CPR/Rallye Vidreiro Centro de Portugal-Marinha Grande: Fontes vence em fim de festa polémico

Por a 9 Outubro 2022 00:05

José Pedro Fontes/Inês Ponte (Citroen C3 Rally2) venceram o Rallye Vidreiro Centro de Portugal/Marinha Grande depois duma bela luta com Bruno Magalhães/Carlos Magalhães (Hyundai I20 N Rally2), que foram segundos. A prova ficou ainda marcada pela polémica penalização de Armindo Araújo/Luís Ramalho (Skoda Fabia Rally 2 Evo).

Felicidade para uns, frustração para outros, e até momentos muito emotivos com os vencedores do Troféu Toyota, pouco ou nada faltou no fim de festa do CPR, nem a polémica que existiu. Na estrada José Pedro Fontes/Inês Ponte venceram merecidamente o Rallye Vidreiro, concluindo uma segunda metade de campeonato bem distinta da primeira, assegurando o vice-campeonato por um ponto. Bruno Magalhães/Carlos Magalhães deram a réplica possível, mas os pneus fizeram a diferença, com as borrachas mais duras da Pirelli mais adequadas a estes pisos do que as suas ‘congéneres’ da Michelin.

Miguel Correia/Jorge Carvalho (Skoda Fabia Rally2 evo) terminaram mais uma vez no pódio no culminar de uma época… épica, passe a redundância, em que venceu pela primeira vez na sua carreira.

Mas esta prova ficou marcada pela penalização de Armindo Araújo/Luís Ramalho, numa situação extremamente confusa, que deixou muito zangada a dupla campeã. Foram os mais rápidos na estrada, mas na classificação final são apenas os oitavos da geral. Discordaram, reclamaram, chegaram a pensar que a penalização iria ser retirada, mas não. Foi confirmada.

Outra dupla muito azarada nesta prova Ricardo Teodósio/José Teixeira (Hyundai I20 Rally 2). Foram os mais rápidos na qualificação, estavam super-motivados para terminar o ano em beleza e estavam convictos que o iam conseguir, mas um problema semelhante ao que sucedeu a Bruno Magalhães no Rali da Madeira, ‘tramou-os’ logo no primeiro troço.

A roda saltou e o abandono foi inevitável.

Quanto aos lugares da frente, valeu pela luta entre José Pedro Fontes e Bruno Magalhães.

O piloto da Hyundai liderava no final do 1º dia, com 1.1s de avanço, o homem da Citroën reagiu no sábado de manhã e colocou a margem em 7.1s, Bruno bem tentou reagir, mas Fontes alargou a margem antes do almoço, colocou-a em 10.7s e com isso tornou muito mais difícil a reação de tarde, o que se confirmou, com Fontes a vencer com 7.1s de avanço.

Dois pilotos que guiando carros diferentes com pneus diferentes, amiúde, lutaram segundo a segundo durante todo o ano.

Rali muito interessante

José Pedro Fontes/Inês Ponte cumpriram na íntegra o que se propuseram para a fase de asfalto do CPR, e sem o azar do Alto Tâmega, poderiam ter ido um pouco mais longe. Foi uma espécie de vingança face ao azar que os tirou da luta no Rali da Água. Venceram quatro das nove classificativas, forçaram o andamento face a Bruno Magalhães e colocaram-se num patamar que se revelou decisivo para a merecida vitória.

Bruno Magalhães/Carlos Magalhães voltaram a estar muito fortes no asfalto, lideraram no primeiro dia, mas com o tempo mais quente tiveram mais dificuldades em contrariar o seu principal adversário. O Hyundai I20 N Rally2 esteve perfeito, mas o piloto precisava de um pouco mais de aderência, para poder dar uma melhor resposta aos ataques de Fontes.

Mas foi uma boa exibição, na linha das que fez nos últimos ralis de asfalto, em que esteve sempre nas lutas pela vitória, demonstrando muita competitividade.

Miguel Correia/Jorge Carvalho (Skoda Fabia Rally2 evo) terminaram no pódio a que chegaram já no último torço, já não foram a tempo de assegurar o vice-campeonato, mas terminaram uma época fantástica com seis pódios em oito provas, para além da primeira vitória da carreira, no Rali Terras d’Aboboreira. Na Marinha Grande, subiram mais uma vez ao pódio, numa prova que voltaram a ficar longe dos mais rápidos, sendo este o piso onde precisa de trabalhar para fazer o mesmo que já faz na terra.

