fim. Foi até ao último metro, mas no final o triunfo caiu para Dani Sordo.
Não foi um ano fácil para Dani Sordo e para a Hyundai, que souberam aproveitar os azares da Toyota e de Kris Meeke para se manterem na luta pelo título. O espanhol e a marca coreana deixaram o melhor para o fim. Foi claramente a melhor prestação de Sordo e da Hyundai nesta temporada — e em boa hora, pois a Toyota e Meeke estavam determinados em chegar ao título.
Depois de uma primeira metade avassaladora, os contratempos da segunda parte do campeonato permitiram um desfecho de época emocionante. Dois pilotos lutaram pelo cetro. Infelizmente, apenas dois, pois o terceiro, Armindo Araújo, cedo ficou arredado dessa disputa. O piloto de Santo Tirso sabia que não dependia apenas de si. A sua habitual regularidade e inteligência permitiram-lhe manter-se na luta até perto do fim, mas o Vidreiro não lhe sorriu. O tempo perdido acabou por o afastar das contas do título, embora Armindo tenha voltado a demonstrar a garra que o caracteriza.

Um título decidido por 0,8 segundos
A luta ficou assim entre Sordo e Meeke. Desta vez, ao contrário do que aconteceu ao longo da época, foi o espanhol quem assumiu o papel de protagonista, liderando grande parte do rali, sempre com margens mínimas, enquanto Meeke pressionava sem descanso. A maior diferença entre ambos foi de 3,7 segundos, logo na primeira PEC. A partir daí, seguiu-se um duelo intenso, onde cada décimo contou. Sordo aproveitou os quatro troços da manhã de sábado para ir ampliando a vantagem, mas no penúltimo troço Meeke recuperou 2,2 segundos e deixou tudo em aberto até ao fim. Com a diferença reduzida a apenas seis décimos, a PEC 9 revelou-se decisiva. Sordo venceu a Power Stage, com Meeke a apenas dois décimos. No final, a diferença entre ambos foi de 0,8 segundos. Vitória para Dani Sordo e título para o espanhol. Honra ao derrotado, Kris Meeke, que completou uma época tremenda, embora marcada por algum azar. Vinte anos depois, Sordo voltou a bater Meeke, tal como no Junior WRC.

Luta pelo pódio estonteante
A luta pelo terceiro lugar foi igualmente intensa. Armindo Araújo começou o rali no último lugar do pódio, mas a Super Especial de sexta abriu a porta a Ricardo Teodósio. O piloto de Santo Tirso ainda recuperou o terceiro posto, mas um erro na PEC 6 deitou tudo a perder. Quem melhor aproveitou foi Gonçalo Henriques, com uma prestação brilhante na sua estreia em provas de asfalto com um Rally2. Esteve sempre entre os mais rápidos e garantiu o pódio provisório na antepenúltima especial. Teodósio, com a sua experiência, tentou reagir e pressionou o jovem da Hyundai. À entrada da última especial, apenas quatro décimos separavam ambos. No final, o pódio na Power Stage e no rali ficou para Henriques, que confirmou todo o seu potencial. Teodósio terminou em quarto, enquanto Armindo fechou o top 5.

