Campeonato de Portugal de Ralis: as lutas pelos títulos dos últimos 7 anos
Está à porta mais uma edição do Campeonato de Portugal de Ralis, mas tendo em conta que os protagonistas são basicamente os mesmo, salve uma exceção ou outra, espera-se que a competição seja novamente bem acirrada, sendo que claramente o ano de 2024 arranca com um favorito acima de todos os outros, Kris Meeke, tal como sucedeu com o seu compatriota Kris Meeke há um ano. Contudo, a tragédia que se abateu sobre o irlandês levou a que a luta pelo título na última prova tenha sido novamente entre os portugueses. É assim há sete anos, se não é na última prova, foi na penúltima e nunca na sua história o ‘Nacional’ de Ralis viveu um período tão longo de reforçada competitividade. Recordemos como foram esses sete anos

2017: O mais equilibrado de sempre
Tudo se decidiu no Algarve, entre Pedro Meireles (Skoda Fabia R5) e Carlos Vieira (DS3 R5), que partiram para a derradeira prova da competição separados por 8.34 pontos, sendo que Pedro Meireles, tinha uma boa vantagem mas Vieira dependia dele próprio. E conseguiu dar a volta, vencendo facilmente a prova, mais do que isso, venceu os troços que precisava para chegar ao título, por apenas 0.4 pontos. No final, três vitórias para Carlos Vieira, outras tantas para Pedro Meireles.

2018: O regresso de Armindo Araújo
Depois de uma época marcada por quatro vencedores distintos em nove provas realizadas, (Armindo Araújo, 4; José Pedro Fontes, 2; Ricardo Moura, 2 e Ricardo Teodósio, 1), a competição decidiu-se na última prova, no Algarve. Armindo Araújo tinha vantagem, mas Ricardo Teodósio, a correr em casa, tinha ainda hipóteses, e José Pedro Fontes, também, mas poucas. Contudo, depois de cinco anos sem competir, Armindo Araújo regressou em grande. Teodósio protelou o suspense da decisão até onde o motor do seu Skoda Fabia R5 lhe permitiu. Armindo Araújo, venceu o rali, e o campeonato.

2019: Festa rija algarvia
A emoção durou até ao fim mas a festa rija foi algarvia. Bruno Magalhães venceu o Rali do Algarve, embora o segundo lugar de Ricardo Teodósio tenha chegado e sobrado para a dupla alcançar o sonho de uma vida, o título do CPR. A vitória não foi fácil e por isso ainda mais saborosa. Pelo terceiro ano consecutivo a competição decidiu-se apenas no Algarve, e tal como sucedeu nos dois últimos anos, não faltou emoção, incerteza e muita gente de calculadora na mão.

2020: Curto mas competitivo
Armindo Araújo foi Campeão, numa temporada muito afetada pela pandemia de coronavírus. Apenas seis provas, com o Rali do Algarve a ser cancelado quando tudo se preparava para a decisão do título entre Armindo Araújo e Bruno Magalhães. Depois de muitos meses de incerteza, adiamentos e cancelamentos, a segunda vaga da pandemia no outono chegou em força impedindo que o campeonato fosse até ao fim. Realizaram-se seis provas, ou 5.25 para sermos mais exatos, devido à paragem do Rali Vidreiro na sequência da morte da jovem Laura Salvo.
Mas o que houve foi competitivo. Estiveram em ‘campo’ seis campeões nacionais de ralis, e em termos desportivos, Armindo Araújo (Skoda) venceu três provas, Bruno Magalhães (Hyundai), duas, Pedro Meireles (Volkswagen), uma. A luta durou até ao fim, tudo se resolveria no Algarve, mas afinal foi o Rali Terras da Aboboreira a decidir um campeonato que até aí teve um início de ascendente de Armindo Araújo, com dois triunfos, uma forte reação de Bruno Magalhães que com dois triunfos virou as contas a seu favor. Faltavam duas provas, mas a Aboboreira decidiu o campeonato. Mas só se soube um mês depois…

