“A pica, a adrenalina, aquela sensação de loucura que te invade o corpo quando aceleras… não há nada no mundo que se compare a isto”, Oliver Solberg

Por a 29 Abril 2026 09:21

Num troço de rali em Monte Carlo, Richard Hammond entrou num Toyota GR Yaris para tentar perceber, no corpo e não na teoria, o que separa um curioso muito falador de um piloto como Oliver Solberg: quase tudo, e ao mesmo tempo uma coisa muito simples — instinto. No vídeo da DriveTribe, Solberg explica os ralis como uma mistura de perigo, dança, reflexo e vício emocional, enquanto Hammond oscila entre o espanto, o pânico e a piada de sobrevivência.

Richard Hammond tentou perceber os ralis com Oliver Solberg e acabou a segurar-se à coragem

Um troço, um sueco e um Hammond

A estrada estava ali, estreita e séria, sem grande cerimónia: curvas fechadas, desníveis, margem para errar quase nenhuma. Foi nesse cenário que Richard Hammond, rosto maior do antigo trio de Top Gear com Jeremy Clarkson e James May, se meteu ao lado de Oliver Solberg, campeão do WRC2 em 2025, para descobrir o que é, afinal, um rali quando deixa de ser televisão e passa a ser uma coisa que se sente nos ossos.

Solberg não perdeu tempo com teoria de sala. Meteu o carro à carga, apontou-o às curvas como quem conhece cada susto antes de ele acontecer, e Hammond fez o que qualquer pessoa racional faria: arregalou os olhos, praguejou e tentou decidir em que momento exato a sua vida tinha começado a correr mal. “Oh Meus Deus, isto é elevar a pilotagem a um nível completamente novo”, atirou, ainda a tentar processar o facto de um automóvel poder fazer aquilo tudo sem pedir desculpa.

O que são os ralis, segundo quem os vive

Quando a conversa abrandou — o carro, esse, nem por isso — Solberg explicou que os ralis têm qualquer coisa que não encontra noutras disciplinas do desporto motorizado. “A pica, a adrenalina, aquela sensação de loucura que te invade a cabeça e o corpo quando aceleras pelo troço fora… não há nada no mundo que se compare a isto.” , resumiu, numa definição menos polida do que verdadeira.

Depois foi ainda mais fundo, e mais cru. Disse que o rali vive dessa faísca meio absurda entre o perigo e o fascínio: “Oh, isto é tão perigoso e tão fixe ao mesmo tempo”, porque a possibilidade de correr mal não é um acidente colateral — faz parte da essência. E quando Hammond tentou pôr aquilo em palavras mais arrumadas, Solberg desarrumou-as outra vez com uma imagem perfeita: nos ralis, o feeling “vem do cú”, é dali que o corpo lê o carro, percebe o movimento e “dança” com ele.

Instinto, caos e humor

A certa altura, Hammond perguntou-lhe o que lhe passa pela cabeça à entrada de um gancho, com notas para ler, piso a mudar e o carro aos saltos. Solberg respondeu como respondem os que fazem depressa demais para explicar bem: não sabe ao certo, simplesmente acontece. “não se explica, é puro instinto, feeling, experiência”, disse o sueco, antes de admitir, com uma honestidade quase irritante para quem vê de fora, que nem ele consegue explicar exatamente o que acabou de fazer.

Hammond, claro, agarrou-se ao humor como quem se agarra ao travão de mão errado. Quando ouviu que Solberg tinha 24 anos, saiu-lhe um lamento automático: “Sinto que ainda não fiz nada na vida”. Era a graça da cena, mas também a conclusão inevitável: no rali, experiência ajuda, coragem também, mas há uma parte que não se ensina — ou se tem, ou vai-se a fechar os olhos até a curva passar.

O duelo explicou o resto

Depois veio o cara a cara: Solberg fez o troço, com o Toyota GR Yaris de estrada, em 4m15s minutos, Hammond precisou de 5m45s. A diferença não serviu para humilhar o britânico; serviu para medir, com cronómetro e pó, a distância entre conduzir depressa e falar fluentemente a língua selvagem dos ralis.

No fim, Hammond tentou vender a ideia de que o seu estilo era apenas “mais suave”. Mas a piada já estava feita, o troço já tinha respondido e Solberg já tinha explicado tudo sem precisar de discurso bonito: os ralis fazem-se de coragem, sensibilidade, descontrolo domesticado e da estranha capacidade de alguém sentir a estrada antes mesmo de a curva acontecer

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