Bernardo Sousa/Vitor Calado (Citroen C3 Rally2) foram quartos, perdendo o terceiro lugar com um pião no último troço. O madeirense tem vindo a subir de produção, este é o seu sexto rali do ano, terceiro do CPR e a sua prestação tem sido constante, não chegando ainda para as lutas da frente, mas está mais perto, com mais ritmo, e neste rali só mesmo aquele excesso final lhe roubou o que seria o seu primeiro pódio no CPR. Agora é esperar para reunir condições para disputar todo o campeonato em 2023. Nesta prova, por exemplo, o madeirense não participava desde 2011 e isso fez uma diferença enorme face aos pilotos que têm feito este rali todos os anos.

Muito bom este regresso de Paulo Meireles/Marcos Gonçalves (Hyundai I20 N Rally2) com um programa mais ‘ritmado’. Vários quintos e sextos tempos, um quarto, num rali em muito bom nível, mostrando uma cada vez melhor adaptação à nova máquina.

Paulo Neto/Nuno Mota Ribeiro (Skoda Fabia Rally2 evo) foram sextos, num rali que lhes correu bem, andaram bem, no seu contexto, assegurando o seu melhor resultado do ano no CPR, quinto lugar (6º da geral).

Pedro Almeida/Mário Castro (Skoda Fabia Evo Rally2) foram sétimos, com a dupla a ter muitas dificuldades com a sujidade na estrada, o que retirou confiança ao piloto. Fizeram um rali consistente, mas a um ritmo abaixo do que já conseguiram no passado. Para piorar, um problema com o acelerador perto do fim do ralis ainda os levou a cair para o sétimo lugar, sabendo-se que têm capacidade para ficar bem mais à frente.

Sem os quatro minutos de penalização Armindo Araújo/Luís Ramalho (Skoda Fabia Rally 2 Evo) teriam ganho o rali. Apesar do sucedido ainda na 6ª feira, quiseram mostrar na estrada que vinham a esta prova para vencer. E na estrada conseguiram-no, mas não na secretaria.

E isso é o que fica para a história. Não merecem terminar o ano com uma polémica destas, num ano em que estiveram quase perfeitos, mas o título estava assegurado e é para esse que todos trabalham a cada ano que passa.

A luta pelas duas rodas motrizes terminou pouco depois de começar, pois com o abandono de Ernesto Cunha/Rui Raimundo (Peugeot 208 Rally 4) com problemas no radiador na PE3, Ricardo Sousa/Luís Marques (Peugeot 208 Rally4), que até aí já tinham ganho 5.8s à dupla campeã dos 2RM, tudo ficou mais fácil. A margem para Rafael Cardeira/Luis Boiça Renault Clio 4RS cifrou-se em mais de um minuto, no final, e desde cedo que o piloto da Prolama deixou de atacar, pois não era necessário limitando-se a gerir o andamento, num ano em que a mecânica os traiu na luta pelo título.

Luís Morais/Paulo Silva (Peugeot 208 Rally4) terminaram a quase três minutos e Pedro Silva/Roberto Santos (Peugeot 208 R2) mais um minuto atrás destes.

A dupla algarvia Ricardo Filipe/Fernando Almeida (Ford Fiesta R5) fechou o top 10, num ano marcado por quatro abandonos em sete provas, pelo que chegar ao fim na Marinha Grande foi um bom prémio.

Paulo Caldeira/Ana Gonçalves (Citroen C3 Rally2) terminaram em 11º, perdendo a posição no Top 10 no último troço. Tiveram muita dificuldade com a sujidade dos troços.

Destaque ainda para o grande número de carros no final da prova, num evento em que o CAMG soube trabalhar para trazer para perto do parque de assistência um conjunto de valências que permitiram a presença de muito público à volta dos concorrentes.

Uma aposta ganha, também, com o live streaming, algo que não se perdia nada se fosse estendido a todas as restantes provas.

Por fim, os azarados. Ricardo Teodósio iria lutar pelo triunfo caso o cubo da roda do Hyundai não se partisse, Pedro Meireles fez um pião o motor calou-se e depois não conseguiu recolocar o motor do Hyundai a trabalhar, perdendo muito tempo, acabando por desistir.

Gil Antunes teve uma ligeira saída de estrada na PE3, que afetou a correia de alternador e a bomba de direção assistida, sendo obrigados a desistir.

Foi pena a ausência do Kia Rio Rally4 da CRM Motorsport, pois pelos tempos feitos no shakedown antevia-se um bom andamento na prova. Foi pena, que voltem depressa.

Agora venha 2023, e que seja pelo menos tão competitivo quanto foi 2022…

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