CPR: N5 em Portugal, sim ou não?
Aqui ao lado na vizinha Espanha nasceu há há algum tempo uma nova categoria de carros de ralis, os N5, que podem vir para Portugal em 2019. A FPAK tem a ‘batata quente’ nas mãos, mas o problema é muito mais profundo do que pode parecer à partida. Ouvimos vários ‘players’, dos dois lados da ‘barricada’, e todos fizeram as suas ‘alegações finais’. Agora os ‘jurados’ que decidam e o Juiz que sentencie…
Os Grupos Técnicos da FIA andam constantemente numa roda viva a pensar nas melhores formas de proporcionar ao automobilismo mundial a melhor forma de crescer e continuar a desenvolver-se, acompanhando as tendências, mudando o que há para mudar, e entre os muitos regulamentos novos que criaram há um, que já dura há mais de cinco anos e que agradou a gregos e troianos, os R5.
Há muito, nos ralis, que uma nova categoria não era tão bem sucedida e quanto mais tempo passa mais fica a ideia desse sucesso. Só que, como quase sempre sucede, e não só no automobilismo, o otimismo monetário desliza com demasiada facilidade, e esse tem sido um problema dos R5. Tornaram-se muito caros. Com os anos a passar isso atenuou-se com o mercado de usados, entretanto a FIA, sabendo que existe um hiato grande ente os R5 e os R2, que os Grupo N já não completam, pensou nos R4 FIA, que já nasceram, mas têm tido dificuldades em se desenvolver. Problema? São demasiado caros.
É neste contexto que uma ou outra federação nacional olha para lá da regulamentação FIA, tal como sucedeu há já alguns anos com os Maxi Rally argentinos, os AP4 na Nova Zelândia, e mais recentemente com os N5 em Espanha.
Neste último caso, pela proximidade, começou a nascer a ideia que os N5 podem ser um boa solução também para Portugal, para completar o tal hiato entre os R5 e os R2, e neste momento o AutoSport sabe que está em cima da mesa da FPAK para aprovação – ou não – a entrada da classe N5 em Portugal, num debate que surge na forma duma proposta de um dos fabricantes destas viaturas, que pretende disputar um troféu em Portugal com esses carros.
Mas afinal o que são os N5 e porque foram criados?
O termo N5 foi idealizado pela RFEdeA (Real Federación Española de Automovilismo) e significa grupo Nacional 5. Este grupo de veículos de tração às quatro rodas é desenvolvido para competições nacionais e regionais, à semelhança, como já exemplificámos, do que foi feito com os Maxi Rally na Argentina.
Segundo a RFEdeA, baseia-se nos princípios do grupo R5 FIA e pretende criar viaturas de prestações similares entre si. Um dos principais objetivos é ter um regulamento técnico que garanta que os carros podem ser construídos com componentes de origem local, controlados diretamente pela Federação, via homologação. O mais importante é assegurar que as especificações de construção são controladas, garantindo simultaneamente que, quer a construção, quer a manutenção, se mantêm dentro dos limites de custos pretendidos (entre os 2WD e os R5).
Alguns pilotos em Portugal continuam a deparar-se com a dificuldade de ver a sua carreira progredir dos 2WD para os 4WD nos campeonatos nacionais, devido ao facto de ser necessário um enorme salto orçamental para chegar aos R5.
São vários e conhecidos os casos de pilotos que se mantêm nos campeonatos regionais ou nos 2WD pois é extremamente complicado (para não dizer quase impossível) encontrar patrocinadores com capacidade e disponibilidade para apoiar os orçamentos elevados dos R5.
Importa não esquecer que o custo do carro é apenas um dos fatores: há que ter em conta a manutenção e os tão importantes upgrades dos R5. Implementando uma homologação nacional N5, a FPAK pode seguir o exemplo de Espanha, mas a questão tem muitas nuances, como vamos perceber melhor ao longo desta reportagem.
É que, os N5 posicionam-se exatamente no espaço dos R4 FIA, como também o fazem relativamente ao mercado de usados dos R5, pois com evoluções quase constantes ou novos carros, este mercado dos R5 tem cada vez mais carros disponíveis, por valores semelhantes aos que são agora propostos os N5. Neste contexto, será que faz sentido ‘fugir’ à regulamentação FIA? Várias opiniões mais à frente…
Quais as características dos N5?
Os N5 são feitos com base em carroçarias de carros de série, que não têm obrigatoriamente que ser modelos com homologação FIA. A configuração pode ser de 2/3 ou 4 portas, mas sempre com um mínimo de quatro lugares no modelo de série. São construídos unicamente por fabricantes de veículos de competição reconhecidos pela Federação, para já só espanhola, e sujeitos a uma inspeção aquando do trabalho de carroçaria. Apesar de serem carros de homologação nacional, a construção obedece aos regulamentos de segurança FIA.
No que toca à mecânica, os motores são 1.6 turbo do grupo PSA, ou outro equiparável, e têm caixa sequencial de 6 velocidades e tração integral.
Os elementos comuns (mangas de eixo, transmissões, carcaças da caixa de velocidades, etc..) pertencem a um kit homologado que todos os carros deverão utilizar. Com potências na ordem dos 300 cv e uma estética bastante aproximada à dos R5, são verdadeiros carros de corridas. Pelas imagens que nos chegam de Espanha, o público parece ter aderido, naturalmente. Do ponto de vista do público é fácil: têm quatro rodas, dão espetáculo, e são bons. Mas nos bastidores a questão vai muito para além disso.
