Sébastien Loeb: “Não sinto falta dos ralis”
Sébastien Loeb colecionou triunfos no Campeonato do Mundo de Ralis, venceu no WTCC e surpreendeu os mais experientes ‘maratonistas’ na primeira vez que foi ao Dakar. Agora quer fazer o mesmo no Mundial de Ralicross. Conheça as expetativas do francês, na primeira pessoa
Questionámos-nos muitas vezes sobre o motivo para ser tão ‘carrancudo’. Mas eis que um infiltrado muito especial na figura de Paulo Maria (um dos fotógrafos portugueses que o acompanharam no WTCC e agora no World RX) lá nos contou, em jeito de pequena confidência, que a dificuldade do alsaciano se expressar em inglês e a baixa estatura tinham provocado os seus efeitos. Estranho para quem o vê como alguém que venceu por nove vezes o Campeonato do Mundo de Ralis, mas natural para quem olha para ele como “um tipo normal, que apenas gosta de corridas” – a forma como gostaria de ser recordado. O tempo não para. Hoje com 42 anos e livre da pressão do WRC, categoria onde fez ‘nome’ e carreira, Sébastien Loeb chegou teoricamente ao rallycross mais liberto da pressão que o apoquentava. Puro engano perante o currículo angariado. Apesar de ser considerado um estreante no World RX, os triunfos do francês nas diversas categorias por onde passou fazem dele um alvo muitíssimo apetecível para os holofotes mediáticos. E a prova disso está na dificuldade de falar com ele durante os fins-de-semana do World RX.
Nesta altura, e quando estão realizados nove eventos do WorldRX, o piloto francês é quinto do campeonato e já foi uma vez ao pódio. Atrás dele na tabela estão nomes fortes do rallycross, como Timmy Hansen, Toomas Heikkinen, Robin Larsson e o russo Timur Timerzyanov.
Como estás a encarar este novo desafio e o que esperas desta temporada completa?
Por um lado, espero ser cada vez mais competitivo. Por outro, sei que este é um desporto totalmente novo para mim. É uma nova disciplina e tenho que continuar a adaptar-me rapidamente às exigências da condução deste tipo de carros. Às lutas nas corridas e à estratégia da ‘joker lap’, o que não será fácil. É claro que tenho muita experiência de outras categorias do desporto motorizado, e portanto espero que isso me permita aprender depressa.
As tuas experiências anteriores no Global Rallycross, XGames e mesmo no Europeu estão a ajudar-te nesta ‘aventura’, ou acreditas que te encontras numa ‘liga à parte’?
São coisas diferentes. E essas experiências foram há muito tempo. Fiz apenas duas provas de ralicross na minha carreira, o que não é muito. Desse modo encaro o World RX como um novo desafio, procurando olhar para ele desde a base.
Quais são as principais diferenças entre o ralicross e os ralis?
A condução do carro é muito semelhante, com certeza. É um pouco como guiar um WRC com mais potência. As corridas em pista são obviamente diferentes, mas o estilo de condução é mais parecido aos ralis. Depois existem aqui muitas batalhas, o que nos transporta para o que encontraríamos num circuito. Mas a sua intensidade é algo a que temos igualmente que nos habituar.
Falaste em “batalhas”, o que também acontecia no WTCC. Essa experiência ser-te-á útil?
Sim, mas não é do mesmo estilo. Aqui tens também muitas derrapagens, portanto não é comparável. Lidas com um ‘slide’ com outros adversários ao teu lado, o que é algo distinto.
Sempre foste conhecido por teres uma condução muito ‘limpa’. Seres obrigado a deslizar mais com o carro está a obrigar-te a mudar a forma como conduzes, ou pensas que podes ser igualmente rápido aplicando esse estilo mais ‘certinho’?
Não sei. Vou ter de guiar como entendo ser a forma correta, e como sinto que devo fazê-lo neste momento. Depois veremos. Se for demasiado lento talvez tenha de trabalhar no meu estilo de condução. Mas de momento faço como entendo ser a forma mais correta e vamos ver o que isso me traz.
Qual é a grande vantagem e desvantagem do 208?
Comparado com o anterior não sei, mas posso dizer-te que as sensações ao volante são muito boas. Tens um chassis muito semelhante a um carro do WRC, mas depois o motor tem mais 250 cv, o que o torna numa viatura muito potente e interessante de guiar, com a tração às quatro rodas motrizes.
Este é o teu terceiro projeto com a Peugeot, depois de Pikes Peak e o Dakar. Consideras que simboliza igualmente uma nova fase da tua carreira?
Sim, com certeza que é. É uma nova fase, com uma nova marca. Pela primeira vez na minha carreira mudei efetivamente para outra marca, que é a Peugeot. Portanto sim, é algo novo e também positivo trabalhar com uma nova equipa, conhecer novas pessoas e descobrir novos projetos. É entusiasmante.
Como classificas a tua primeira experiência no Dakar? Ficaste surpreendido com o evento?
Fiquei surpreendido por estar a liderar a primeira semana. Cometemos alguns erros nas etapas de navegação, e nas etapas do deserto foi mais difícil para nós porque não temos experiência. Mas foi uma boa experiência.
Vencer a prova é agora um objetivo ainda maior?
Procurarei dar o meu melhor, mas sei que é um evento em que necessitas de muita experiência e de uma perfeita sintonia entre piloto e navegador, o que significa que é importante angariar esse conhecimento. Não sei se um ano será suficiente, mas irei procurar continuar a aprender, com certeza.
Traçaste alguma data ou limite para te retirares da competição? Vês-te a ‘correr’ até quando?
Enquanto gostar e retirar prazer disso.
Que disciplina preferes?
Difícil de dizer. Gosto de mudar, mas claro que a minha carreira foi feita em particular nos ralis. No entanto agora também é bom experimentar coisas novas.
Ficaste desapontado com a decisão da Citroën ou compreendeste-a?
Não diria que a compreendi, mas no final o que importa é que estou contente assim, porque acredito que terei mais prazer a conduzir este carro do que o C-Elysée do WTCC. Estou contente com esta situação. Gosto de trabalhar com a Peugeot e estou satisfeito com a equipa. Tudo corre pelo melhor.
Sente saudades dos ralis?
Não. Estou entusiasmado com este novo projeto, portanto não sinto falta dos ralis neste momento.
Consideras regressar esporadicamente à modalidade?
Não. A Peugeot não tem um WRC neste momento, portanto não o posso fazer.
O Petter Solberg desafiou-te várias vezes para que tu te juntasses a ele no World RX. Como olhas para este desafio sendo ele o atual campeão do mundo?
O desafio não é apenas correr contra ele, é colocar-me à prova perante outros pilotos que também são muito rápidos. Temos boas memórias dos ralis em conjunto, mas ele não é o único adversário. Portanto primeiro tenho de ver em que nível estou e só depois então irei perceber com quem irei lutar.

André Bettencourt Rodrigues
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