O filme do rali
O Rallye Vidreiro Centro de Portugal foi palco de uma disputa vibrante entre Dani Sordo e Cándido Carrera (Hyundai i20 N Rally2) e Kris Meeke e Stuart Loudon (Toyota GR Yaris Rally2), que mantiveram o público em ‘suspense’ a cada quilómetro. O piloto espanhol impôs-se desde o troço de abertura, onde, apesar das condições escorregadias, conquistou uma vantagem inicial de 3,7 segundos sobre o britânico. Atrás deles, Armindo Araújo e Luís Ramalho (Škoda Fabia RS Rally2) mantiveram um sólido terceiro lugar, demonstrando bom ritmo, apesar de alguns sustos.
Ricardo Teodósio iniciou a prova com um quarto tempo competitivo, embora um erro na última curva o tenha impedido de se aproximar dos líderes. Logo atrás surgiram Gonçalo Henriques, Ernesto Cunha e José Pedro Fontes, todos muito próximos entre si, num início de rali marcado por diferenças mínimas e ritmo elevado.
A segunda especial trouxe a resposta de Kris Meeke, que venceu o troço e encurtou a diferença para Sordo, deixando-os separados por apenas 1,3 segundos. Armindo Araújo perdeu algum terreno, consolidando, no entanto, o terceiro lugar, enquanto Rúben Rodrigues e Rui Raimundo (Toyota GR Yaris Rally2) se aproximavam dos primeiros. A superespecial que encerrou o primeiro dia: Meeke voltou a ser o mais rápido, reduzindo a diferença para nove décimos e transformando a luta pela liderança num duelo direto entre Hyundai e Toyota. Armindo Araújo, já afastado da frente, perdeu ainda 11 segundos, demasiado num rali decidido ao décimo.

Sábado, o dia de todas as decisões
O segundo dia começou com Meeke ao ataque, encurtando a diferença para Sordo para apenas seis décimos, embora o espanhol não tenha dado margem ao britânico para assumir a liderança. Armindo mantinha o terceiro posto, mas já a larga distância dos dois primeiros.
A primeira passagem por Carnide voltou a sorrir a Sordo, que venceu o troço e aumentou ligeiramente a diferença para Meeke. O espanhol manteve-se firme no comando, enquanto Gonçalo Henriques e Inês Veiga (Hyundai i20 N Rally2) voltaram a destacar-se, conquistando o terceiro melhor tempo e subindo ao quarto lugar da geral, ultrapassando Ricardo Teodósio e José Teixeira (Toyota GR Yaris Rally2), numa exibição que confirmou a maturidade crescente do jovem piloto em pisos de asfalto.
Sordo afasta-se e Armindo sai da luta
Na PEC6, Mata Mourisca, Sordo reforçou a liderança ao vencer novamente e ampliar a margem para 2,7 segundos. Teodósio assegurou o terceiro tempo mais rápido e regressou ao pódio, enquanto Armindo Araújo perdeu mais de treze segundos e caiu dois lugares, ficando praticamente afastado da luta pelos primeiros lugares. Um pião agravou uma ferida que já vinha do dia anterior. A luta pelo título, difícil à partida, tornou-se então uma miragem. Na geral, Sordo liderava com uma vantagem curta sobre Meeke, seguido de Teodósio, Henriques e Araújo, que fechavam o top cinco.
A Superespecial da Arena CIMRL confirmou o domínio do piloto espanhol, que voltou a vencer e aumentou ligeiramente a diferença para 2,8 segundos. A classificação geral sofreu nova alteração, com Gonçalo Henriques a conquistar o terceiro lugar e Teodósio a descer para quarto, mantendo, contudo, a pressão sobre o jovem da Hyundai. Araújo manteve-se em quinto, seguido de José Pedro Fontes e Rúben Rodrigues, enquanto João Barros, Pedro Meireles e Diogo Marujo completavam o top dez.

As duas últimas especiais do ano
O CPR 2025 encerrou com emoção até ao fim. E os dois protagonistas fizeram questão de levar a luta até ao último metro. Na PEC 8, Meeke recuperou 2,2 segundos a Sordo, reduzindo a diferença entre ambos para apenas 0,6 segundos à entrada do último troço. Uma luta espetacular que prendeu os fãs até ao fim. Mas também a disputa pelo pódio prometia emoção. Teodósio aproximou-se de Henriques, ficando a apenas quatro décimos. Mesmo Armindo Araújo, com o terceiro tempo neste troço, ainda espreitava a possibilidade de chegar ao pódio.
Tínhamos assim reservado um final de campeonato de cortar a respiração. No entanto, foi Dani Sordo quem fez a festa, à frente de Kris Meeke e Gonçalo Henriques — o top 3 da Power Stage e também do Rallye Vidreiro Centro de Portugal. Um final espantoso num CPR renhido, competitivo, com grandes exibições.
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