Aproveitando esta classe, podemos já ver carros como Renault Clio, Nissan Micra, Kia Rio, entre outros, a disputar os ralis como 4×4. Claro que falamos só da carroçaria. O ‘coração’ que está lá dentro, na maioria dos casos é da concorrência…
Esta liberdade de escolha no que toca à carroçaria, permite que os pilotos possam abordar com os seus projetos várias marcas, que até agora não dispõem de viaturas para apoiar. A Renault e a Suzuki são duas marcas que abraçam esta classe em Espanha, tendo já um projeto com o Clio N5.
Atualmente, os construtores de N5 autorizados são: ARVidal (Espanha), Baratec (Argentina), Mavisa Sport (Espanha) e a RMC Motorsport (Espanha). Em Portugal, logicamente, os preparadores/construtores poderão ver o seu potencial mercado aumentar com a possibilidade de construir estes carros localmente. Mais ainda, o mercado de aluguer de viaturas N5 poderá ter um número interessante de clientes, visto ser substancialmente mais barato alugar um N5 do que um R5 novo.
Quanto custam os N5
Ponto prévio. Esta questão dos custos é muito delicada. E porquê? Porque podemos ter a tentação de olhar para a questão da forma mais otimista possível, mas com os anos que já levamos disto, sabemos bem que um piloto ou uma equipa são capazes de se queixar do custo duma inscrição, mas em boa parte dos casos, quando toca a ter o melhor carro possível, vão esticar o orçamento com o melhor ‘elástico’ que encontrarem. Portanto, este é um aspeto que se tem de olhar com as devidas cautelas.
A compra de um N5 começa nos 125.000€ e pode subir aos 170.000€. Aqui importa mencionar que, fruto de alguma permissibilidade regulamentar, vê-se em Espanha um escalar de custos e prestações dos N5, o que não é positivo. Foi dada bastante liberdade quanto ao trabalho que pode ser efetuado nas cabeças de motor e nas árvores de cames.
Como se percebe, este é um dos pontos delicados desta questão dos N5. Caso venham mesmo para Portugal, seria aconselhável manter os motores de série, tanto quanto possível. Permitir apenas modificações por questões de fiabilidade, não de performance. Senão, lá se ‘vai’ um argumento, o dos custos…
Os N5 podem ser importantes em Portugal, desde que sejam fixados efetivamente entre os R2 e os R5, quer a nível de prestações, quer a nível de custos. Não é de forma nenhuma desejável que se permita um desenvolvimento dos motores dos N5 para níveis tão altos como está a ser feito em Espanha. Esta classe perdia a sua validade se começasse a ter custos quase tão elevados como os R5. Caso se mantivessem os N5 no seu verdadeiro conceito (de ‘substituição’ dos grupo N), a performance, valores de aquisição, aluguer e manutenção dos carros pareceriam bastante apelativos.
Não será certamente uma decisão fácil a que está nas mãos da FPAK, mas os ralis são como a Pedra Filosofal do Manuel Freire, querem-se em perpétuo movimento. E nós o que queremos são ainda melhores ralis. Mude-se ou fique tudo como está.
QUADRO COMPARATIVO DE CUSTOS:
N5 |
R5 |
|
| Compra (milhares euros) | 120-175 | 120-230 |
| Aluguer (€/Km) | 35 | 60-100 |
| Manutenção (€/Km) | 16 | 36-60 |
| Carroçaria nova | 12.500 | 19.500 |
| Motor | 6.000-10.000 | 35.000 |
| Turbo | 950 | 2.600 |
| Triângulo com rótulas | 800 | 1.300 |
| Manga de eixo | 2.100 | 3.500 |
| Pinça de travão | 550 | 1.100 |
| Rolamentos de roda | 120 | 280 |
| Pára-Choques | 300 | 750 |
Copa N5 RMC?
Um dos argumentos para a vinda dos N5 para Portugal passa pelo facto da RMC MotorSport, a mesma equipa que assiste e prepara o Hyundai i20 R5 de Armindo Araújo no CPR, ter proposto à FPAK a criação de uma Copa N5 em Portugal, num projeto a três anos, com prémios monetários a rondar os 100.000€ por ano.
Esta copa, caso seja aceite, poderá ser composta pelos seis ralis do campeonato nacional disputados em solo continental (terra e asfalto) e seria aberta a todos os pilotos a competir em N5 fabricados pela RMC, sem necessidade de inscrição prévia, nem tendo um número mínimo de provas disputadas.
A presença do camião da RMC em todas as provas com peças suplentes e uma equipa técnica de apoio aos carros do troféu estaria igualmente garantida. Para quem pretendesse, a RMC apresenta ainda valores de aluguer dos N5 a rondar os €5.000 por prova, com gasolina incluída, mas sem pneus ou seguro.
Os prémios por prova oferecidos pela RMC e pela Michelin são os seguintes: 1º Lugar, 5.000€+IVA e 4 pneus Michelin A31; 2º 4.000€+IVA, 3 pneus; 3º 3.000€+IVA e 2 pneus Michelin A31;
4º 2.000€+IVA e 1 pneu Michelin A31; 5º 1.000€+IVA e 1 pneu Michelin A31.
NOTA: Esta é a primeira parte do artigo, na mesma secção, ralis, pode encontrar as reações a este mesmo artigo.
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