2021: Segundo título de Ricardo Teodósio
Dois títulos em quatro anos para Ricardo Teodósio e José Teixeira! A dupla algarvia foi novamente campeã absoluta, em mais um ano super competitivo, com quatro vencedores distintos em oito provas, três deles venceram mais do que um rali, primeiro e segundo separados por um ponto no final do campeonato.
Ricardo Teodósio e José Teixeira repetiram o feito de 2019, embora desta vez a luta tenho sido ainda mais acirrada, e sofrida pois apesar de na última prova, Mortágua, Armindo Araújo e Luís Ramalho terem desistido cedo, as coisas também não foram fáceis para os algarvios, devido a problemas iniciais no carro. No final, contas feitas, ganharam a Power Stage e foram campeões nacionais, provando que todo o trabalho que foi feito com a ARC Sport e a estrutura pessoal foi certo, em dois títulos que saem valorizados pela qualidade da concorrência.
Altos e baixos todos tiveram, incluindo os campeões, mas o título é totalmente merecido. Em oito ralis, Teodósio venceu duas vezes, Armindo Araújo, três, mas o abandono de Mortágua foi decisivo. Bruno Magalhães também venceu duas provas e José Pedro Fontes, uma.

2022: Três em cinco ano para Armindo Araújo
Sétimo título para Armindo Araújo, desde o seu regresso em 2018, em cinco anos, foi campeão três vezes e esteve sempre na luta nos outros dois. Mais um feito de um piloto que continua a ‘escrever’ grandes capítulos na história do automobilismo em Portugal. Em 2022, não deu grandes hipóteses aos adversários corrigindo os poucos erros de 2021. Triunfou em dois ralis, mas foi na consistência e regularidade que esteve a chave do título, que garantiu antes da última prova.
Fazendo um curto filme do ano, esteve imperial em Fafe, deixando a concorrência a ‘milhas’, nos Açores foi na prática, o melhor do CPR pois Ricardo Moura só fez a ‘sua’ prova, na Aboboreira foi segundo atrás do estreante a vencer, Miguel Correia, e no Rali de Portugal segundo atrás de Teodósio. Venceu em Castelo Branco, e logo aí as portas do título estavam abertas, confirmando o ceptro em Chaves. Fontes foi 2º na frente de Bruno Magalhães, num ano mau para Ricardo Teodósio.

2023: Tri de Ricardo Teodósio
Os últimos anos, com uma exceção, as decisões do CPR têm sido todas na última prova, e 2023 isso também sucedeu, mas num grau bem mais elevado de expetativa, pois eram quatro os pilotos que tinham hipóteses de chegar ao título, e para nenhum era preciso um milagre para que isso sucedesse. Como se sabe o ano começou com o triunfo de Craig Breen em Fafe, mas a sua morte nos treinos para o Rali da Croácia ensombrou o mundo dos ralis, e levou a Hyundai Portugal a optar por manter o tipo de aposta: Kris Meeke substituiu o seu compatriota e durante o dos seis ralis que fez venceu quatro. Os azares do Rali de Portugal e Madeira afastaram-no da luta pelo título, que ainda podia vencer, pelo que foram os habituais portugueses na luta, chegando, como já referimos, com quatro candidatos à última prova. O que tinha menos hipóteses, Armindo Araújo – extraordinário como chegou ao fim na luta depois do que sucedeu em Fafe – cedo acabou com as que restavam com uma má escolha de pneus, a luta manteve-se a três mas com as dificuldades de Miguel Correia, o abandono de José Pedro Fontes quando atacava o título com tudo o que tinha, bateu e abandonou, e a assertividade de Ricardo Teodósio, o algarvio nem precisou de vencer o último rali para festejar o seu terceiro título de Portugal de Ralis.




